Levados Pela Poesia

domingo, 1 de abril de 2018

FUTILIDADES

A Ira
Pintou um belo retrato,
Tudo indicava
As garantias não garantidas.

Todo olhar não deixou de notar
Os sentimentos impossíveis de evitar.
As banalidades ela fez com cuidado,
Abrangeu os detalhes complicados.

Todos os pedaços exigidos foram criativos,
As cores que surgiram ignoravam o positivo.

E lá nos trouxe o porquê:
Não acredita no que vê.

Seu orgulho leva-te à batalha,
Faz do sangue teu desejo mais severo.
Tudo o que estraga tem compreensão.
Seu impulso é sem perdão.

A obra congênita
De todos aqueles golpes do bom ser,
Que não vemos.

A dignidade perdida
Pelo medo de morrer,
Disso te convence a vida.

Mas, Ira, por que estava jogada ao chão?
Ora, tal injustiça!
E quem sustenta o Maior?

“É apenas um jogo”,
Fincado em sua mente.
Deram-te tempo,
E lá estava outro ser decadente.

“É para lutar, não papear!”,
Não existe paz.
“Não tem sensibilidade?!”,
Não existe paz.
“Ah, você verá!”,
Não existe paz.
“Não quero te ver por aqui!”,
Não existe paz!

Sem renda, sem respeito.
“Ostentação, status, o melhor, sim!”;
“E todas essas espadas?! Só uma, é o que peço...”.

Sem destaque, um título descartável.
“O problema é inteiramente seu”,
“Até que te entendo, mas não me importo com você”;
“Estou quase no topo, você vai ver!”.

Se a senhorita Ira ainda está por aqui,
Será bom ir para algum combate.
Permiti que ela me tomasse
E no final não obtive nada,
Além da própria.

Agora estou longe de ser
Aquela que todos têm mais admiração,
Só que tudo não passa de distração.

Dos velhos amigos tenho lembranças,
Quando tudo não passava de “pura diversão”.

O que vejo são os pensamentos:
“Esses são ultrapassados”;
“Ainda bem que já passei dessa fase”;
“Já que você é Um Qualquer,
“O que devo fazer?
“Ensinar-te? Ajudar-te?
“A melhor opção é usar-te!”.

Não existe paz.

2012,
Thais Poentes

Nenhum comentário:

Postar um comentário