Levados Pela Poesia

quinta-feira, 22 de março de 2018

OP.4 N.01 - SILÊNCIO

A ausência de som concreta,
E os zumbidos que são alerta,
Não consigo entender o porquê,
Não consegue ficar tão quieta.
Sempre que desligo o mundo,
Outro mundo se liga de novo,
Não consigo ficar tranquilo,
Enquanto ouvir isto e aquilo.
Só gostaria de não ouvir nada,
Não enxergar e também pensar,
Mas eu sempre vou funcionando,
E nunca consigo me encontrar.
E o medo de estar tão sozinho,
Persegue o louco psicológico,
De um frio e bem perturbado,
Descrente no mundo analógico.
E não adianta a lua aparecer,
Meu instinto sempre continua,
Considerando-me desprotegido,
Principalmente olhando pra rua.
Mesmo sabendo que nada há,
Não existe forma de agressão,
Este som fino vai espreitando,
Confundindo a minha visão.
Realmente há algo errado,
Os guardas passam apitando,
O que há de grave na solidão?
Quero deixar o tempo passando.
Com o tempo o temor some,
Mas ele volta daqui a pouco,
Não quero mais sentir esse jeito,
Só quero dos males estar solto.
Aí vamos nós, tentar relaxar
Mas parece que não há como,
Por mais que eu fuja do som,
Ele volta parecendo meu dono.
Por isto lhe digo que desisto,
Ouço a música mais favorável,
Mantenho-me muito acordado,
E tento deixar a mente estável.

- Augusto Fossatti

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