Levados Pela Poesia

domingo, 11 de março de 2018

AR ESCURO


Não posso acreditar
Na mentira que me condena.
“Adeus, amor meu”,
Suavemente gritei.

Talvez tu odeies em outros
Aquilo que há em ti.
Induzi-te a indagares
E, sem demora, disseste:
“Não importa!
Não percebe?!
Apenas observe”.

Ora, suplício meu!
Use-o
Ou o perca.
Tu és tão ruim
Quanto teus segredos.

A morte que emerge de ti,
Como teu nascer do sol,
Faz-me desejar o nada
De tua intensidade.

Cobiças abrasadoras,
Quais, em um futuro tão imediato,
Vão me consumir,
Levando-me a cometê-las
E, mais tarde, sofrê-las.

Todos os brilhos são teus, amor.
Sim! Não duvida...
O brilho de todas as estrelas
Que partiram.

Não chores
Se nada mais podes me oferecer
Senão tuas lágrimas dilacerantes.
Tu deformas nossos sorrisos...

Reconheço minhas falhas,
Não me nego,
Nem a ti,
Outro “Eu”,
Que podes estar me lendo.

O aconchego do nosso luar,
A aura que vem de sua gaiola,
O meu ser agora se cora,
Se agarrando à tua memória.

Estou queimando
Enquanto me afogo na fumaça
Do teu rastejar.
Porém, amor teu, não cederei
Em minha fraqueza
Por qualquer singelo gesto
De gerar imponência.

Embora agora não pensas
Na medíocre existência
De minha poesia,
Aos teus moldes, amor,
Permite que eu lhe proporcione
Mais uma distração
Para qualquer aflição.

Vê a diversão:
Conforme se prolonga tua ausência,
Em maior quantidade serão
As tuas peças desadaptadas...
Envolvendo tua natureza,
Desfaço-me com cabal destreza.
Ao mero alquimio...

Existe a necessidade
De sentir o todo
De todas as formas.
Tais conceitos que trabalho
Através do que laboro
Nada mais são do que a junção
Do “quero-te” e do “esqueço-te”.

2014-2016,
Thais Poentes

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