Levados Pela Poesia

domingo, 11 de março de 2018

VIVAS

Estamos vivas
Na correnteza dos oceanos,
Envoltas aos seus redemoinhos,
Em meio a tempestade.

Estamos vivas
No anzol da sereia 
Sob o farol da estrela da manhã,
A luz que nos cega.

Estamos vivas
No observar das árvores,
A cidade passando,
Seguindo os trilhos
Que nos guia o maquinista.

Ah, estamos vivas! 
Os pássaros nos contemplando,
A correnteza nos afundando,
Seu medo me encarando.

Estamos vivas
No galho seco que
Nosso lesto fitar pousa
E no caos que nos ronda.

Estamos mais do que vivas!
O céu está fechado,
O mar está agitado,
Seu murmúrio 
E o gargalo da frieza.

Estamos vivas,
Costumava ser tão mais vivaz,
E lá se vai a paz,
Correm folhas sobre as águas.

Estamos vivas...
A inquietude me rompe,
Vivo seu incômodo
Com ternura.

Estamos vivas,
Agora fora dos trilhos,
A tristeza que nos toma,
O desconhecimento é seu vizinho.

Estamos vivas,
E vivamente ela me anula
E me eleva
Na sepultura.

Estamos vivas,
Pegue-me, me leve,
Arranque minha pele,
Arranhe minha alma.

Estamos vivas, mas
Não estou convencida.
Se não posso vê-lo,
Não posso defini-lo.

Estamos vivas
E, enquanto vivas,
Vivemos a catástrofe
Da sedução.

Estamos vivas
Na escuridão que nos condicionou,
Em sua face o ar
Do meu respirar.

Estávamos vivas
Na nossa história,
Que não é de
Amor.


Julho de 2017,
Thais Poentes

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