Levados Pela Poesia

domingo, 25 de março de 2018

OP.2 N.8 - SONO

O dia, as coisas, a vida, a angústia do futuro sustento,
Não sinto, não aguento, permaneço frio e quieto.
O cansaço bate à porta, não sou imortal,
Faço, não faço, perdoa-me interior,
Lhe faço passar por angústias anormais.
Anomalias do destino lhe esperam! Dor de cabeça!
Há tempos não visito o mundo dos sonhos,
Distante, só vivo a realidade presente, o agora,
Sem invenções e eufemismos, estou perdido!

Nesse enorme oceano azul de conclusões,
As ondas estão lá para destruí-las,
Imagine estar perto da vitória e morrer na praia,
Lutar contra seu instinto de desistência, o vence,
Depois sem perceber, sua visão escurece,
Fica cada vez pior, os olhos ardem,
Sofrimento diário, desnecessário.

Com visão embaçada, batalho, continuo sóbrio,
A fraqueza, a vontade de partir,
Deixar tudo para trás, se jogar, se divertir.

Debruço-me em qualquer canto e volto a escrever,
Volto a me sentir, bem e mal ao mesmo tempo,
Simultâneos sinuosos que partem vidas, sim, partem!
Somos responsáveis por tudo o que acontece,
Todos nós somos, por todas as coisas.

Escuto vozes, alguém grita pela avó, não é real,
Ela pergunta algo, esqueço-me, não sei o que é.
A vontade de descer as pálpebras, o rugido,
Isso lhe traz algum abrigo?
Sinto que estou dormindo, estou morto,
Feliz, inocente, ativo! Alegre, mas sem motivo!

Acordo, agora renascido, tragédia insuportável,
Nunca queria do sono ter partido,
Estava tão feliz enquanto dormia, meu Deus,
Saber que é impossível nunca deixar de ter dormido.

Agora sou apenas fugitivo, não tenho mais sono.
Estar no escuro não me agrada mais,
Agora quero luz, mesmo que custe minha paz.
Tem certeza que é isso o viver? Estou frustrado,
Mais uma vez, morto e perdido,
Porém, é a vida real, meu amigo!
Agora não mais nos sonhos, doce local,
Onde todo o mal pode ser facilmente vencido,
Agora na raça, na guerra, na tribo.

Sigo e assim vivo, sofrendo da vida os perigos,
Lamentando um dia ter acordado,
Lamentando ter saído das trevas, pois a luz arde.
Meus olhos doem e meu coração se fecha,
A luz queima por dentro meu resto de alma,
Deixando-me com insônia e péssimo humor,
As esperanças se foram faz tempo,
E quando durmo... Ah! E quando durmo!
Viro um sonâmbulo do conhecimento.

- Augusto Fossatti

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