Levados Pela Poesia

sexta-feira, 30 de março de 2018

PLATONITUDE

Uma crença,
Uma rebeldia,
Uma teimosia,
Uma ousadia.

Por mais que me esforce,
Nada pode evitar
Meus olhos que lhe perseguem
Como um imã
Do metal de tua pele,
Da magnitude do teu ser,
Do teu rosto e o que lhe compõe.

Um admirar,
Um improvável,
Um suspiro,
Um lamento.

E cá estou com tantos Uns
E nenhum O!
Sozinha com todos eles...
Mas que pena!
E nenhuma tinta...

Digo eu:
Tristeza!
Diz meu subconsciente:
A vida!

Tenho aqui a folha,
As palavras
E a serenidade,
A qual outrora foi roubada.

Tenho também um desdém;
Este me foi dado.
É certo meu clamor
Em silêncio.

Ah, que vida tediosa!
Com minha estimada remota...
Aproximas-te de mim,
Bem o sinto,
Aprecio teu cheiro com o fervor
Do desejo que me toma,
Invadindo meu âmago.

Agrada-me teu charme;
Agrada-me teu caminhar;
Agrada-me primacialmente
A ti não amar
E, então, apenas,
A tua pessoa apreciar,
Teu sorriso e tal mirar.

Rogo para que me rogues
Branduras,
Para teu aconchego,
Estou inclinada ao teu desvelo,
Assim como cederei aos teus caprichos.

Só não concedas à tua fé o declívio
De um pendente recíproco estimar.

Deixa-me estar além
Dos meus reflexos em teu olhar,
Permite-me lhe sentir,
Assim possas tu, enfim, me apreciar.

Sê o Sol,
Que dá beleza à Lua,
Sê o crepúsculo
Em abertura.

São os olhos meus que brilham
Ao reflexo do teu brilhar.
(Há tantos reflexos...
E nenhuma certeza).

Anseio, quase em desespero, que
Aqueças aquela fonte do enamorar.
Tua beleza traz com certeza o zelar.

Nenhum desprezo
Ou indiferença
Irá me fortalecer,
Uma vez que a amplitude
Da Necessidade
Se faz crescer.

Quero tocar
Não só a ti
Como a tua alma.

Despojadas palavras minhas não irão lhe deleitar,
Em gestos vultosos terei de explanar
O iluminar que ganha meu dia
Por tua figura nele estar.

Pensar em ti me faz contente,
Ainda que a desolação se faça presente,
Tal índole doente...

Não esvoaces ao teu tugúrio,
Não estabeleças a tormenta,
Minha carne desatinada carece a alvorada da Manhã...

Nebuloso almejar,
O mesmo revés ao agrado do meu ser,
Este que lhe entrego.
Onde está o teu?
Poderia eu reconhecer?

Não assustes tua paz,
Ela está além do que és capaz.
Então vem,
Prova algo a mais,
Não vejas só o cartaz.

Agosto de 2015,
Thais Poentes

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