Levados Pela Poesia

sábado, 31 de março de 2018

O SURTO

Ela vem através do vento,
O tom do seu sussurro é lastimável,
A palidez da minha solidão remete sua falta.

Em meu rosto a paisagem da pintura de sua aura,
Ela caminha nas minhas erupções,
Lá me cumprimenta com um “Olá”,
Está a sorrir e a acenar.

Seu olhar em minha mente
Faz-me viajar nos rios de meus olhos,
Desejo tocar seu respirar.

Os dias passam
E o silêncio é atormentador.
A brisa escaldante da incerteza
Nas pancadas das esperanças.

Caminhei e a procurei,
Não a alcancei...
Ah, a vaidade a levou!
Seu navio oscilou,
A tempestade que nos tomou.

Eu sei que ela retornará
Através da névoa sombria.

Ela é o pingo do vapor das paredes,
Sua voz é o esfregar dos braços.
Ela ronda meu espírito
Em uma constante perseguição.

Lentamente ela desaparece,
Minha visão escure
E escoro-me ao chão,
O vazio em minha percepção
Aflige tudo que a indica.

Perco-a de vista,
E em meu reflexo a vejo, 
Fez-me enxergar todas minhas fraquezas.

Ela está em todo lugar,
Nos pássaros que não noto,
Nos comprimidos que tomamos.

Dilacera-me e não sei o que esperar.
Meu pensamento é pó,
Um escape eu anseio
E ela repousa sobre mim.
Como deslaçá-la do meu cordão?

Onde ela está?
Tenho de encontrá-la
Nesta realidade,
Tal qual ela é.

Sua graça em minhas pernas,
Seu perfume em minhas mãos
E seus passos nas areias
Dos meus sonhos
Vêm para me acordar.

Quando me levanto
O peso das peças desse pesadelo
Direciona-me ao precipício
E lá me elevo ao avesso do paraíso.

Fevereiro de 2018,
Thais Poentes

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