Levados Pela Poesia

segunda-feira, 26 de março de 2018

NOITE DE SOL

Ensolarado dia,
Ela o admirava.
Ela não sabia,
Mas ela o temia.

Dentro de sua casa,
Deitada confortavelmente ao chão,
Ela fitava o dia da janela que o reluzia:
A luz do sol mostrava as poeiras flutuantes,
E ela se fascinava, tentava pegá-las.

Ela não pôde capturá-las;
Elas se oscilavam, ela se frustrava.
Ora, ela! Para que tê-las?
Observe a ordem das coisas e se contenha!

Ela se admitia, porém gostava de sonhar,
Ansiava por aventuras,
Sempre a inventar...
Ela não sabia, mas temia.

Ela nunca deixou de acreditar
Que tudo pode ser bom e melhorar,
Basta moldar.

No entanto, ela nunca entendeu,
Nem entenderá,
A complexidade de tudo,
Não basta apenas fantasiar.

Ela é só uma criança pura
Prestes a se perder
Na vileza da vida,
Na travessura que vive em mim,
Em você.

Ela ri,
Mesmo quando não se deve.
Ela era eu contente
Em uma lembrança alegre.
Cá ela percebe: tudo morre.

Ela está triste. Ela sorri.
Contudo, não é mais ela que está ali.
Ela agora sabe, ela teme.

O chão não é mais confortável;
O sol está a incomodar;
A poeira ficou, não a flutuar,
Mas sobre ela, que chora.

Ela, debilitada, ainda vive.
E ela também morrerá.
Ela não poderia suportar,
Não dá.

2014,
Thais Poentes

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