Levados Pela Poesia

quarta-feira, 14 de março de 2018

ROMPIMENTO

Sinto
O suor escorrer após a fraqueza,
As palavras molhadas.
Veja, está tudo dito.
A memória me é sombra
E sua delicadeza me atordoa.
Lindo ser, deixe-a.

Vejo
Entulhos pontiagudos a me engolir.
Observe o sentimento me afogar,
A folha me devorar.
A miséria é o véu da indecisão.
Indelicado ser, largue-a.

Estirpe,
Conquanto o desejo se sobreponha à fruição,
Não há mais nada a sustentar
(Desejos cessam, novos surgem).
Tudo foi queimado,
Restando cinzas, para lhe encobrir.
Na minha fantasia foi espontâneo.
Memorial ser, perca-a.

Ouço
Correntes prementes em meu desplante.
Enxergue as facadas do sopro outonal,
A tristeza em minha pele.
Nada importa na magnitude de um bom cordão.
Veranil ser, abandone-a.

2014,
Thais Poentes

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