Levados Pela Poesia

sábado, 31 de março de 2018

Entre e veja, só não se preocupe com a desordem
De todas as más memórias e lamentações.
Não tente se refugiar atrás de mim,
Visto que não se aplica se proteger com
Um pesar ambulante gerado para si.

Na lagoa arrepiante eu afoguei meu antigo lar,
Dispensando um mural de desolação,
No auge do réu está meu ancião.
No paladar do mirim, ele só constata como é
O teor de encontrar apenas solidão.

Um trapo de nostalgia e miséria
Vestiu em mim.
Se eu arrogar um delicado período,
Certamente meu algoz se constrangerá,
Pois, vazio é sinônimo de devastação.

Sou um fantasma em sua mente,
Meu objetivo foi sua canção.
E desejava um exclusivo solo...
Tornando-se minha ilha,
Escondi-me do seu Sol, gelava minha concepção,
Nunca desejara ser seu instrumento de abalo.
Em minha consideração complexa
Formou-se a alma sem motivação.

Misteriosa escuridão, mas não vá naquele canto,
Seria um desafio defronte a si próprio
(Com fracasso garantido, ato que tem ácido).
Eu me ceguei com tamanha divisão.

Um tipo de doença radiante tomou meu ser,
Não me contentando, tomei-a para mim,
Embaçando o significado espiral.

Seu toque de escala...
Ouviu o que o demente disse?
Transmita sua arrecadação aos desesperados,
Eles pulam diretamente daqui... Ah!

Já que não adiantou relatar,
Dê uma olhada por cima do meu ombro:
Fez aquilo apenas para resistir?
E no quesito de prosseguir,
Vai justamente ao sulino?!

Perante o espelho, mira a sórdida decadência,
Pretendia atingir o distraído,
Uma espécie não sabida das malditas representações.
Força amparada da dor de um danificado.

O noturno ajuda-nos a resgatar as mentiras.
Encolhe-se e permanece,
Depende de uma brecha.
A tensão vem de um intuito rompido.
Cingido.

Tendência há constantemente,
Aquecendo e abrangendo o gelo por dentro.
Jamais demais.

Cruzados punhos firmes,
Assim o são quando estão ao chão,
Cansados e arrasados,
Vítimas das circunstâncias.

É tudo má recordação,
Toque de borrada preservação.
Os rumos através dos campos regados por despedidas,
Como supostos de uma autêntica substância.
Desvaneceremos sozinhos para o sempre e o nunca mais,
Confira-se como inerente.

Não sou inconsequente.
Dado o incidente dos ramos,
Fale comigo naturalmente,
Contamine meus ouvidos,
Manifestando-se para minha deterioração.
Tudo o que trouxe estragou e se rompeu.
Chove agora no mundo que restringiu.
  
Neste instante os que clamam estão embravecendo,
Lidando com o incessante Sol, consignados.
Nós e as quimeras, imagine só...
Ainda se afogando na poeira que paira pelo ar.

Saia agora. Viu até o que não devia.
Eu não voltaria...
Volta!

2014,
Thais Poentes
O formato do sabor de tua pele
Entre meus dentes
Delineia meu percurso.
Tua idade salgada no azul que visto
Afasta-me de tudo o que finjo saber.

O gosto amargo da tua voz
Amarela como o sol
E laranja como teu nome entorpecente,
Das letras adocicadas com lilás,
Atravessa os ares do meu alvorecer.

As garras afiadas do teu cheiro,
Esse que me ensurdece pelas tardes,
Arrancam-me qualquer colheita.

O som dos teus sentimentos
E o orvalho dos teus passos
Produzem imagens flutuantes em minha mente;
Calculo esse peso
Com a quantidade de sensações irresolutas. 

Ao cruzarmos, a ventania do teu olhar
Trouxe ao meu epítome nosso exímio passeio.

Nosso cisma nos envolve fixamente,
O lírio grita e a rosa hesita.
Essa raiva fede ao meu redor
Como um imã incandescente.

As palavras mofarão na árvore longínqua,
O bafo seco da desilusão calço na rotina,
À minha solidão concedo a fragrância do céu,
Tal qual uma melancólica e absorta amadora.

Fevereiro de 2018,
Thais Poentes
Razões existem,
Mas às vezes são as mesmas que
Deixam-me querer desistir,
Às vezes elas se contradizem
E outras que não animam surgem.

Exploro um pouco além das linhas,
O desconsolo é teso,
E cá está meu fracasso.
Outra noite cai,
Não devo estar em casa.

Contemplo a face
E sua lividez,
Nela o calor está retido,
O mesmo que me seduz.
Sua presença inusitada
Estremece-me a alma,
Soa-me as mãos.

Aqui meu olhar se encontra ao chão,
Distante...

E eu não poderia ir
Senão guiada pelo teu toque.
Parece tão longínquo,
E eu tento...

2013,
Thais Poentes
Conduzi o instrumento pouco conhecido
Como alguém experiente,
Sem experiência,
Percebendo a essência,
Transmitindo-a em afluência.

Mas, espere!
Embora o tenha possuído com facilidade
E incompreensão,
Ele não me pertencia.

Não estive nada surpresa,
E estive surpreendendo,
Sem ser notada.

Troquei o instrumento por semelhante,
E, pasme só! Também não era de minha posse.

Comecei a conduzi-lo,
E como era fascinante sua personificação!
Tão me elevava
E frustrava, pois,
A dúvida do “mais uma vez” me tomava.
Ah! Distraí-me!
Apenas deleitei-me a cada toque.

Também o deixei.
Todavia, não procurava um terceiro,
Conquanto pudesse o desejar,
Lá ele não estaria.

Foram-se os momentos de distração,
Fito o segundo instrumento, ali abandonado por mim,
Duas ou mais de suas peças haviam se soltado,
Tão bem o previ!

Sem drama.
Com a trivial calma,
Cravei-as de volta.

Com drama!
Já não era a mesma coisa,
Havia tal relevância em sua contextura.

E tudo,
Que uma vez fora alegre e luminoso,
Passou a escurecer e a ludibriar.

Possuinte dos dois instrumentos, ela surgiu,
Incidia sua pressa e infelicidade.
Cobrou-me algo que outrora foi avistado
E desdenhado.
Não houve alternativa senão a negação.

Não! Não está comigo!         
Nunca esteve...
Percebes?!
Só o contemplei em tua companhia
E tu te recusaste a vê-lo!
Não obstante, tu me exiges...
Repito, não está comigo!
No entanto, posso lhe informar sua localização,
Contanto que vás embora.

E, o que rompido estava,
Não mais o via.
Mal posso recordá-lo...

Suas lembranças, ainda ativas,
Tornavam-se inativas.
Como ainda as sentir?

Restou-me a sombra do que
Aqueles instrumentos haviam me ensinado,
Inspirado-me,
Elevado-me
E um tanto me devastado.

2013,
Thais Poentes
Ela vem através do vento,
O tom do seu sussurro é lastimável,
A palidez da minha solidão remete sua falta.

Em meu rosto a paisagem da pintura de sua aura,
Ela caminha nas minhas erupções,
Lá me cumprimenta com um “Olá”,
Está a sorrir e a acenar.

Seu olhar em minha mente
Faz-me viajar nos rios de meus olhos,
Desejo tocar seu respirar.

Os dias passam
E o silêncio é atormentador.
A brisa escaldante da incerteza
Nas pancadas das esperanças.

Caminhei e a procurei,
Não a alcancei...
Ah, a vaidade a levou!
Seu navio oscilou,
A tempestade que nos tomou.

Eu sei que ela retornará
Através da névoa sombria.

Ela é o pingo do vapor das paredes,
Sua voz é o esfregar dos braços.
Ela ronda meu espírito
Em uma constante perseguição.

Lentamente ela desaparece,
Minha visão escure
E escoro-me ao chão,
O vazio em minha percepção
Aflige tudo que a indica.

Perco-a de vista,
E em meu reflexo a vejo, 
Fez-me enxergar todas minhas fraquezas.

Ela está em todo lugar,
Nos pássaros que não noto,
Nos comprimidos que tomamos.

Dilacera-me e não sei o que esperar.
Meu pensamento é pó,
Um escape eu anseio
E ela repousa sobre mim.
Como deslaçá-la do meu cordão?

Onde ela está?
Tenho de encontrá-la
Nesta realidade,
Tal qual ela é.

Sua graça em minhas pernas,
Seu perfume em minhas mãos
E seus passos nas areias
Dos meus sonhos
Vêm para me acordar.

Quando me levanto
O peso das peças desse pesadelo
Direciona-me ao precipício
E lá me elevo ao avesso do paraíso.

Fevereiro de 2018,
Thais Poentes
Lembra-me de ir aonde a força suporta som,
Então irei a lugar nenhum, para me desgastar,
E desvanecerei no caminho dos anjos.
Nunca estive tão certa...

O exato segundo faz-me entrar em êxtase.
Minha dislexia eu me tornarei em vida finda.
Voa em um não-destino, toma-o como seu,
Não posso ver sensatez do entono em frenesi.

Esta não é a primeira vez que parto.
Morta, me sinto tão viva, em um desatino.
Demandas trazem um “tire-me”,
Um estimulado em sua divisão saberia concordar.

Ganho o pomar para sê-lo,
O eflúvio deveras implica o subsídio de si contigo.
Chora desesperadamente em um suspiro,
Desaparece por um único delírio.

Todo gentil agreste visitará o funeral de seu nascimento.
Não sou mais do que alguém que permaneceu,
E devo ser enquanto me torno,
Enquanto estou,
Enquanto jamais serei.

2014,
Thais Poentes

sexta-feira, 30 de março de 2018

  Este poema é uma releitura da canção Letter To Dana, da banda finlandesa Sonata Arctica.
Havia um vetusto luar, tão venusto,
Na noite em que teu Afeto faleceu,
Por razão disso, escrevo a ti.
Eu não seria inconveniente,
Porém, pintada em alvura,
Considerei um dia lhe delinear.

Tua infâmia fora tentadora.
Ah, mas como meu conspecto me ludibriou!
E indago:
Qual ser poderia de fácil suportar
A negação de cada dia de não te tolerar?

E cá escrevo a ti,
À demanda da minha falecida Admiração;
Fora um dia austrífero.
Não pretendia eu ser inconveniente,
Entretanto, tão inocente,
Minha Admiração desejara reencontrar teu Afeto.

Teu Afeto não permaneceu,
Quem poderia culpá-lo?
Abandonar um dissoluto...
Estava tão frágil!

Excepcional és tu, minha querida!
Ansiei-te, egrégia!
Alucinante foste tu, minha requerida,
Quando te vedaste para mim.

Espaventos não me podes trazer mais,
Sob a nova cova reside paz.
Não há novidades em teus gestos mais banais
(E me parece do agrado...).
Como lhe abjugar?

De todos os absurdos por mim proferidos,
Não suponho que um deles tenha sido
A afirmação de meu eterno coliseu.
E para que estaria
Se o estar nunca foi o meu?

E, como tu, menti!
Afeição foi o pouco suprimido que senti.
Promessas eu desfiz,
Quando ao teu túmulo joguei o verso mais infeliz.

Novamente escrevo a ti!
No céu está o poente límpido,
Em mim este sentimento turvado,
O sopro mais álgido o afugenta de mim.

E que tu, com apenas esta inocência,
Tenhas o fulgor de minhas palavras nectáreas.

2013-2016,
Thais Poentes
A foice se atrai por mim;
O raio me observa;
A chave, sem fechadura, me pertence;
Há um rasgo por cada passo que dou;
A ruindade alheia é predominante;
Uma cena que me almeja;
Uma mentira faminta me mira;
A voz do distúrbio;
O gelo que ainda não se desfez.

A frustração, esta sou eu,
Atravessando uma trilha rumo ao fim.
Enfurnada em buracos, quais,
Com o passar do tempo,
A lama os faz mais profundos,
Conforme a chuva cai.

O pedaço de indignação;
O ar que estou procurando;
A pedrada ainda latejante;
O espiral me esperando;
O trajeto que estou evitando;
A raiva que me exalta ardentemente;
Desgraças que estou esperando;
A brecha que estou cedendo;
Folhas secas que me encobrem.

Nunca desprezei meu inconsciente
Por momentos desgastantes.
A explosão do sangue frio
Fere a floresta da crença.

Sirva a flecha do meu corpo,
Deixe que venha mais do vermelho,
Garanta que tenha o suficiente para o Sumir;
Jogue o que restar naquela torrente.

Sugando menos, a cor morta desaparece.
Contemplando a noite, quebre o que não for.
O mais importante dever de reservar,
Não deveria me servir, mas está aqui.
Arranque o que der
E me afogue no vinho da maré.
Fardo arrecadado, permitindo flocos de medo.
Dosagem excessiva, fluindo no solo do insolente.

E a rachadura do polir, eu ignoro a mais;
No acordar do agora, eu permaneço deitada.
A ênfase da insolência vem para o suor.
Todos os meus quesitos arruinados,
O silêncio põe em teste.
Houve uma vez que durou eternamente, o ir.

Verídico o abolir deixado para trás.
Existem importâncias supridas,
Está aí o pesar da alma ofegante.
Doendo em meus olhos, o aperto provocado.

2013-2014,
Thais Poentes
  Este poema é uma releitura da canção Maurício, da banda brasileira Legião Urbana.
Agora desconheço como descrever
O que conheço, descrevo e sinto.
O meu coração, sem conceder-se,
Reconhece cada vez menos o que lhe satisfará,
Tornou-se mais pessimista do que eu.

Sinto-me sozinha.
Não estou me queixando,
A solidão é agradável companhia minha.

Ora estou a sorrir,
Ora caio em prantos.
No entanto, qualquer emoção me é distante,
O viver já não acontece.

Agora não conto mais nada sobre o meu ser,
Não posso compartilhar qualquer sonho meu,
Uma vez que a definição se perdeu.

Se estou feliz ou não,
Não me transtorna.
Não importa o que eu faça,
Meu desejo é o oposto.

Eu me vi morrer em mim.

2013,
Thais Poentes
Uma crença,
Uma rebeldia,
Uma teimosia,
Uma ousadia.

Por mais que me esforce,
Nada pode evitar
Meus olhos que lhe perseguem
Como um imã
Do metal de tua pele,
Da magnitude do teu ser,
Do teu rosto e o que lhe compõe.

Um admirar,
Um improvável,
Um suspiro,
Um lamento.

E cá estou com tantos Uns
E nenhum O!
Sozinha com todos eles...
Mas que pena!
E nenhuma tinta...

Digo eu:
Tristeza!
Diz meu subconsciente:
A vida!

Tenho aqui a folha,
As palavras
E a serenidade,
A qual outrora foi roubada.

Tenho também um desdém;
Este me foi dado.
É certo meu clamor
Em silêncio.

Ah, que vida tediosa!
Com minha estimada remota...
Aproximas-te de mim,
Bem o sinto,
Aprecio teu cheiro com o fervor
Do desejo que me toma,
Invadindo meu âmago.

Agrada-me teu charme;
Agrada-me teu caminhar;
Agrada-me primacialmente
A ti não amar
E, então, apenas,
A tua pessoa apreciar,
Teu sorriso e tal mirar.

Rogo para que me rogues
Branduras,
Para teu aconchego,
Estou inclinada ao teu desvelo,
Assim como cederei aos teus caprichos.

Só não concedas à tua fé o declívio
De um pendente recíproco estimar.

Deixa-me estar além
Dos meus reflexos em teu olhar,
Permite-me lhe sentir,
Assim possas tu, enfim, me apreciar.

Sê o Sol,
Que dá beleza à Lua,
Sê o crepúsculo
Em abertura.

São os olhos meus que brilham
Ao reflexo do teu brilhar.
(Há tantos reflexos...
E nenhuma certeza).

Anseio, quase em desespero, que
Aqueças aquela fonte do enamorar.
Tua beleza traz com certeza o zelar.

Nenhum desprezo
Ou indiferença
Irá me fortalecer,
Uma vez que a amplitude
Da Necessidade
Se faz crescer.

Quero tocar
Não só a ti
Como a tua alma.

Despojadas palavras minhas não irão lhe deleitar,
Em gestos vultosos terei de explanar
O iluminar que ganha meu dia
Por tua figura nele estar.

Pensar em ti me faz contente,
Ainda que a desolação se faça presente,
Tal índole doente...

Não esvoaces ao teu tugúrio,
Não estabeleças a tormenta,
Minha carne desatinada carece a alvorada da Manhã...

Nebuloso almejar,
O mesmo revés ao agrado do meu ser,
Este que lhe entrego.
Onde está o teu?
Poderia eu reconhecer?

Não assustes tua paz,
Ela está além do que és capaz.
Então vem,
Prova algo a mais,
Não vejas só o cartaz.

Agosto de 2015,
Thais Poentes
Faz o que faz ou não faz o que quer fazer, 
O homem é preso ao prêmio que quer receber,
Cansados de trabalhar e de esperar o lazer,
Pobres homens confusos, morrerão sem o ter.

Chega ao templo e pede para o rei benzer,
Nada que qualquer um possa dizer,
Então por que no final de tudo a ilusão ter,
De que você será o grande escolhido para viver?

Ah! O que fazer? Levar tudo sem escolta,
Tomar cuidado! Algo que vai ainda volta.
Não precisa confiar em nada que se exalta,
Na hora do pesadelo se vê além da esmalta.

Não se iluda com seus atos sobre o galardão,
Nada é real se você não o tem em sua mão,
Não há nada lhe esperando, não há um ancião,
Nada irá ganhar por sua incrível crédula gratidão.

Com o tempo você encontra sua real solidão,
Não importa, de verdade, sua aptidão,
O que poderá levar contigo é a sua razão,
Após isso poderá sempre chegar à conclusão.

Somos todos parte de um enorme comércio,
Tráfico de mulheres, ou de empregados,
Os que valem mais e os que valem menos,
E quando damos pane, somos exterminados!

- Augusto Fossatti