Levados Pela Poesia

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Certo ou errado,
A vida machuca.
O verdadeiro caminho?
Lá em algum ninho
Que bifurca.
Sofro a mão que me guia,
Ao horizonte iria,
Em meu tempo
Sonolento,
Indefinido,
Tão bonito!
Atrasada?!
Qual a hora exata?
Não sou acrobata,
Nem burocrata.
Veja minha fragata:
Nada pirata,
Totalmente nata,
Longe de teocrata,
A mais bela sonata,
Não a tua sucata!

Abril de 2012,
Thais Poentes

domingo, 9 de setembro de 2018

Ela vem com o vapor do dia chuvoso,
local fechado,
escorrega entre os meus dedos,
firmeza desvalorizada,
descartada e horrorizada.

Uma fantasia,
a realidade as esmaga,
esfrega os cactos em sua face,
alma dilacerada,
o sangue pinta sua nova jornada.

A ilha isolada o sol não alcança,
a neblina te agarra
e o canto te esmaga,
longínqua a esperança.

Na correnteza está meu começo,
ela conduzirá tudo pelo avesso,
desejo travesso,
a ponte atravesso:
do outro lado um lampejo,
belo brilho escaldante.

Os pingos vêm para secar,
nenhuma lágrima a derramar.
Não lamento nada,
foi minha alvorada.

O rio flui sobre ti,
algo que não pude sorrir;
a pedra mais nobre
adormece sem cobre.

Olá, gafanhoto!
Como estás nesta madrugada?
A jangada foi tua última morada?
Meu pensamento mais torto!

Aceitaria o valor verdadeiro,
estaria morrendo pelo celeiro;
poema saturnino,
se alguma poesia parecer ilegível,
vê meu gesto vespertino,
esquece os paladinos,
o sumo sacerdote,
o monge e o beneditino.

Flecha inteligível,
sabor agridoce,
a afeição
para ser despedaçada
como a folha de Outono.

O sono não cessa,
No meu cabelo a mão se enlaça.
Se eu cair na água
não afundo,
meu corpo é mais leve
que bolso de vagabundo;
carcaça vazia
de abacate;
mente doentia,
a pluma de uma miragem.

Soletra o meu nome,
está errado!
Ser esquizofrênico,
maldito alucinado!

Corre para o quarto escuro,
salão de dança 
das criaturas escamosas,
o uivo de gaivota,
meu pântano.

Com a perspectiva corrompida 
veio o cuidado descabido
em um pátio iluminado 
onde se deitam almas opacas.

O endosso rejeitado
segue firme em minhas veias
como um pássaro alado
que assovia preso em teias.

Saída de emergência 
dos trilhos arrebentados,
o gás que explode 
sem nenhum agrado.

É tão mais fácil não comparecer,
abandonar tudo,
deixar desvanecer.
Que se exploda o mundo 
comigo junto!

Vidro empoeirado 
embaçado pelo tal vapor,
dedo sujo que nele encostou,
umedecido pelo terror.

Trago resguardado,
gole amaldiçoado,
a Augusta
e os espasmos.

Paraíso ensolarado 
longe do meu lado,
nada está claro
para os olhos claros;
multidão que se aproxima, 
injustiça é sina!

Cinquenta por mil,
É a oferta para que se enxergue
dentro de um barril,
sem pano, nada alegre.

Abraça as nuvens
e senta no horizonte,
não tem nenhum rinoceronte
apenas um bando de jovens.

Conhece a vida?
As doenças mórbidas,
as balas perdidas.

A Ira funciona mais perfeita que o círculo
social, fatal e radical, escombro de animal,
estorvo mental.

Anel giratório 
atacado ao solo,
berro d'água,
bolhas na superfície.

Nenhuma peça silenciosa,
morte lenta e dolorosa,
olha a cidade pela janela,
os elásticos nas árvores,
que eles te direcionem para a Ópera de Origami,
que se amasse a Arte!

O sal não convence,
me perco em meio a tanta gente,
seres indolentes,
lavem-se com detergente,
ao ralo o odor inconsequente,
o que restou de inocente.

Calor sem igual
em minha cidade natal
abafado está o meu astral,
desgosto comunal.

Sobre a grama poderia repousar,
beber um refluxo,
virar um navio
e naufragar
no mar Ícaro,
e no desespero boiar.

Agosto de 2018,
Thais Poentes

sábado, 8 de setembro de 2018

Ele me direcionou,
Disse que a Mudança o enviou,
Seria o antagonismo descoberto,
O símbolo do deserto.

“Encontre-me lá”,
“Onde?”, esqueci de questionar,
Então, em qual lugar?

Palavras modificadoras,
O anjo, as metralhadoras,
Tudo sob minha visão.

O motivo da complexidade mental
Que me levou a me desconhecer,
O que sou? Um adjacente.

O outro lado
É a melhor parte
De mim?

2012,
Thais Poentes
O medo pelo desconhecido tem me consumido,
A indecisão de Libra em Marte, os conflitos,
Falta de definição, o verdadeiro tormento,
Perdição de estar vencida,
Mas quem eu quero desta maldita vida?!
É certo o desejo?
Ou seria um simples lampejo?
Captura de um esquecido lamento.

Março de 2013,
Thais Poentes

domingo, 26 de agosto de 2018

Acalme-se, suspire, respire!
Apaixonei-me facilmente pela magia de suas palavras efêmeras,
Pelo movimento veloz de seus olhos, de seus lábios tagarelas.
Ora, não há maldade alguma em algum encanto sincero. 

Certas vezes,raras vezes,  tenho essas paixões por uma essência,
Não é paixão romântica, é paixão pelo espectro vivo em imanência, 
Jamais te diria, apesar de já estar dizendo, porque você jamais entenderia,
Mas por cinco minutos você foi a razão de minha existência. 

- Augusto Fossatti 


quarta-feira, 15 de agosto de 2018

se você percebesse os traços
de seu rosto em contraste 
com seus fios de cabelo

saberia quão bela és 
em todos os aspectos possíveis 
da vida e da existência 

sem nem questionar 
a possibilidade de não ser a 
mais atraente de todas as ninfas

a mais provocante das joias 
como as esmeraldas que brilham 
diante das pedras ásperas
que circulam o seu perímetro

querido anjo meu 
que me devasta e me prende 
sem dar espaço para a respiração 

se você percebesse seu poder
jamais seria tão insegura
nem jamais questionaria tamanho 
charme que me convence a viver

é a razão de minha existência 
do meu passado e do futuro 
e de tudo o que quero fazer

(Augusto Fossatti)  


quarta-feira, 25 de julho de 2018

Escrever, como qualquer arte,
É sentir além de uma realidade objetiva.
É um mar de desejos e emoções 
Que se misturam com harmonia ou dissonância. 
É ser todos aqueles que já foram,
E estar com aqueles que aqui se encontram. 

Deixa de ser matéria e torna-se essência viva. 
Não se escreve, apenas deixa-se escrever, 
Dando toda liberdade ao fluir do pensamento. 

Se vale de alguma coisa, já não sei dizer, 
Apenas sei que essa vontade é difícil de conter.
Quando bate a paixão ou a desilusão, 
É quase impossível os deixar no coração, 
Por isso o escrever existe; é puro e expressão. 

(Augusto Fossatti) 





terça-feira, 24 de julho de 2018

Não sei porque,
Você nunca chamou a minha atenção,
Não desse jeito.

Tem algo estranho sobre ti,
Somente nesses dias,
Mas eu não sei como explicar.

Tudo em ti queima,
Reluz como um diamante lapidado,
Exalando toda essa feminilidade.

É a redondeza de seu rosto,
Esse sorriso translúcido,
Inexplicavelmente jovial.

É tão estranho e sem sentido,
Soa até grotesco,
Esse fulgor e essa refrega.

Quem sou eu?
Quem é você?

Seu corpo é todo imperfeito,
Mas eu não mudaria nada,
Absolutamente nada.

Isso não é paixão alguma, por favor,
Só é algo mais profundo,
Como a contemplação do infinito.

Não! Não existe mal algum,
Mal algum há em meu olhar,
Mas apenas o deleite da sua existência.

Obra de arte,
Obra prima da natureza,
Do confuso e sinuoso universo.

(Augusto Fossatti)

quinta-feira, 5 de julho de 2018

Presa em minha mente
Começo a desvairar,
A luz obscura
Passa a me sufocar.

Olhos fechados doloridos,
O espirro da meia-noite
Em meu ouvido,
O riso só é esquecido, vem
A eclosão do cérebro derretido,
Em minhas unhas arrancadas
O ardor comprometido.

Os cabelos da paisagem caem
Em minhas horas perdidas,
Prisioneira do fio da parede,
Presa em minha mente.

Julho de 2018,
Thais Poentes

domingo, 24 de junho de 2018

Ler-te e te sentir
É o mesmo que querer não existir.

Pensar em ti
Entristece-me a alma,
Como uma alvorada
Infinita
Prestes a se acabar,
Que finda minha estima,
Ao mesmo tempo que
Eleva-a.

Não me entenda mal,
Mas também não o faça bem.
Sabe de minhas ociosas intenções do abolim,
Embora desconheça meu acordeom.

Decepciona-me,
Assim como o fiz,
Para ti, para mim...
Somos semelhantes
Em nossas falhas.

Não te envolvo sequer em planos banais,
Porém tua imagem se faz presente
Nos pensamentos mais abissais.

Não, não posso aceitar suas palavras...
Não mais.
Despreze as minhas, é o que te peço.
Siga em frente, esqueça esse nosso resto.

Março de 2016,
Thais Poentes
“Amo-te”, escreveu para mim.
Um grande impacto,
Tocou-me quando vi.
Palavras intensas,
Com a mesma profundidade
Da dúvida que carregam consigo.

Reli, “Amo-te”,
E sorri.
Imobilizada,
Quero saber,
Como?
E por quê?

“Amo-te”.
Receio um movimento,
Um suspiro.
Acho que a quero...

Consumo meu pranto,
Nunca tive escolha.
Ela assume o controle.

Embarco em um mundo
Onde ela está,
Meu coração implora
E pergunta
“Por que não?!”.

“Amo-te”.
Amo-te...

Março de 2013,
Thais Poente
Tentada, tento cada tentativa,
Questiono minha capacidade,
Minha lucidez e relação com a vida.

Como ajeitar algo
Que desajeito constantemente?

Perdida estou,
Nos meus sonhos mergulho,
Foi o que restou
Para me ajudar.

Tenho pressa
E necessidades.
Estou reprimida,
Exijo liberdade!

Acharei no tempo
A demorada
Paz?

2012,
Thais Poentes
Se eu ver o que mais temo,
Se já vi e não sei...
Se me importa?!

Poderia eu dizer coisas
Para a pessoa cobiçada,
Porém, com a falta de coragem,
Não digo nada.

2012,
Thais Poentes
Agora eu sei o que fiz,
Eu realmente vejo:
Fiz nada,
Fazendo tudo.
Só não entendo...
Fiz tudo,
Fazendo nada.

2012,
Thais Poentes
 Este é um relato de um sonho de 2013.
Parte I

Ah, do meu tronco ele é o condutor,
Deixou vestígios e o contraste estava em mim,
Para que eu pudesse aceitar o credo sedutor,

Sento-me defronte ao seu cavalo,
Penso que não passo de capim,
Seu olhar muda em um estalo,

Em minha mente o som do clarim,
Surpreendente primária possessão,
Sua energia tem forte radiação,
Diz um nome, não o de seu manequim.

Flutuo pelo toque de seu condão,
O exibicionismo eu conhecia,
Ele quer o alarma e se silencia,
Sem contusão, tenho a dejeção.

Parte II

Na rua sombria caminhamos,
Eu e o companheiro germano (com arbítrio),
A garota displicente avistamos,
O que fez, desumano, absorveu ítrio,
Martírio insano, observamos,
Transformou-se em um rio.

Como contemplar a aflição de seu ato?
Dei as costas à cena horrenda,
Para meus olhos, foi acetato,
Porém, em minha última adenda,
Vejo a garota, terrivelmente,
Dilacerada inteiramente.

Sua desgraça derretida em meus passos,
Na subida, estou nauseada e afastada,
Onde ele está? Lidando com os fracassos.
Concluo: “Não podemos fazer nada”.
Impaciente, me ignora,
Eu, sozinha, vou embora.

Parte III

Subo a via medonha, ainda atônita,
E por que lá eu estava?

Volto à antiga vida, sem mônita,
Na vítima minha faca crava.

A mudança descuidada, tão imprudente,
Trouxe inconsistência para meu presente.

Dada minha incorreção,
Deixo para traz o sangue escorrendo,

Despercebida, sem apreensão,
Nenhum temor, e sem instruendo.

Vou ao julgamento de Ninguém,
Logo passarei a ser o Alguém.

O companheiro germano ali localizado,
É amante da supremacia, quer o adequado.

O último padecente não foi o primeiro,
Pelas crianças inocentes, as mães rugiam.

À minha esperava havia até arqueiro,
Por vingança, ao vale da morte iriam.

Entenda, não fui seletiva,
A restrição não me cabia!

A mais sincera comitiva.
Minha declaração era fobia,

Encerrado o murmúrio,
Ele passa a me encarar,

Reconhece o perjúrio.
Quero estar em outro lugar.

Parte IV

Do lado de fora estou,
Ele me denunciou.
Apresso o passo,
Fui cercada naquele espaço.

Corro, tida como insana,
Rapidamente,
Há tanta gente,
Ultores à paisana,

Para aonde se deslocar?
Deles começo a desviar.
Percebo que não me apanham,
Apenas me encurralam,

Inusitada situação.
Ela se achega, é uma epopeia,
A mais bela canção.
Foco nela e esqueço a assembleia.

Tem-me em um enlace,
Não capto o conforto,
O pasmo em minha face,
O agrupamento absorto.

Aparto-me dela,
Seu comportamento foi inusual,
Deserto a moça bela
E também a multidão parcial.

Tive mais receio da primeira
Do que da fúria comunal.
Ela ainda me persegue, feiticeira,
É quase um ritual.

“Não se aproxime”,
Devo ter expressado.
Beija-me, é o seu crime,
Sai e seu rumo é alternado.

Parte V

Eles não tinham consciência, mas,
Não tentei libertar-me majestosamente,
Essas não são memórias póstumas,
Esse é o imprevisto no ar, acusticamente,
Com pulos altos, habilidosamente,
Nos muros altos, os despisto,
Algo que deveriam ter antevisto.
Não podem me acompanhar.

Deparo-me com uma pessoa específica,
É uma ironia encontrar
Minha velha amiga. Eu agonística,
Ela em seu odiento modo insano,
Ermei-me, recuso seu auxílio cigano.
Impetuosa, questiono sua lucidez,
Informo meus atos com sensatez.

Após explanar que seria extinta,
Em meu rosto está sua palma sucinta,
E no seu está o espanto,
Deixo-a ali estática, ouço o pranto,
Sigo para meu único desejo:
Ajustar o meu brejo.

Parte VI – Final

Iço-me ao cume da colina,
Aquela para avistar a cidade
Em plena solidão, carmina,
A indiferença alheia é docilidade:
As três peças e minha desprezada presença.

A rota está sendo trilhada,
Breve e atinjo minha avença.
Lá está a única alma anelada,
Transformada, me recebe com regalos.

Divido todos, não são resvalos,
Consumo o meu teste,
Sinto-me a mais celeste.

E por que uma vida de morte?
Assim por dentro – o medo é único norte?

O desleixo foi o meu passaporte.

Junho de 2018,
Thais Poentes

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Conceba teu corpo sobre o meu,
O segundo está entregue
Em um prezado lugar.
No enleio amoroso,
Somos cativas do deslumbre em brasa.

Minha boca
Sedenta
Saboreia a tua,
Essa é a vestimenta
Da nossa biunívoca época.

O mundo lá fora não existe,
O que subsiste sou eu
Envolta aos teus braços,
Quais me tomam com intensidade.

Minhas mãos que te sentem
Vigorosa e suavemente...
Ah... tua pele,
Teu rosto.
Elas te aproximam como um astrofísico
Que deseja conhecer todo o universo
Diretamente,
Alucinado.

O acalento cessa
Por apenas segundos,
Nos quais eu fito a profundidade
Dos teus olhos lúgubres.

E minhas mãos travessas,
Com tamanha avidez aos atos dos meus lábios,
Tocam teu ressalto tentador,
Com a força da afeição.
Inevitável e igualmente, o mesmo
Rouba a atenção da minha mira.

Nossa carne desvaira,
Em eloquentes sensações,
Vivenciamos a essência da luxúria.
As palpitações dos nossos corações
Agora estão em perfeita simetria.

O frenesi é
O descontrole que nos controla
No balanço do colapso,
Nutrindo a lascívia,
Enfatizando os olhares ferventes.

Nesse desatino,
Nada mais somos do que dois seres
Atraídos e enfeitiçados.

Abril de 2015,
Thais Poentes
Ajude-me!
Sinto que vou surtar!
O que eu receio
Não falta muito a chegar!

As lágrimas não param de escorrer...
Choque.
E isto voltou por quê?

A vida... bem...
Ela não perdoa.

Fique tranquila,
Nada de ruim
Ainda
Aconteceu-lhe.

A consciência do que está por vir
Corrói a alma;
O velho regresso.

Uma recaída drástica,
Onde o pânico predomina
E eu me perco
Em meio ao desespero.

2014,
Thais Poentes 

domingo, 17 de junho de 2018

Lágrimas ácidas,
Presas,
Dilaceram-me por dentro.

Suspiros comprometidos,
Que representam meus gritos,
Perdem-se ao vento.

Caminhos não percorridos
De desejos rompidos
Mostram-se atentos.

Diante do delírio
De um ser ambíguo
Do mundo doído,
Pergunto-me:
O que fizeram comigo?
Sou uma criatura
Sem abrigo.

Um árduo sem cura,
A seguir,
E já.

O que vem desses cactos:
Não tem onde mais me aconchegar.
Não peço, não vou me ridicularizar.

Cadê a menina propensa
A um bom sossego?
Vejo-a tomada pelo medo.

O exorbitante lampejo,
Não vou lhe apagar.
E a lâmina dos vinte e dois?

Agora alguém me inquire:
O que é que vem depois?
Penso: algo atroz.

2013,
Thais Poentes