Tordos Azuis

Levados Pela Poesia


DESTAQUES


sexta-feira, 26 de março de 2021

Entre um pensamento e outro,

Ela sempre volta.

É improvável o estado neutro,

O que me revolta,

 

Pois das tuas belas garras sou presa.

Para minha surpresa, ela me tem.

Então, em minha singela autodefesa,

Não evito o pensamento que advém.

 

Nos apaixonamos em maio,

Essa é minha anotação.

 

Olá, hoje! Um simples ensaio,

A saudação da nossa canção.

 

Deitadas e acordadas ao amanhecer,

Quero ficar assim até um novo anoitecer,

Vejo-me pelo reflexo do seu olhar,

Palavras são pobres para detalhar.

É tão sereno nosso momento,

Porém, ao seu lado,

Meu sangue fica borbulhento

E meu coração algemado.


Junho – Outubro de 2020,

Thais Poentes

quarta-feira, 10 de março de 2021



Minhas palavras, 
Tais quais tanto pronuncio em busca
de atingir algum ouvinte, 
Como quem conserta um rádio e chama: 
"Alguém na escuta?", "alguém na escuta?",
Não chegam aos ouvidos de ninguém, 
Porque a língua que falo é uma língua morta, 
E minha voz, rouca, gera apenas uma fala muda. 

Perdi a vontade de expressar, 
Cansei de choramingar atenção lá do fundo, 
Do mundo, nada mais me importa, 
Da porta de casa para fora é só obrigação.  

Não há ninguém na escuta, 
Meus gritos são ondas sonoras no deserto, 
Essas que dissipam-se do nada para o nada, 

Sinto que falo com plantas selvagens
toda vez que abro a minha boca, 

E sinto que todos os outros sentem o mesmo...
Sempre que falam comigo.
E como sempre, estou perdido, 
Suspeitando muito de quem não sente o mesmo. 

- Augusto Fossatti 

segunda-feira, 25 de janeiro de 2021


O tempo flui, 

As palavras caem: 

Como em uma cachoeira de pensamentos, 

Às vezes atentos, às vezes extensos, 

Porque é isso o que um poeta faz. 


Nas lembranças e nas esperanças, 

Durante sofrimentos ou bons momentos, 

Voando sutilmente por espaços tênues,

Entre as linhas da razão e dos sentimentos. 


Somos assim… um tanto desiludidos, 

Um tanto sensíveis e um tanto violentos, 

O paradoxo vibra em nossos corações,

Pois os olhos enxergam o fluxo dos ventos.


Tordos, cantando suas contradições, 

Orgulhosos de enxergarem além do tempo, 

Porque é isso o que um poeta faz, 

Paralisa em palavras a flor do movimento. 


(Augusto Fossatti)

sábado, 2 de janeiro de 2021

Responda-me…

Por que é que sinto assim?

Por que meus desejos são vis,

Se meu raciocínio é tão puro?

 

Discorra-me, demonstre-me,

Quem sou eu? Se não, a insatisfação?

 

Por que não creio em nada,

Se gostaria de ser tanto, de ser tudo?

Por que desleixo do mundo,

Se dele não quero me preencher,

Ao mesmo tempo que odeio o vazio?

 

Quem eu me tornei,

Dentro de uma possibilidade estranha,

Desde quando era um menino,

Sorrindo para o sorriso …

Da primeira menina que conheci?

 

Por que não encontro motivo,

Sofrendo nas entrelinhas,

Enquanto tento alcançar a alegria,

Para manter-me constante… e são?

 

Será que em algum mundo,

Tudo isso faria sentido?

Lamentar a década que se completa,

Desde a última vez que te vi?

 

Poderei um dia resolver o dilema,

Que diante de tantos anos,

Após a leitura de tantos livros,

O desenrolar de tantos raciocínios,

Eu ainda não resolvi?

 

A perdição espera o poeta perdido,

Esquecido, pisoteado, arrefecido,

Jamais querido, amado ou desejado,

Como consegue amar, desejar e querer.

 

Discorra-me, demonstre-me,

Quem sou eu? Se não, a inquietação?

A fúria que me persegue,

Os demônios em minhas memórias,

Uma vez ou outra eu gostaria de paz,

Será que o Universo poderia entender?

 

Não… o Universo não liga,

Porque somos os únicos que podem...

Pensar…

 

Nosso triunfo, nossa maldição!!


(Augusto Fossatti)

domingo, 13 de dezembro de 2020

Este texto é um acróstico.

Minha luz! Doce senhorita, hoje lhe escrevo.

Atendendo meu desejo, encontrei o meu trevo.

Resta para nós o paraíso,

Garantia do nosso improviso.

Antes eu nada tinha, não sabia que vinha.

Receba meu amor, não está mais sozinha.

Exceto seu abandono, eu nada temo.         

Tenha em mente que sou sua ao extremo,

Há em mim seu domínio supremo.


Agosto de 2020,

Thais Poentes

terça-feira, 6 de outubro de 2020

Águas escoradas

Percorrem a estrada perfurada

Sob luzes douradas

E os pingos são a dança formada.

 

Minha visão está obscurecida,

Mas minha mente está clareada.

 

Apenas um ponto

Vazio e solitário

Em meio ao nada

Ou então 

Um coadjuvante

Que não se torna nada,

Ao menos um nada...


Dezembro de 2019,

Thais Poentes

quarta-feira, 23 de setembro de 2020

 

Levanta do banco, 

Segura no apoio do ônibus, 

Joga todo o cabelo para o lado direito, 

Ajeita o cabelo do lado esquerdo,

Puxa a calça para cima, alonga-se, 

Ajeita a barra na perna direita, 

Ajeita a barra da perna esquerda, 

Ajeita o cabelo do lado direito, 

Ajeita o cabelo do lado esquerdo, 

Empurra a mochila para cima, 

Puxa a calça no lado direito, 

Puxa a calça no lado esquerdo, 

Puxa as laterais da jaqueta para frente, 

Coloca alguns fios de cabelo por trás da orelha, 

Ajeita a barra da perna direita, 

Ajeita a barra da perna esquerda, 

Desce as escadas, adeus.


(Augusto Fossatti)