Levados Pela Poesia

segunda-feira, 23 de abril de 2018

OP.2 N.2 - ILUSÃO DE ÓTICA

É cedo! Os olhos ainda estão ardentes,
A brilhante luz solar incomoda, ainda que
Os feixes passageiros estejam tão fracos,
O sonho morre com música, acorda!
Desce as escadas, dois pés em cada,
O mundo real ficou na cama, agora sim,
Está na hora de se fantasiar para escola.
Preparando-se para as terríveis demoras,
Para onde palavras vêm, palavras vão,
Os olhos vão deixando a escuridão,
Não estão mais serrados como os de vilão.

Desce a rua, lá está a triste e fútil razão,
Quanto mais anda próximo fica do portão.
Lá está escrito liberdade de expressão,
Quanta mentira, arma usada para repressão
Vão lá, outros tijolos nas paredes,
Tentam ensinar o que é educação,
Mas não os culpo, eles também são só humanos,
E não entendem que é pura diversão.

Todos ficam felizes com o conhecimento,
A faculdade está próxima, mas já foi eleito,
Decide fazer direito, ilusão de conceito,
O futuro que aguarda é similar ao sujeito.
Lá está o mundo acadêmico e mentiroso,
Tão ardiloso, tão adiposo, nada amoroso.
Vão então os idealistas convictos do caminho,
Que caminho? É tudo um mero adivinho,
Com sorte será um cavaquinho, ouça...
Ouça... Ouça o piano tocar, é diferente,
É afinado, é refinado. Onde afinal ele está?
Vem de outro lugar, da orquestra do altar.

230 cordas podem muito mais que confortar,
Aos outros restam no máximo, doze, lamentar,
Se tiver sorte, sorte, muita, muita sorte,
Com a harpa consegue quarenta, ser forte.

Porém, ainda não existe ferramenta
Que possa fazer que esta enorme diferença
Passe a se consertar, e todos a chance dar.
A ilusão continua, aos poucos a vida extenua,
O tempo voa, são apenas algumas decisões,
Se erradas pisque o olho, o relógio passa,
Depois disso é só lamento, entenda a farsa.
Por isso é dura a ideia de errar, é preciso acertar,
A vida é apenas uma, isto nunca muda,
Para não precisar se lamentar e chorar.
Lembre-se sempre de se adaptar,
Pois caso o tempo passar...
Foi-se a chance de viver,
Foi-se a chance de enxergar.

- Augusto Fossatti 

Nenhum comentário:

Postar um comentário