Levados Pela Poesia

sexta-feira, 30 de março de 2018

CÁLAMO

  Este poema é uma releitura da canção Letter To Dana, da banda finlandesa Sonata Arctica.
Havia um vetusto luar, tão venusto,
Na noite em que teu Afeto faleceu,
Por razão disso, escrevo a ti.
Eu não seria inconveniente,
Porém, pintada em alvura,
Considerei um dia lhe delinear.

Tua infâmia fora tentadora.
Ah, mas como meu conspecto me ludibriou!
E indago:
Qual ser poderia de fácil suportar
A negação de cada dia de não te tolerar?

E cá escrevo a ti,
À demanda da minha falecida Admiração;
Fora um dia austrífero.
Não pretendia eu ser inconveniente,
Entretanto, tão inocente,
Minha Admiração desejara reencontrar teu Afeto.

Teu Afeto não permaneceu,
Quem poderia culpá-lo?
Abandonar um dissoluto...
Estava tão frágil!

Excepcional és tu, minha querida!
Ansiei-te, egrégia!
Alucinante foste tu, minha requerida,
Quando te vedaste para mim.

Espaventos não me podes trazer mais,
Sob a nova cova reside paz.
Não há novidades em teus gestos mais banais
(E me parece do agrado...).
Como lhe abjugar?

De todos os absurdos por mim proferidos,
Não suponho que um deles tenha sido
A afirmação de meu eterno coliseu.
E para que estaria
Se o estar nunca foi o meu?

E, como tu, menti!
Afeição foi o pouco suprimido que senti.
Promessas eu desfiz,
Quando ao teu túmulo joguei o verso mais infeliz.

Novamente escrevo a ti!
No céu está o poente límpido,
Em mim este sentimento turvado,
O sopro mais álgido o afugenta de mim.

E que tu, com apenas esta inocência,
Tenhas o fulgor de minhas palavras nectáreas.

2013-2016,
Thais Poentes

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