Levados Pela Poesia

segunda-feira, 30 de abril de 2018

Como não lembrar
Dos curtos e longos momentos
Onde havia brilho no olhar
Das pessoas próximas,
Que já não se sabe onde foram parar.
O que é este pequeno afastamento?
Uma vez deixada para trás,
O orgulho impõe “Nunca mais”,
Ainda que a emoção insista em saber a razão,
Onde meu ser flora e desabrocha,
Quando há, embora, quem se importa
De forma torta
Com minha aurora:
Especial lhes é meu artesanal
De deboches e humilhações;
Brincadeiras e canções.
Contagem de um selvagem esquecido,
Tanto para ser e ter sido.
E será – todos são.
Palavras dispersas,
Despertadas pela profundidade da charada;
Interiores e espelhos misteriosos;
Magistérios horrorosos;
Sensações confusas;
Roupas avulsas;
Cravamento abalado;
Corpo jogado;
Cercasse doído;
Tapete corroído;
Pensamento iludido;
Indivíduo perdido.
As mãos agarram o pincel que nada expressa,
Mas que se apressa a tentar
Algo incapacitado de decifrar,
Pois, o quê? Não há.
Visão obscura, focada e distraída,
Distante da multidão,
Que se mostra rendida.
Os óculos sujos devo limpar,
Onde se encontra um bom pano?
No meu corpo – minha casa.
O começo do fim,
Do qual sempre sobram fiascos.
Canções de ninar fajutas;
Vestes rasgadas;
Pele cortada;
Unha roída;
Vida corrida;
Sono corrompido;
Tempo perdido;
Alusões ativas;
Metáforas subentendidas;
Indiretas direcionadas;
Arrecadações presentes;
Dezessete minutos de aspirações;
Dormindo para a Vida,
Para as orações.
Letras de uma adormecida,
Sonho difundido.
Desejos irônicos;
Frustrações constantes;
Relações errantes;
Dissertações inconscientes.
Ao fim da escala,
Escada comprida,
Estrada furada,
Termina a jornada.

2014,
Thais Poentes
Maldita seja a memória do toque!
A sensação de ser atormentada
Deixa-te livre
Na gaiola
E surge o suplício do espírito por mudanças,
Quando tudo o que consegue sentir é receio.

Se hoje sou como sou,
Eu te condeno e culpo!
Desta forma, adquiro sensatez
Em meio ao delírio.
Dos meus olhos verás o sangue escorrer,
Porém eles não expressam a questão.
Finaliza!

Não há caule que faça diferença, –
Descontinuidade –
O instinto não lhe privará do que lhe foste reservado.

Por que caminho no que aflautas
E sempre tropeço na desgraça?
Não desejo expor com íntegra veracidade:
O nada.

Dá o próximo passo,
Continua teu percurso e abandona-me aqui.
Sozinha estarei, como me foi destinado,
Não terei mais o que lamentar
E no solo do desdém eu me encontrarei.
Cais novamente...

Sem flores nos olhos, –
Intransmissível –
Nem ao menos uma sepultura foi-me concedida,
Ou cinzas,
Não há rastros...
Levaste até a escuridão.

2013 - 2014,
Thais Poentes

sexta-feira, 27 de abril de 2018

Não te verei novamente.
Se não posso te ter,
Esqueço-te.

Tentamos! Ah, como tentamos!
E concluímos: o “Eu e Tu” não permanecerá.
O quão iludidas fomos ao sequer cogitar
Nosso eterno estar.
E, sim! Tentamos!
Tentamos principalmente não tentar,
Tentamos arrumar tentativas frustradas
Apenas para nosso "nós" natimorto (não) existir.
Tentamos excluir qualquer possibilidade,
Excluímos todas,
Nós duas,
E, por mais que não pareça,
Somente nós duas o fizemos.

A necessidade de nos destruir
É eminente.
Sendo, sem novidade alguma,
Tua sobra: meu carinho;
A tua atenção: o farelo.
Na ausência do que lhe é prioridade,
Cá estava eu, a tola que contiveste.

Não há considerações em tuas palavras mais doces,
Tampouco em teus gestos mais graciosos.
São falsos o teu olhar
E o teu aglomerar,
Pois não passa de fantoche meu estimar.
Desprezarei todo e qualquer sentimento que a ti envolva,
Assim como tu me desprezas.

A indignidade me consome,
É tudo o que me resta.
Tua hipocrisia é lastimável,
E eu agora lhe desdenho.

Não há mais nada para compreender,
Tua procrastinação não pode mais me ludibriar.
Tu ao menos tentaste efetivamente findar o laço sujo que
Cultivaste enquanto meu absentismo?
O que fica à mostra é tua não vontade,
Entretanto, logo a mesma vem à tona 
E tudo fica claro como tua pele,
Qual já não pode mais esconder a escuridão
Que emana de ti e de tua voz glacial.

Ora, mulher da frase "atitudes valem mais do que palavras",
Tuas atitudes demonstram apego,
Apego ao nosso fracasso,
Apego a tudo aquilo que nos dispersa.
E quem sou eu para lhe julgar?
Nunca tivemos nada além de
Pretensões não concretizadas.
Talvez minha poesia não tenha valor algum para nossa aprovação.
Tão previsível essa aurora...

Alcancei a naturalidade da convivência com tua ausência.
Não há uma desculpa sequer aqui,
Aceita nossa indiferença predominante.
Não há nada além de folhas negativas que nos encobrem.
Afastemo-nos delas,
Afastemo-nos de tudo que defina "nós".
O "nós" não viverá.
Ele é desesperançoso como a firmeza em ti, em mim.

Só tu sabes o que sentes,
E fazes questão para que assim continue,
Pois nada brotou de ti,
Eu ao menos não pude enxergar,
Mesmo míope, estando perto,
Sou capaz de, com meus olhos enublados, definir
O que defronte a mim está.
Não demonstraste uma rosa qualquer,
Convenceste-me de que eu estava correta.
Tão exata.... Ah, vida minha!
Arrogância minha...
Crítica minha.

Os sonhos meus perdem todas as cores com teu toque,
Maltrato meu ego miseravelmente ao tentar provar o contrário.
E este desgosto não mais me dói.
Não mais.

Tu não és o alguém que posso conviver compativelmente,
Havia tanto atrito em nosso pensamento que
Mal pude explanar meu verídico méleo declarar.
Fica exclusivamente com minha imagem insólita
E tua descrença avassaladora,
Esquece meu sobrenome.

Se não há progresso, há abandono.
O regresso traz as garras afiadas
Para te dilacerar
E te deixar morrer
Na imensidão do gelo vermelho.
Como reverter?
Não existe uma maneira de voltar.
Os que não permitem o que seria sê-lo,
Tornam-se o que fracassaram ao evitar,
E vemos o que seria ser, de outra maneira, o que seria.

Odeias o meu Eu presente,
Saudosa tu ficas com meu Eu passado,
Saudosa tu ficas com tua doença.
Odeias minhas (não) palavras,
Odeias minhas (não) ações.
O teu incômodo me renega,
Teu receio é meu partir.

O quão arcaico é o meu excogitar?
Minha perspectiva depravada
Sobre tua depravação...
Meu ponto de partida ultrapassado.
Minha resistência ao mudar...
"Cresça e apareça", tu deves ter pensado.

Há tanto o que eu possa aceitar,
Ainda que minha tolerância seja limitada 
Quando se trata do que compartilham comigo.
Ah, sim! Demonstro aqui minha lisa transparência:
Tenho o fascínio de caminhar pelas ruas
E depreciar cada peça avistada.
O óbvio! Tu apontaste!
Tu desvendas tudo, exceto
Tua própria descortesia.

Tu finges saber o que queres.
Não mais beberei de tua confusão,
Nem me afogarei na mesma.

Janeiro de 2017,
Thais Poentes

quinta-feira, 26 de abril de 2018

Meu regelo te omite,
Minha solicitude te faz sozinha,
Minha convicção te faz questionar,
Mas tuas palavras são friúras como eu.

Tua expectativa eu receio,
O teu término é meu início.

Percebo o tino declinar,
Tu jamais compreenderias.
Escuto os espectros clamarem:
Não poderia te satisfazer.

Tua consciência eu temo,
Minha penúria ateia em nós,
Meu flagelo é teu anelo
E teu apego me aflige.

Tua espera é meu martírio,
Somente teu arrebol me constata.

Avisto a mancha,
Tu nunca estarás segura.
Não anistiar-me-emos.
Imbuída, tu te tornas nosso remorso.

2014,
Thais Poentes
Não que eu precise saber, mas, as coisas não são assim e a gente precisa de um porquê, apesar de não ter um convincente.

Quero dizer, eu não me importo muito e chego a me importar até demais com as coisas. Isto é, se eu me importo, não me importo em me importar no que me importa.

Porque, se eu sei que não consigo conseguir o que consigo, ainda que não consiga, significa que eu tenho o que quero ter e não tenho nada do que eu queira.

Já citou R. Russo sobre os malucos da selva que começaram a uivar (não foi algo assim?! Quê?!), vou explicar para você: esses dementes não conseguem se importar com a frustração do que querem porque se importam.

No entanto, o sentido da vida reflete os bastidores de amendoim em cima daquele galho cor-de-rosa branco perto daquela fábrica de maçãs caramelizadas com recheio de abacate, com sabor de espinafre, com cheiro de banana, no formato de uma laranja triangular, por vezes azul e outras já nem sei.

Contudo, eles não conseguem entender que não entendem que não conseguem entender que não entendem. Deveriam entender, entende?!

Que conexão é essa? A razão nunca e sempre esteve corrompida!

“É isso aí”, foi o que eu ouvi numa rádio enquanto ouvia É Isso Aí. É isso aí.... Odeio essa música.

Só que a gente não percebe que não consegue perceber que não percebe que não consegue.

"Havia um navio voando, furaram os quatro pneus. Quantas laranjas ficaram? Nenhuma, porque pipoca doce não tem antena.", nos expôs um pensador contemporâneo desconhecido a lógica da coisa toda.

É! Está mais do que explicado. Meu papel foi feito.


(2013. Thais Poentes)

terça-feira, 24 de abril de 2018

Solidão e companhia são como um balão de festa para mim: é necessário ar, para não ficar murcho, mas não em excesso, senão ele estoura.

Companhia é meu ar e é também minha explosão. Solidão é meu vazio e é também o que me faz suportar o mundo.

É tudo a se interpretar.

Cansada de tentar explicar minhas dores, minha fuga, meu exílio. Exausta de demonstrar afeto quando o que me resta é aborrecimento. No fim há mais isolamento. E isso é assunto para outro texto... esse já ficou longo demais. Era para ter só um parágrafo.


(2013. Thais Poentes)

segunda-feira, 23 de abril de 2018

Não desejo teu olhar,
Não desejo tua pintura.
Morri a cada riso teu
E tua voz me trouxe confusão.

Daqui vou eu
Para o caminho da perdição.
Terei de me sobrepor
A cada louvor.

Não irei lhe enviar
O sopro do luar.
Não há por que em palavras explicar
A rejeição do saber de tua vinda ida.

Pelos letreiros passamos
Ao ouvir o sussurro
Que dizia aos nossos espasmos:
"Não siga teu urro casmurro".

Não é um surto qualquer,
Esvanece-me aquele malmequer.
Não desejo tua beleza,
Não desejo tua fortaleza.

Morri a cada toque teu,
E dali parti da performance...
Ela viu-me negar o que não é meu:
O fracassado romance.

A insensibilidade do teu considerar
Levou-me a somente tristeza acatar.
A árvore da arrogância não nasceu em mim,
Suas raízes te cegaram

E levaram-te a nisso acreditar,
Com teu muro de Berlim,
Na força que vem ti, assim,
Sem ao menos tua fraqueza observar.

Não há surpresa em nossa indiferença,
Teu estabelecimento fora definitivo.
Não desejo tua sentença de descrença,
Não desejo teu adesivo alusivo.

Nasci a cada noite de ira,
Meu soluço foi consecução.
E agora irei à açoiteira,
No festival da dissolução.

Janeiro de 2017,
Thais Poentes
É cedo! Os olhos ainda estão ardentes,
A brilhante luz solar incomoda, ainda que
Os feixes passageiros estejam tão fracos,
O sonho morre com música, acorda!
Desce as escadas, dois pés em cada,
O mundo real ficou na cama, agora sim,
Está na hora de se fantasiar para escola.
Preparando-se para as terríveis demoras,
Para onde palavras vêm, palavras vão,
Os olhos vão deixando a escuridão,
Não estão mais serrados como os de vilão.

Desce a rua, lá está a triste e fútil razão,
Quanto mais anda próximo fica do portão.
Lá está escrito liberdade de expressão,
Quanta mentira, arma usada para repressão
Vão lá, outros tijolos nas paredes,
Tentam ensinar o que é educação,
Mas não os culpo, eles também são só humanos,
E não entendem que é pura diversão.

Todos ficam felizes com o conhecimento,
A faculdade está próxima, mas já foi eleito,
Decide fazer direito, ilusão de conceito,
O futuro que aguarda é similar ao sujeito.
Lá está o mundo acadêmico e mentiroso,
Tão ardiloso, tão adiposo, nada amoroso.
Vão então os idealistas convictos do caminho,
Que caminho? É tudo um mero adivinho,
Com sorte será um cavaquinho, ouça...
Ouça... Ouça o piano tocar, é diferente,
É afinado, é refinado. Onde afinal ele está?
Vem de outro lugar, da orquestra do altar.

230 cordas podem muito mais que confortar,
Aos outros restam no máximo, doze, lamentar,
Se tiver sorte, sorte, muita, muita sorte,
Com a harpa consegue quarenta, ser forte.

Porém, ainda não existe ferramenta
Que possa fazer que esta enorme diferença
Passe a se consertar, e todos a chance dar.
A ilusão continua, aos poucos a vida extenua,
O tempo voa, são apenas algumas decisões,
Se erradas pisque o olho, o relógio passa,
Depois disso é só lamento, entenda a farsa.
Por isso é dura a ideia de errar, é preciso acertar,
A vida é apenas uma, isto nunca muda,
Para não precisar se lamentar e chorar.
Lembre-se sempre de se adaptar,
Pois caso o tempo passar...
Foi-se a chance de viver,
Foi-se a chance de enxergar.

- Augusto Fossatti 
Ontem conheci uma jovem portuguesa
em seus vinte e tantos anos.
Garota inteligente, essa tal de Florbela,
só não sei como não a conheci antes.

Essa moça tem um sorriso alegre, belo,
cativante em todos os sentidos possíveis,
mas parecia chorar por dentro de uma
maneira cheia de tristezas e lamentos.

Até que gostamos um do outro, porque
assim como ela sou todos os momentos
depressivo. Ela me contou como dói
estar tão triste e ninguém poder ouvi-la.

Sinto o mesmo. Deve ser por isso que
nos tornamos amigos tão rápido, eu e ela,
Florbela, nem precisou dizer-me tudo o
que queria dizer para me comprometer!

Prometo que vou ouvi-la como nunca,
como ninguém jamais ouviu antes,
pois se há uma coisa que como ela sei,
é ignorar palavras e ouvir sentimentos.

- Augusto Fossatti

domingo, 22 de abril de 2018

Onde queremos chegar?
Onde estamos agora?
O quanto podemos suportar?
Não podemos abandonar?

O que estamos tentando alcançar?
Que sonho é esse?
Qual o significado dessa luta?

Que poder possuímos?
O que quebramos?
E essa chuva incessante?

Até onde sua imaginação chega?
Em qual nível ela está agora?
E quantas tempestades ela aguenta?
O que acontece?

Talvez amanhã teremos nossa glória,
Porque é mais que compreender,
É ser imbatível.

2013,
Thais Poentes
Nunca desejei pertencer
Ao o que me compôs.

"Abandona tua sintonia,
Abandona teu tom
E terás tua dissonância".

Suas notas tiveram êxito
Nos fios que tremem
Às teclas da segregação.

Nessa trova havia a voz
Soando pelos ecos ao redor,
Citando trechos para uma rapsódia.

"Deixa para trás a simetria,
Deixa para trás aquele instante,
Persegue o Revérbero".

No seu recanto há desalento,
Do nirvana emergente
A beleza do instrumento.

Esta canção incisiva tem a taciturnidade
Do ruído. Fora delineada...
Sua discrepância teve meu acato
E sugou tudo que há em meu ente.
Fora retumbante!

Nela havia um aprisco,
Nele estavam guardados
Destroços do meu devaneio.

Desertei meu caminho,
Reneguei meu cilindro
E entreguei-me à torrente.

"Não passa de um expoente",
Diz toda aquela gente.

Junho de 2015,
Thais Poentes
A escuridão clareia minha mente.
De noite, jovem, danço
Imóvel, sonhando.

De olhos fechados posso ver
O que de olhos abertos deixei de perceber.

Não espero pela sorte,
Estou ocupada
Acreditando em coisas mais concretas,
Como a Noite.

Sinto que senti deixar de sentir.

Qual o preço?
Quais os sintomas?
Expliquem-me, nuvens da noite.
Compartilhem a sensação, nuvens.

Sete bilhões de pessoas
E precisei recorrer às nuvens da noite,
As que me sentem a cada palavra deitada.

Isso tem um nome...

2014,
Thais Poentes