Tordos Azuis

Levados Pela Poesia

quarta-feira, 8 de maio de 2019

Achei-me outra vez,
não estou mais perdido,
a bússola que estava quebrada,
consertei...

Se eu já disse isso antes,
Jamais estive tão convicto,
pois nunca tinha percebido,
a extensão de meu poder.

Poderia conquistar o mundo,
abrir mares, o sol parar,
mas prefiro ficar no quarto,
isolado para estudar.

(Augusto Fossatti)

domingo, 5 de maio de 2019

Escrevo,
Quero ser reconhecido,
Mas creio,
Todo poema é vivo.

Pergunto,
Se não existe qualidade,
Por que estou aqui
E eles na estante?

Repito,
Poderiam ser todos,
Mas e agora?
Como viver com isso?

Afirmo,
Estes meus versos
Devem ser ruins,
Ou muito perversos.

(Augusto Fossatti)

quinta-feira, 2 de maio de 2019

Verdadeiramente impossível de saber
Se nós somos nós ou se somos tão diferentes,
Somos apenas um ponto observável e brilhante,
Como será então que eles chamam a gente?
Nômades, loucos! Pode ser bem detalhado,
Ou talvez não, algo distante e impreciso,
Um pequeno ponto colorido aos telescópios,
Um pequeno e talvez futuro paraíso!

Milhões de bolas de fogo se desenvolvendo,
O que vemos são pontos de luz, pequenos,
Como reflexos solares nos espelhos,
E nós, somos guerreiros ou estamos em paz?
Essa é a nossa frieza de se sentir partindo,
Mas ainda não sabemos ao menos voar,
Como podemos ficar tais coisas pensando
Enquanto nem ao menos vamos imaginando.

Estamos mesmo no meio do nada, perdidos,
Sem a chave para a passagem ou o futuro,
Sempre esperando e devagar nos descobrindo,
É uma pena que nós não estaremos mais aqui
Para ver todo o mistério inteiro desvendar,
Mas com isso temos que nos conformar,
Não importa! Resta-nos apenas ficar esperando,
Talvez a alguns outros, ficar procurando.

Serão mesmo estrelas chamadas estrelas?
Como então será o nosso nome afinal?
Não sei! Ficamos apenas aqui devaneando,
Esperando que outros pensem assim, tão iguais
Mas a verdade é que nada sabemos,
A verdade é que, na realidade, nem queremos,
Pois o medo se sobrepõe ao desconhecido,
E então transformamos naquilo que temos.

Andrômeda será mesmo chamada assim?
E como todos eles nos chamam afinal?
Não somos nada, vendo por ângulo certo,
Apenas insetos vagando e chamando as coisas,
De tudo o que queremos, sem respeitar nada,
Apenas achando que somos donos de tudo,
Enquanto nós não temos posse alguma,
Já que amanhã mesmo, deixaremos o mundo.

(Augusto Fossatti)

sábado, 13 de abril de 2019

E se eu me apaixonar sempre que te ver?
Se eu procurar coisas doces
e ficar insatisfeita
porque nenhuma delas são os seus lábios?

Se eu perder a poesia das coisas?
Não mais vivenciar a poesia exalada
em um simples gesto seu?
Em suas não-palavras?
No vento batendo nas folhas das árvores
e a luz do pôr do sol cortando as frestas?
Nos passos de uma mulher?

O início serenamente cansativo.
Quando surgem brechas para ser patético
e sentimentalmente desequilibrado,
Tenho praticado.

É exaustivo não ter ao que se agarrar.
Nenhuma ideia clara,
nenhum sentimento
que eu tenha permissão de deixar viver.

Estou aqui...
respirando,
com o coração batendo.
Viva!
Viajando em mensagens descontextualizadas...
brisas de uma noite chuvosa de um dia qualquer,
e também de um domingo ensolarado,
na companhia de decepções
que me desestabilizam e tiram meu foco.

Em qual mito eu tenho que acreditar desta vez?
Tudo é mais uma razão
para que eu não saiba o que fazer.

Então você aparece camuflada em cada pensamento,
em tudo ao meu redor,
nos sons que ninguém mais escuta,
na letra que ninguém mais lê,
além de mim.
Quem poderia entender o valor disso,
exceto o sentimento estarrecido?
É mesmo verdade,
eu não sei o que fazer.

Eu queria apenas gostar de ti
sem me sentir tão solitária por isso.
Não sinto que esteja mais comigo
em nenhum sentido.
Eu que não sei perder,
perdi você.
Totalmente.

Percebo que ainda estou de luto.
Ainda choro
e fujo do que não posso fugir.
Acho que já basta.

Tudo pode estar soando da maneira que eu não quis dizer.
Eu só não sei como então eu poderia dizer.

Devo me libertar
de qualquer torrente que me leve a ti.
E tudo bem deixar partir...
contanto que saiba que
a tendência é exatamente esta.

Não posso te compartilhar
com o mal que tenho sentido...

E se eu desejar lhe escrever,
finja que não escrevi.
Até que eu possa não escrever.
Eu não quero mais escrever.

Janeiro de 2019,
Thais Poentes

quinta-feira, 11 de abril de 2019

Ora, que maravilha!
Mais uma vez todos sabem as respostas,
Pena que se soubessem de verdade
As dúvidas seriam solucionadas.

É um devaneio, uma luta!
Ninguém escuta o meu pedido de ajuda.
Ainda que digam que sabem sentir,
Sigo inclinado ao ceticismo cruel. 

São poucos os segundos de sorriso,
Minha alma assassinada pela "pathia".
O amor que tomou conta de meus olhos,
E que já não acha mais graça na vida.

Sou doente, sou solitário, congelado,
Um vampiro, sugando dos outros, sim,
Toda a felicidade que posso encontrar,
Nessa calamidade sem motivo ou razão.

Sinto-me violentado pelor romantismo,
Nunca desejei estes traços ilógicos,
Agora sofro uma divisão tenebrosa,
É o conflito das mentes modernas.

Sentir o que se sente e ser feliz,
Explorar os desejos até o último fio
Ou ignorar seu coração quebrado e tolo
Para viver uma vida sem graça, sem brio?

Este é meu dilema, minha rotina,
Queria eu poder solucioná-lo sozinho,
É uma pena que eu não tenha conseguido,
Pois agora vivo neste limbo, vil e oco.

(Augusto Fossatti)

terça-feira, 9 de abril de 2019

A cor forte, as pétalas voando,
O vento violento as jogando para o lado,
O cheiro sólido de cada flor sozinha,
E os espinhos fazendo a segurança.
É como imaginar milhões de papéis
Rosados, pela mata espalhados,
Como em origamis bem estruturados,
Lançados no ar ao mesmo tempo,
Parecido com um ano novo colossal,
Fogos de artifício cor de escarlate,
Mas estes não podem ir queimando,
Neles você pode até mesmo deitar,
Relaxar, se jogar, rolar, ficar pulando,
Apesar de que é gostoso só olhar
E perceber o que te rodeia de verdade,
Parece uma cidade de boas ilusões,
Mas está diante dos seus olhos atentos,
Refletindo alguns raios solares únicos,
Mesmo que foscas elas tem poder,
É uma arte incrível, uma elevação,
Um desenho programado e testado,
Instigante para toda e qualquer visão,
O horizonte é coberto e colorido,
Verde, rosa, vermelho distorcido,
Agora já não há mais volta visível,
Parece um deserto bem imprevisível,
Não vejo fontes, nem uma praia,
Apenas este vasto campo florido,
É difícil não achar tão surpreendente,
Não prosseguir andando sem descanso,
Mas eu fico neste centro absoluto
E me deito sem vergonha do perigo,
Corto-me com essas coisas afiadas,
Nunca quis lhes fazer algum mal,
É a defesa programada e instalada,
De forma bela intuitiva e natural,
É adorável poder sentir-se tão sozinho
Neste imenso e interminável pantanal.

(Augusto Fossatti)

quinta-feira, 4 de abril de 2019

Se este tempo pudesse ser banhado,
Ó, polímata dos polímatas, por ti,
Por sua capacidade de ver o real,
Por seus ideais magníficos da vida,
Não seriamos assim tão miseráveis.

Mestre de todo verdadeiro artista,
Que aprende errando e refazendo,
Experimentando sem medo irracional.
Iletrado, porém sábio dos sábios,
Pai dos primeiros cientistas verós.

Nas pessoas a profundidade do todo,
O conflito dos sentimentos loucos,
Nas paisagens o conhecimento puro,
De cada detalhe, de cada grão sujo,
E na metafísica o mundo paradoxal.

Ó, grande mestre dos mestres; rezo!
Não há como não beijar os teus pés,
Não há como não carregar a tua capa,
Abriremos passagem e será louvado,
Como quem sabia o verdadeiro valor.

Na curiosidade de cada vil detalhe,
Ensinando-nos a questionar o todo,
A aprender pela experiência, assim,
Sem verdades absolutas irrefutáveis,
Tudo deve ser analisado, de fato.

Nas Madonas ou na Lisa Gherardini,
Nos projetos inacabados, tão belos,
Na guerra, no catálogo de medicina,
Em cada canto, traço de genialidade,
Mas não inata, daquela conquistada.

Se em sua época pudessem perceber,
Se não fizessem seu amor proibido,
Quão mais feliz teria sido, Mestre?
Filho de Caterina, homem bastardo,
Maior que toda nobreza de sangue.

Verdadeiro filósofo, grande sábio,
Verdadeiro artista; revolucionário,
Verdadeiro cientista; primogênito,
Homem completo, animado, cavaleiro,
Um só corpo; um universo inteiro.

(Augusto Fossatti)