Levados Pela Poesia

segunda-feira, 2 de abril de 2018

OP.2 N. 21 - XEQUE-MATE

Discurso de ligação entre vida e morte,
Não é sorte! Algo pertence a outro sentido,
Algo vivido! Não sei se pode ser explicado,
Ideal exilado! Continuo em busca do fim,
Sofro motim! Não posso, não posso perder,
Certo é vencer! O universo anseia a chegada,
Tão esperada! Minha combinação é eleita,
Estratégia perfeita! Minha chance é estreita,
Sorte respeita! Então, o que podemos fazer?
Não podemos morrer! Mas e se for necessário?
Não seja otário! Todos podem permanecer,
E se promover! Pois peões lutam e morrem,
Não correm! Enquanto aquelas belas rainhas,
Nada minhas! Podem simplesmente voar,
Podem sonhar! Sem a preocupação em cair,
Sem fugir! Sem ter medo de poder amar,
Consigo escutar! O sofrimento esguio,
Vem do vazio! Travando a incrível batalha,
No fio da navalha! Alguns morrem e sofrem,
Outros desentopem! Estamos no meio,
Nada é feio! É completamente o inverso,
Belo Universo! As pedras tomam as casas,
Desalojadas! A liberdade começa surgir,
O rei ri! Um deles terá que partir,
Sem ressurgir! A morte os aguarda na porta,
Mas não está morta! Vive bem, não quer ceder,
Alguém tem que morrer! E não há empate!
Sangue escarlate! Deve ser derramado,
Sem ser pecado! Nada é de pura e limpa invenção,
Na cópia da mão! O medroso é muito frágil,
Busca o plágio! Tratado como ser desprezível,
É algo invisível! Isto não é assim tão poético,
Soa estético! Palavras no sentido cético,
De fato são éticos! E o sono me mata,
Vem de gravata! Tudo muda perante a sorte,
Eu sou forte! Um erro ali é um erro sério,
Peça vai para o cemitério! A emoção não me corta,
Ela está morta! E a pena de tentar revivê-la,
Irá perdê-la! E por mais que brigue e esforce,
Grita, torce! Ninguém chega àquele final,
Que conceito banal! Essa velha coisa de honra,
Vos assombra! Ninguém quer viver torturado,
Grande humilhado! Então, por que não admitir?
É melhor desistir! Viver morrendo, estudando?
Para morrer trabalhando? Nisso há motivo?
De fato há sentido? Nada inteligente,
Ser competente! E em todas as pontas,
Pagará contas! Viver é um pecado indemissível,
Algo impossível! É um lamentável pudor,
Busco meu cobertor! Quanta vida vivida,
Agora sem saída! Encontro-me emboscado,
Não há lado! Queria poder agora voar,
Não suar! Ele vem se aproximando,
Intenso, amando! A espada está preparada,
Toda afiada! Há apenas uma maneira de escapar,
Da honra abdicar! Deixar-me escravizar,
Não matar! Então permaneço vivo,
Longe do perigo! Não sou nenhum idiota,
O mundo da volta! Mas para isso acontecer,
Precisa continuar sempre a viver, ou então,
Nossos nomes irão todos para o inferno,
E lá permanecerão, até o momento triste,
Em que todos eles tristemente perecerão.

- Augusto Fossatti

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