Tordos Azuis

Levados Pela Poesia


DESTAQUES


segunda-feira, 25 de janeiro de 2021


O tempo flui, 

As palavras caem: 

Como em uma cachoeira de pensamentos, 

Às vezes atentos, às vezes extensos, 

Porque é isso o que um poeta faz. 


Nas lembranças e nas esperanças, 

Durante sofrimentos ou bons momentos, 

Voando sutilmente por espaços tênues,

Entre as linhas da razão e dos sentimentos. 


Somos assim… um tanto desiludidos, 

Um tanto sensíveis e um tanto violentos, 

O paradoxo vibra em nossos corações,

Pois os olhos enxergam o fluxo dos ventos.


Tordos, cantando suas contradições, 

Orgulhosos de enxergarem além do tempo, 

Porque é isso o que um poeta faz, 

Paralisa em palavras a flor do movimento. 


(Augusto Fossatti)

sábado, 2 de janeiro de 2021

Responda-me…

Por que é que sinto assim?

Por que meus desejos são vis,

Se meu raciocínio é tão puro?

 

Discorra-me, demonstre-me,

Quem sou eu? Se não, a insatisfação?

 

Por que não creio em nada,

Se gostaria de ser tanto, de ser tudo?

Por que desleixo do mundo,

Se dele não quero me preencher,

Ao mesmo tempo que odeio o vazio?

 

Quem eu me tornei,

Dentro de uma possibilidade estranha,

Desde quando era um menino,

Sorrindo para o sorriso …

Da primeira menina que conheci?

 

Por que não encontro motivo,

Sofrendo nas entrelinhas,

Enquanto tento alcançar a alegria,

Para manter-me constante… e são?

 

Será que em algum mundo,

Tudo isso faria sentido?

Lamentar a década que se completa,

Desde a última vez que te vi?

 

Poderei um dia resolver o dilema,

Que diante de tantos anos,

Após a leitura de tantos livros,

O desenrolar de tantos raciocínios,

Eu ainda não resolvi?

 

A perdição espera o poeta perdido,

Esquecido, pisoteado, arrefecido,

Jamais querido, amado ou desejado,

Como consegue amar, desejar e querer.

 

Discorra-me, demonstre-me,

Quem sou eu? Se não, a inquietação?

A fúria que me persegue,

Os demônios em minhas memórias,

Uma vez ou outra eu gostaria de paz,

Será que o Universo poderia entender?

 

Não… o Universo não liga,

Porque somos os únicos que podem...

Pensar…

 

Nosso triunfo, nossa maldição!!


(Augusto Fossatti)

domingo, 13 de dezembro de 2020

Este texto é um acróstico.

Minha luz! Doce senhorita, hoje lhe escrevo.

Atendendo meu desejo, encontrei o meu trevo.

Resta para nós o paraíso,

Garantia do nosso improviso.

Antes eu nada tinha, não sabia que vinha.

Receba meu amor, não está mais sozinha.

Exceto seu abandono, eu nada temo.         

Tenha em mente que sou sua ao extremo,

Há em mim seu domínio supremo.


Agosto de 2020,

Thais Poentes

terça-feira, 6 de outubro de 2020

Águas escoradas

Percorrem a estrada perfurada

Sob luzes douradas

E os pingos são a dança formada.

 

Minha visão está obscurecida,

Mas minha mente está clareada.

 

Apenas um ponto

Vazio e solitário

Em meio ao nada

Ou então 

Um coadjuvante

Que não se torna nada,

Ao menos um nada...


Dezembro de 2019,

Thais Poentes

quarta-feira, 23 de setembro de 2020

 

Levanta do banco, 

Segura no apoio do ônibus, 

Joga todo o cabelo para o lado direito, 

Ajeita o cabelo do lado esquerdo,

Puxa a calça para cima, alonga-se, 

Ajeita a barra na perna direita, 

Ajeita a barra da perna esquerda, 

Ajeita o cabelo do lado direito, 

Ajeita o cabelo do lado esquerdo, 

Empurra a mochila para cima, 

Puxa a calça no lado direito, 

Puxa a calça no lado esquerdo, 

Puxa as laterais da jaqueta para frente, 

Coloca alguns fios de cabelo por trás da orelha, 

Ajeita a barra da perna direita, 

Ajeita a barra da perna esquerda, 

Desce as escadas, adeus.


(Augusto Fossatti)

sábado, 19 de setembro de 2020

Desfaço-me em minhas mãos,

e minha voz engasgada.

 

Aperto minha pele,

apertando o nada.

 

O alvo que sou,

e isto é tudo?!

 

Não me basto,

por que tão útil?!

 

Na escuridão que habito

nenhuma luz pode penetrar.

 

Esse ressentimento que se alastra 

como um câncer.

 

Se meu corpo não confiar em mim,

o Menosprezo irá?

 

Então me destrua por completa

e salve minha vida!


Junho de 2020,

Thais Poentes

segunda-feira, 24 de agosto de 2020

Sinuosa, se balança pelo ar,
Joga-se, se movimenta,
Pelas cordas desliza
E a atenção de todos orienta.

De ponta cabeça agora está.
Um olhar e um sorriso me é lançado,
Vejo-me em seu enlaço.

Algo positivo me invade,
Estou sob sua mira.
Seu grupo se aproxima,
Oscilações insinua.

E que dócil expressão!
Uma jovem garota,
Firme no chão,
Vem em minha direção.

Indiquei o lugar,
Breve lá ela está,
Agora nos embalamos,
É o melhor dos sonhos!

Passa o tempo,
Ela precisa se remodelar,
Pede-me para esperar...

Maldito contratempo!

Por outros sou levada para fora,
Eu não queria ir embora,
E não tive coragem para outra opção.
Adeus, bailarina! Beijaria a sua mão.

Setembro de 2019,
Thais Poentes