Levados Pela Poesia

segunda-feira, 12 de março de 2018

SEM MEU AMOR

Seria difícil opinar sobre leviandade?
Não me interpretes pelas entrelinhas indefinidas,
Enganar-te-ás facilmente.
Embora guiem meus pensamentos,
Elas não me definem.

Não quero demonstrar superioridade.
Percebe, amor, tudo é tão diferente contigo.
Tua importância latejante em mim,
A mantenho aqui dentro
Mesclada à incompreensão.

Tuas escolhas desviam das fantasias,
O que flora é a estupidez.
Brinco com as palavras,
Tu brincas com a emoção.

Ser injusta não me enquadra;
Entende, querida, os meus péssimos sentimentos;
Tudo o que transmito de desagradável
Provém do teu desagrado.

Minhas poucas exigências:
Tão ignoradas...
Pelo teu comodismo.

E, por mais que eu diga adeus,
És tu que nos finda –
Tu e tuas prioridades.
Deixo para trás tuas partes,
Estou abandonando tua divisão.

Não estarei mais nos braços da insegurança,
Não me atentarei aos detalhes da solidão.

Tu és uma deusa;
E eu: uma ateia.
Não tenho fé em ti,
E nunca a tive.

Tu não me convences,
Nada do que dizes é suficiente.
Confio minha vida em tuas mãos
E não posso crer em tuas palavras.

Queria eu tanto sentir
Que algo além do teu ego mira em mim.

Tu, minha exceção, desperta o dilúvio;
Tu tiras meu equilíbrio,
Rompes a barreira do bom senso
E és o abre-alas para a obsessão.

Teu embaralho me destrói,
Reconstrói-me e me derruba novamente;
Anula-me, me eleva,
Despedaça-me, me monta
E depois me estraçalha,
Retalha-me;
Alimenta-me,
Deixa-me faminta,
Devora-me
E consome tudo que há em mim.

Minha estrutura encontra-se instável,
Não tenho controle.

Como lidar com a falta que sinto?
Aquela mulher que um dia amei...
Ela não existe mais.
O que existe é uma farsa,
Que quero tornar real.

Gostaria de lhe abraçar
E tudo que encontro é tua sombra.
Como eu poderia envolver silhuetas?
Onde está a luz que as molda?
Desejo seu calor.
Tudo o que me encobre é o frio,
E nada muda isto.

Tu permanecerás irreal,
Um sonho intangível,
Que, por mais que eu me despeça,
Deixas teu vulto,
O qual já não tento mais me desfazer,
Porque é tão inútil quanto se esforçar para acreditar em ti.


Julho de 2017,
Thais Poentes

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