Tordos Azuis

Levados Pela Poesia

terça-feira, 16 de julho de 2019

Como no meio do precipício,
Ninguém vai me acompanhar,
É uma loucura estratosférica,
Sem a chance de mudança,
Sem a inocência da criança,
Sem o tempo de me festejar.

Caraminholas na cabeça, há,
O vício de desestruturar, ah,
Esse há, mas na mudança,
O sentido de toda a esperança,
O doce sonho da boa vingança,
Há, e a justiça sempre tardará,
Aí está, vil e banal contradição.

Um homem moderno de terno,
O mundo cercado de inferno,
As ruas vibrando suas cordas,
As musas cintilando sinuosas,
E ninguém encontra o pensar,
A liberdade acabou de morrer,
Mas a verdade acabou de matar.

Só, neste mundo tão cheio,
Nego a companhia sã, pois fujo,
Como corro para te alcançar,
É inútil e rancoroso, sombrio,
Vazio e sem rastro da sorte,
Caminho sem medo da morte,
Caio fundo no mar dos venenos,
Será que alguém vai escutar?!
Sábio e impaciente desespero,
Vou em frente, sem mais falar.

(Augusto Fossatti)

segunda-feira, 1 de julho de 2019

Janeiro infinito,
Janeiro que não acaba,
Junto ao desenlaço que embargo,
Desvincular-te de mim
Tem sido lento e esquisito,
Uma parte saindo assim,
Tirando do calçado o cadarço.
Um fantasma com teu rosto encravado;
Metade dentro, metade ao meu lado;
Tão ligado, tão fora...
Aos poucos deixo de sentir sua aura.
Tão logo foi embora,
E não soube abandonar.

O que poderia pensar
Os pensamentos agora invertidos?
Fez-me bastante só,
Como o sonho esquecido.

O que sentir
Os sentimentos vencidos?
Trouxe um calo silencioso.

Sou um ser ocioso,
Procurando fazer tudo
E não fazendo nada,
Desânimo mudo,
Desnutrição calada.

Com o que me preocupar?
As rimas eu jogo fora,
Juntamente à esperança torta.

Eu que não tinha noção,
Jurei ser aquela a porta
Que traria a melhor emoção,
Entrei sem nenhum culhão,
Levei o furacão,
Defini indecisão.

Procurei redenção para a tentação,
Desejei escapar da maldição,
Maldita seja,
Que eu estou amaldiçoada.
Piada o que tem feito de mim.

Sei que não te sentes mais bem assim.

E o que poderias cometer?
Além de tentar transformar em beleza
A embriaguez que levou ao tormento.
Mas que coisa bela de se crer!
Vamos construir a fortaleza,
Pega aí o teu cimento.

Estou febril e calorenta.

Pode ter sido coincidência
Eu ter ido nessa correnteza,
Sem nenhuma estranheza que orienta
Ao fim dessa contingência.
Meu espetáculo insosso,
Sentes em vosso osso?
Esse esboço natural
Retrata a história real,
Minha alegoria,
Que lhe eletrocutaria.

É confuso quando digo
Que pode ser irracional
Tudo o que foi expressado,
Porém, ao menos, algo eu afirmo:
Não foi vazia a saudade,
Bateu forte em minha idade,
Por um momento foi alismo.

Que porcaria estou falando?
Já estou delirando?
Está simples demais?
Não, é multiforme e excessivo.

Este idealizado resultado de dânais
Tem sido abusivo.

Absolva-me por ignorar
O que não posso desatentar.
Vê?! Devo rejeitar.

Essa noite eu sonhei que por ti fui condenada
Pelo crime de te deixar abandonada,
Não ter lhe respondido mais absolutamente nada.

Estou sentada, esperando
Pelo desfecho deste novo ano.

Deitada, agonizando.
Meu desassossego.
Tem sido assim, desviando
Do meu apego.

Procurei pelo o que atenua.
Sabe do pneu na rua?
Não havia o notado,
Então veio o baralhamento
E tudo ficou mais claro.

Pensei que já havia aceitado,
Não se resume em tormento,
Mas o preço tem sido caro.

Janeiro de 2019,
Thais Poentes

sábado, 29 de junho de 2019

Na corrente de meus truques,
Sempre controlei mil mentes,
Enganei todos de forma veloz,
Mesmo os mais inteligentes.

Se fui de fato muito errado,
Não sei dizer bem exatamente,
Só posso dizer que eu sofri
Com as mentiras, atualmente.

Pois a morte é o nosso medo,
E jamais prontos estaremos,
Ainda mais quando acontece
Com quem nós tanto queremos.

Eu amava extraordinariamente,
Não tinha receios deste final,
Mas é assim que é encarado,
Estamos fadados, reino animal.

E ainda que eu usasse truques,
Ela jamais poderia retornar,
Pois o outro plano não permite,
Podermos novamente nos amar.

Agora não sei o que faço,
Tenho apenas alguma opção,
Que não é tão alegremente,
Alguma tentativa de diversão.

O meu mundo está desarrumado,
Sem sentido ou algum motivo,
Por isto eu sigo sem um medo,
Sem nenhum mais incentivo.

E atordoado escrevo a carta,
Despedindo-me deste insano,
Vou partindo deste mundo,
Conquistando o outro plano.

Assim poderei me revitalizar,
E minha amada eterna encontrar,
Pois não posso viver assim,
Juntarei-me a ela no belo jardim.

E assim talvez eu me lembre,
De como era aquele passado,
Tão perfeito e extraordinário,
Até pela morte ser assombrado.

E me demito desta história,
Deixo com honra tais memórias,
Levo comigo tudo o que devo,
E contigo deixo este apelo.

(Augusto Fossatti)

quinta-feira, 27 de junho de 2019

Solidifico-me nessa inconstância,
Piada pronta,
Chego no fim.
Perco-me em voltar no tempo,
Lida e repetidamente,
Em frente,
Estranhamente inconsciente
de mim.

O tempo é algoz de todo o medo,
Mas o desespero é assim:
Fere os sentidos desavisados,
Desestruturados,
Indecentes,
E a mente,
Descontente consigo e descrente,
Segue só na catástrofe,
É inevitável.

Sentiu?! O choque das nuanças,
Da espada e da lança,
Lanço-te
O desafio da agonia vibrante,
Ao som desconcertante e senil.
Preso nessa jaula oca,
Cheia demais para ser louca,
Como cão encubado em canil.

A corrente flui incansavelmente,
Paradoxal e delirante.
E como rio, ele tanto riu, ouviu?!
Metamorfose calorosa,
Nauseante.
Pergunte então ao sábio falante,
Estar cercado de pessoas
Significa estar menos distante?!

Agora vou caindo, sem freio.
Tento me agarrar, mas erro.
Quero voltar...
Minha âncora?!
A fresta seca do alpinista tolo,
Em uma trilha errada,
Sem retorno.
É o frio no estômago, salve-me,
Ou me seguro, ou pulo do morro.
Morro?! Talvez...
Alcance-me,
Socorro.

(Augusto Fossatti)

segunda-feira, 24 de junho de 2019

Vê-se o perigo perto ou longínquo,
Não importa, pois só pensa em viver,
Continuar fazendo tudo o que faz
E fazer tudo aquilo que ainda irá fazer.

Quando tudo começa, quer que acabe,
Há arrepio, e a pele começa tremer,
Quer algo, mas ninguém pede a morte,
Quando está lá, pronto para morrer.

Instintos e origens voltam a aparecer,
Seus medos surgem e seu caráter muda,
Dificilmente seus ideais irão sobreviver,
Precisa se prender a algo que não iluda.

Toda a sua volta se torna um cativeiro,
É difícil ver além da futura miragem,
Não há forma de usar o conhecimento,
É necessário usar toda a sua coragem.

E como a natureza reflete este impasse?
Não ajuda, não observa e não vai agir,
Ela é traiçoeira, não quer intrometer,
Mas deixa o vilão quase sempre coagir.

O coração bate forte de forma imbecil,
Atrapalha qualquer forma de raciocínio,
Não sabe mais como poderá se mover,
Atrapalha o plano de contradomínio.

Mas tudo irá depender da comparação,
Sua mente viaja procurando modelos,
É como um prisma que reflete a loucura,
Batendo e voltando em todos espelhos.

Aparecem nas horas mais envolventes,
Outras vezes em momentos contentes,
De vez em quando em horários quentes,
Alguns tristes, porém outros sorridentes.

Infelizmente não há como se livrar,
Este ácido corrói toda sua liberdade,
Mas não há culpa de uma perturbação,
Só é ruim quando não há veracidade.

Um surto e... tudo mesmo pode acontecer,
Um super-herói ou um vilão inteligente,
Suas fraquezas sumindo em um instante,
E as forças deixando um ser experiente.

As drogas causam efeitos parecidos,
Revivem todos os poderes esquecidos,
Mas não pode ser assim tão natural,
Dominam as almas dos pobres perdidos.

(Augusto Fossatti)

sábado, 22 de junho de 2019

Estou confusa por estar
Como estou.
Não saberia explicar...
Diferente? Atraente?
Definitivamente,
Não estou doente.

Mas estando como estou
Seguindo esta vida,
O caminho se torna mais complicado
E solitário.

Mudar então?
Falha.
Está escrito no código
Da aplicação
Da minha emoção.

Perdida?
Como pode?!
Está tão comprovado,
A fase é “enquanto durar”,
Durar meu ser,
Meu estar.

Estar tranquila
Com os pensamentos
Que não posso evitar.

Estou,
Assim como tudo está.

Estarei bem com isto,
E assim terão eles de estar,
Porque o que importa
É o que dou importância.

Não, não há arrependimento.

2012,
Thais Poentes

quarta-feira, 8 de maio de 2019

Achei-me outra vez,
não estou mais perdido,
a bússola que estava quebrada,
consertei...

Se eu já disse isso antes,
Jamais estive tão convicto,
pois nunca tinha percebido,
a extensão de meu poder.

Poderia conquistar o mundo,
abrir mares, o sol parar,
mas prefiro ficar no quarto,
isolado para estudar.

(Augusto Fossatti)