Tordos Azuis

Levados Pela Poesia


DESTAQUES


quarta-feira, 23 de setembro de 2020

 

Levanta do banco, 

Segura no apoio do ônibus, 

Joga todo o cabelo para o lado direito, 

Ajeita o cabelo do lado esquerdo,

Puxa a calça para cima, alonga-se, 

Ajeita a barra na perna direita, 

Ajeita a barra da perna esquerda, 

Ajeita o cabelo do lado direito, 

Ajeita o cabelo do lado esquerdo, 

Empurra a mochila para cima, 

Puxa a calça no lado direito, 

Puxa a calça no lado esquerdo, 

Puxa as laterais da jaqueta para frente, 

Coloca alguns fios de cabelo por trás da orelha, 

Ajeita a barra da perna direita, 

Ajeita a barra da perna esquerda, 

Desce as escadas, adeus.


(Augusto Fossatti)

sábado, 19 de setembro de 2020

Desfaço-me em minhas mãos,

e minha voz engasgada.

 

Aperto minha pele,

apertando o nada.

 

O alvo que sou,

e isto é tudo?!

 

Não me basto,

por que tão útil?!

 

Na escuridão que habito

nenhuma luz pode penetrar.

 

Esse ressentimento que se alastra 

como um câncer.

 

Se meu corpo não confiar em mim,

o Menosprezo irá?

 

Então me destrua por completa

e salve minha vida!


Junho de 2020,

Thais Poentes

segunda-feira, 24 de agosto de 2020

Sinuosa, se balança pelo ar,
Joga-se, se movimenta,
Pelas cordas desliza
E a atenção de todos orienta.

De ponta cabeça agora está.
Um olhar e um sorriso me é lançado,
Vejo-me em seu enlaço.

Algo positivo me invade,
Estou sob sua mira.
Seu grupo se aproxima,
Oscilações insinua.

E que dócil expressão!
Uma jovem garota,
Firme no chão,
Vem em minha direção.

Indiquei o lugar,
Breve lá ela está,
Agora nos embalamos,
É o melhor dos sonhos!

Passa o tempo,
Ela precisa se remodelar,
Pede-me para esperar...

Maldito contratempo!

Por outros sou levada para fora,
Eu não queria ir embora,
E não tive coragem para outra opção.
Adeus, bailarina! Beijaria a sua mão.

Setembro de 2019,
Thais Poentes

sexta-feira, 21 de agosto de 2020


"A ideia do suicídio é uma grande consolação:

ajuda a suportar muitas noites más... " - Nietzsche 


Eu queria ser forte como o tempo,

mas até o próprio tempo morrerá um dia.


Nós humanos temos pouco tempo,

e talvez meu tempo tenha se esgotado…

há muito tempo. 


Eu queria ter tempo, mas não tenho.

Queria ser amigo do tempo, mas não sou. 


Deveria morrer amanhã - aliás, hoje -

é a definição do próprio tempo que já passa da meia-noite

enquanto o tic-tac do relógio bate a favor de si mesmo. 


Tempo! Responda-me, querido tempo… 

Quanto tempo eu tenho antes de partir dessa existência?

Serei eu o meu próprio algoz violento?! 


O ventre de minhas irmãs

serão agora a única esperança de meus ancestrais?


Cada pessoa que amei nessa vida,

eu amei verdadeiramente…

cada detalhe da beleza do mundo eu amei profundamente

- o céu, o ar, as estrelas, os sons…


Tentei acumular conhecimento

- tentei ver o mais longe que poderia, mas voltei,

como um bom Chinês demonstraria,

ao meu estado original de ignorância repetida,

sem limites.


A vida é uma tortura sem fim,

enfeitada com indescritíveis deleites passageiros

pelos quais vale a pena viver… pelo menos valia…

ou vale, ou valia… não mais. 


Vivo em guerra com cada partícula desse Universo,

com cada grão de areia desse mundo,

cada vírus e bactéria,

cada pessoa que cruza o meu caminho,

com cada pensamento alguma vez já pensado

e com cada sentimento esquecido! 


Sou vazio… 


Sou oco por dentro,

e apesar da minha carne desejar prazer e

contentamento, meu espírito já não deseja nada

além de uma paz que percebo cada vez mais

que jamais poderei obter… 


Em volta, julgamentos…


Reativos, controladores, ditadores e moralistas

- todos os tipos de seres possíveis que infestam

esse mundo com suas ideias enfadonhas… pouco criativas. 


Egoístas… 


A dor que desabrocha do meu peito

é uma flor cheia de espinhos da qual não posso me curar …

é a tortura, a lacuna,

a percepção de que nem mesmo o céu

ou a terra me conectam ao meu lugar… 


Como é interessante o tempo…

mas por qual motivo ele me jogou aqui?

Nenhum! Essa é a piada… motivo não há. 


Nosso teatro cansou minha alma…

Nossas falas são apenas ruídos para os meus ouvidos… 

Nossos cenários são como enxofre para os meus olhos… 

Nossas cortinas não conseguem se fechar…


Amei tanto, mas não sei mais para quê se deve amar… 

Chorei tanto, mas não sei mais para quê se deve chorar…

Falei tanto, mas não sei mais para quê se deve falar… 

Pensei tanto, mas não sei mais para quê se deve pensar… 


Sou um fantasma

que vaga de um lado para o outro,

preso numa dimensão que já não me pertence,

vivendo à mercê de vontades que jamais foram minhas

- vontades das quais não me adapto,

das quais não me adéquo, custe o que custar… 


Eu apenas assisto ao espetáculo da vida,

como um cético, um cínico, um visitante

que é indesejado toda a vez

que num súbito instante deseja participar!


Piedoso demais para impor suas vontades… 

Vaidoso demais para sentir-se feliz

em se submeter às leis que

não foram por mim aprovadas...


Não sou mais ninguém nesse mundo! 

Sou um péssimo ator

que aos poucos tem perdido seu espaço e seu papel. 


Sou uma alma errante e desnutrida, para as religiões… 


Sou uma forma de vida não bem adaptada ao seu habitat,

para a biologia… 


Eu nem deveria estar aqui… 


Jamais. 


(Augusto Fossatti)

quarta-feira, 22 de julho de 2020


Um tempo depois, ela diz que deveríamos finalizar aquilo decentemente no hotel, pois ela tinha o princípio de que se ela sanasse o desejo, ele iria embora. Aquilo me deixou confusa, porque ela disse que deveríamos nos afastar antes de ela surgir no escritório, ou pelo menos entendi daquela maneira. Fugi mais cedo naquele dia novamente para encontrar com ela. E ficamos no hotel. Beijos, abraços, sorrisos, colos e músicas. Nessa vibe. Não vou entrar em detalhes, esses guardarei no coração e morre comigo   em breve, se tudo der certo ou errado, sei lá. Ela me deu um presentinho... um gatinho de porcelana e umas pedrinhas coloridas, que ela gosta dessas coisas, dentro de uma porta absorvente (risos), ela disse que não teve tempo de arrumar um embrulho “decente”. Achei fofo anyway, vinha de suas mãos e para mim valia o mundo. O tempo passou voando. Ela tinha que ir para o amigo secreto, mas eu a segurei. Sabia que seria a última vez que a veria, como poderia vê-la partir mais uma vez?! Consegui enrolar um pouco mais, até ela não atender as mil ligações da mulher. Problema na certa. Ligou de volta e foi embora correndo... a última vez que vi seu rosto foi virado paro o lado quando foi atravessar para pegar o carro estacionado do outro lado da rua do hotel. “Tchau, moça...”, pensei. E subi para o quarto. Ela disse que não falaria comigo dali, pois iria viajar com a mulher. Ótimo, meus últimos dias aqui. ÓTIMO! VOCÊ NUNCA MAIS VAI ME VER, VOCÊ SABE DISSO, NÉ?! Salve seu casamento e passe o resto da sua vida ao lado de quem ama de verdade, jogue fora os nossos últimos e escassos dias. Eles não são nada, de fato. ÓTIMO! – Surto interno.

Quando ousei ficar com outra pessoa para me distrair da moça, só pensava na moça e me senti agoniada por aquela pessoa não ser a moça. Quis ir embora. E fui. Pensei que não fosse me sentir tão mal assim por estar com outra pessoa senão ela, mas aquilo me abalou (por mais que eu tenha disfarçado para minha amiga depois). Não ousei ficar com mais ninguém desde então.

Quando viajei de volta para São Paulo, no dia que estava no táxi a caminho do aeroporto, uma parte de mim estava tão triste por partir, por não ter aproveitado aqueles últimos dias para ter mais um tempinho com a moça, por não a ter ali naquelas últimas horas. Quase como se o que aconteceu não tivesse sido nada... como se o que eu estava sentindo não fosse nada. Então uma parte de mim estava triste por eu estar bloqueada no aplicativo de chat (me sentindo bloqueada em outros sentidos também), e outra parte estava feliz por voltar para minha bichana e família.

As noites que chorei ali na terra calorosa como um bebê, todos os sorrisos, momentos especiais, com ou sem a moça, estarão para sempre dentro de mim. Mas se me perguntarem se eu voltaria para lá, eu penso na moça e na visão de ela me esperando, que é uma visão muito bonita mesmo. Só que eu não me permitiria isso, então acho que nunca volto para lá. Mesmo.

Todos os e-mails que trocamos... quando voltei. A ligação dela nesse dia que me tocou profundamente. Todo o drama, todos os caminhos frustrados... e conversas que não levaram a nada além de mais frustração, tudo isso... não sei mais o que pensar. 

O sofrimento gerado pelo amor livre não vale a pena”.

 “Abrir mão de um desejo por um bem maior”.

Esses “tapas” que ela me deu junto com a sugestão de me deixar ali na friendzone me fez querer nunca mais ter contato algum com ela. Raiva não senti por muito tempo, mas estive revoltada com a realidade me assediando desse jeito. Seria mais fácil odiá-la para sempre. O que me deixa mais revoltada é ela não “permitir” isso, se mostrando sempre algo bom demais. Mas no fundo quero odiá-la para sempre e pronto. Era para eu ter excluído tudo que a envolvesse, jogado o presentinho do gatinho e pedrinhas fora, e fingido que não fosse nada, afinal nada valeu a pena. Mas nãaaaao! Estou aqui escrevendo mais alguma coisa sobre ela. Já que não a odeio, estou odiando a mim mesma por não a odiar. Uma imbecil!!!!! PELO AMOR DE CAT, THAIS DO FUTURO, SE AINDA VIVE, NÃO SEJA UMA IMBECIL. SE SE SENTIR ATRAÍDA POR ALGUÉM COMPROMETIDO NOVAMENTE, SE AFASTE IMEDIATAMENTE ANTES QUE SEJA TARDE DEMAIS. ME AGRADEÇA QUANDO NÃO PASSAR POR MAIS SOFRIMENTO EM VÃO. DE NADA.

Status atual: em um relacionamento tóxico comigo mesma.

É... pois é... Ela é fantástica e não está comigo. Odiá-la seria mais conveniente para mim. Ela é fantástica e não teve culpa de me magoar. Mas magoou mesmo assim. E é por isso que desejo não a achar tão fantástica assim.

Só é estranho ter considerado o fim várias e várias vezes durante esse processo, e a moça ressurgir todas elas. Juro, não esperava.

Quase arruinei o casamento dela. Sei que fui uma tempestade que deixou danos, os quais elas terão que ajustar. Seja como for, dentro de mim, tenho um coração despedaçado. E eu desejo do fundo dos cacos dele que não haja outra paixão em minha vida (típica música “Longe do meu lado” da Legião Urbana).

Eu só queria contar um pouquinho dessa história. Feito isso, agora posso olhar para alguma foto dela e ficar triste, de novo. Não superei. E odeio admitir isto.

Nop! Nada mudou. I still feel the same, my feelings haven’t changed.


(Março de 2019. Thais Poentes)
Ela é meu amor?

Não superei o passado de tantas formas,
Com tantas além dela.

O que estou tentando dizer?
Eu não sei.
Eu a amei como jamais amei alguém,
E hoje simplesmente não sei.

Era obsessão?!
A forma de um sucesso em realidade...
Mas que realidade mais torta!

Depois veio uma bela garota,
Tão bonita por fora
E tão quebrada por dentro.
Tentei deixá-la perfeita para mim,
E me arruinei junto a ela.
Ela voltou para o que a assombrava,
Passando a me assombrar.

Então senti falta da minha velha assombração.
Eu senti falta do meu grande amor,
O mesmo que veio até mim
Em uma noite qualquer...
Com outro alguém.

E quem procuro dessa vez?

Falando em aparição...
Eu consegui amar uma a mais,
Ela era um pesadelo em carne viva,
E ainda assim a amei.

E, novamente, voltei para meu antigo amor.
Mas é amor?!
Eu não sei o que vejo através das palavras,
Dos dois lados, aliás.
Não estou sendo hipócrita,
Talvez falsa com o fato esquisito.
Não sei o que sinto.

Um monte de coisa remete a um monte de coisa.
Eu queria parar de roer minhas unhas
E viver um conto de fadas perfeito.

Até tentei aceitar a realidade,
Eu fui nessa linha, é verdade.
Pensei comigo... não era para ela tentar me confundir,
Já que minhas ideias estavam supostamente claras.

Todas as noites estou em casa,
Com a minha felina ao meu lado,
E olhe lá.

São falsas impressões,
E ainda que eu negue,
Não passo credibilidade,
Nem quando afirmo,
Não tenho nada no que digo.

Eu voltei para o esporte,
É minha grande paixão,
E quando estou em cena,
Já não consigo me entregar totalmente...

Será que morri por dentro?
Às vezes acredito que sim,
Noutras já nem sei.
Porém, percebo,
Estou morta... de alguma forma,
Algum pedaço meu está podre dentro de mim.

Novembro de 2019,
Thais Poentes

Abre los ojos, Anabel.

Você pensa que sou solitário
e que afasto as pessoas com meu
jeito supostamente arrogante ...

- "narcisista",

que por isso sou sozinho
e que ainda gosto de minha solidão.

Você pensa, Anabel,
que sem ti eu perco um mundo...

inteiro...

mas meu mundo se perdeu há muito,
antes mesmo de você chegar.

Se você pudesse me ouvir,
ao menos se pudesse me enxergar.

Anabel, traiu-me  sem perceber,
dilacerou-me sem explorar.

Culpou-me
por minhas palavras sinceras,
as chamou de alfinetadas agudas,

"desnecessárias",

dizendo que penso estar certo,

"sobre tudo",

que por isso fechei-me
em um mundo inflexível e particular.

Mas sobre si mesma,
Anabel, você sabe pensar?

Quando chegou
ao meu mundo pedindo ajuda,
prometendo tentar
entender minhas ideias,
dedicada a conhecer,
motivada a caminhar,
não percebeu que apenas fez
promessas vazias,
e que em poucos dias cometeu
todos os erros que
havia jurado evitar.

Anabel, Anabel...

Abre los ojos, Anabel.

Seu mundo de sonhos desmorona
em uma insegurança determinada
pela incapacidade de se segurar em
algo de maior valor... Anabel...

Abre... los... ojos...

Suas inseguranças travestidas
de coragem não assustam nem o mais
fofo dos gatos bem cuidados da
classe média alta paulistana.

Quem será que pode nos salvar?

Se tão de repente,
meu idioma que era perfeito
tornou-se um dialeto rarefeito
muito complicado de se aproximar?

Olhe para seus olhos, Anabel,
e abra-os para a vontade da vida.

Talvez,
quem nunca foi valorizado
perca a capacidade de
enxergar quando alguém passa
a valorizar...

Dei-te do meu mel mais doce,
de minhas palavras mais profundas e
meus sonhos mais sinceros...

Abri-me completamente,
apartei-me de meus medos e joguei-me...

NO TEU MAR...

Quando é que você quis,

REALMENTE,

mergulhar em mim???

Fui apenas
uma fuga da sua vida cotidiana
insuportável disfarçada de estilo irregular.

Abre los ojos, Anabel!

Quem perde mais
com sua partida certamente não sou eu,
mas para teu ego é muito difícil aceitar.

Nunca exigi nada
de ti além de sua confiança,
- jamais exigi concordância,
nem fiz nada para te apequenar.

Você fez suas promessas vazias,
Das quais fui um tolo,
mais uma vez, em repetidas tentativas,
por acreditar.

Adeus, Anabel.

E apesar de você me achar sozinho:
que afastando-me de mim
você me deixa só - acumulei em vida
melhores amigos dos quais

NÃO OUSARIAM ME DEIXAR...

Eu não estou sozinho,
E nenhum de nós precisa concordar -
mas uma coisa posso dizer de meus amigos -
eles são fortes, e se não duvido da capacidade deles,
e eles não duvidam da minha,

É PORQUE É IMPOSSÍVEL DE SE DUVIDAR.

(Augusto Fossatti)