Levados Pela Poesia

domingo, 8 de abril de 2018

OP.18 N.4 - SOU CONTRA O UNIVERSO

Ingratidão,
É só.
Nada mais pode nos oferecer.
Por mais que façamos tudo,
Por mais que tentemos tudo,
Ela nos afoga, nos sufoca,
A vida é injusta,
Essa injustiça amarga,
Tão amarga que nos faz pedir,
Clamar pelo mel mais doce,
Orar e pedi-la,
Todos os dias,
Suplicando por um caminho,
Tentando aceitar um destino,
Seja na arte, seja no esporte,
Na ciência, na filosofia,
No amor e no entretenimento,
Seja em qualquer canto,
Não recebemos nada.

A vida é um emprego,
Mais como trabalho escravo,
E batalhamos, lutamos,
Dizemos e morremos,
Para nada!
Moralizamos, construímos,
Para nada!
Iludimo-nos com progressos,
Sucessos e valores,
Para nada!
Viciamo-nos em prazeres,
Deleites passageiros,
Esquecemo-nos da aventura,
E agora?
Apenas volto para a casa,
Como se não fosse nada!
Mais uma vez fui pego por ela,
Pela peça de toda a vida!
Tão cruel com seus clientes.

Deveria eu sentir-me grato?
Por tanto desespero,
Por tantas dúvidas,
Por tantas verdades seladas?
Gratidão é uma mentira,
Uma calúnia,
Um grande e belíssimo erro.
Uma deformação da natureza,
Dessa vil natureza humana, e
Nós, nascemos indivíduos,
Mas crescemos civilizados,
Então revolto-me com a cidade,
Revolto-me com o estado,
Com o país,
Revolto-me com o planeta,
Com Órion, com a Via-Lactea,
Como o Aglomerado de Virgem,
E revolto-me contra tudo,
Sou contra o Universo.

- Augusto Fossatti 

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