Levados Pela Poesia

domingo, 25 de março de 2018

OP.23 N.1 - MISSA AOS MORTOS VIVOS #BEETHOVEN

Ah! Se alguém pudesse lhe dizer,
Tirar-te desta grande tortura,
Se alguém pudesse lhe agradecer,
Contar-lhe que hoje é o maior,
Que hoje não há outro como você.

Ah! Se a vida fosse tão simples,
Se como disse Odisseu, ó, grande,
Não fossemos assombrados assim,
Pela infinita vastidão do eterno,
Com este medo de apenas perecer.

"Ah! Ludwig, acalma este coração,
Cessa deste tolo e vil desespero,
Tuas sinfonias serão tão amadas,
E você será visto como o gênio,
Como quem deu origem a inovação."

Se ao menos fossemos tão dignos,
Se fossemos páreos para sua obra,
Para sua existência finita. Não,
Porém, agradeceremos para sempre,
Tocando-te até o fim do Universo.

Levaremos sua música para o todo,
E com ela preencheremos o cosmos,
E não haverá lugar com gente viva,
Onde não saberão dizer o teu nome,
Onde não ouvirão: Sol Sol Sol Mi,
Fá Fá Fá Ré, a sonata para Julie,

A bagatela para Therese, "Ghost",
A famosa sinfonia para Bonaparte,
A "Hammerklavier" ou o eterno 131.
Qualquer lugar que tenha vivido,
Qualquer pessoa que tenha ouvido.

Ah! Querido Ludwig, não se acanhe,
Feremos de ti o que sempre desejou,
Um exemplo de homem nobre, sim,
Com defeitos que todos possuímos,
Mas um poder que jamais sonhamos.

Pedimos perdão por tal burrice,
Que faz de seres como ti, plebeus,
E os porcos de seu tempo, nobres.
Pobres homens, grandes homens;
Enquanto houver vida, você viverá. 

- Augusto Fossatti

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