Levados Pela Poesia

sexta-feira, 6 de abril de 2018

OP.4 N.2 - DOCE MADRUGADA

Não há nada como este vento frio,
Que passa longe de ser algo vazio,
Toca o corpo que dorme tranquilo,
A energia que aos poucos aniquilo.

Aqui você pode sempre continuar,
Há espaço para pensar e trabalhar,
Tranquilo! Ninguém daqui perturba,
Nossos pensamentos ela não usurpa.

E neste ponto quer sim prosseguir,
Não há porque não deixar isto fluir,
Esperar o céu clarear bem devagar,
Sentir como se o mundo fosse seu lar.

Não tenho vontade de vê-la partir,
Tudo isto quero continuar a sentir,
Mas as trevas não mais escurecem,
E no leste as nuvens já esclarecem.

Não tem tristeza, isto é frequência,
Da natureza sábia e de inteligência,
Não quero mesmo deitar e dormir,
Mas quero parar e o sono expelir.

Eu admito, meus olhos se fecham,
E aos poucos os queixos se queixam,
Mas sigo bem firme para continuar,
Quero ver o sol nascendo e brilhar.

Vou imaginando aqueles chineses,
Dormindo e sonhando mil vezes,
Os cachorros já latem e uivando,
O travesseiro já está chamando.

Os barulhos já não fazem sentido,
Não dão medo, o céu é esclarecido,
Portas começam de leve a se abrir,
E eu aqui, sem querer nada dormir.

Sem problema algum, meus caros,
Pois sigo escrevendo versos raros,
Mas aqui vou tendo que deixá-los,
Porém nunca irei deixar de amá-los.

E assim a madrugada inteira se vai,
Ninguém mais tem coragem e sai,
Assim vou indo para o travesseiro,
De forma calma, porém bem ligeiro.

Claro que não há ideia, não mesmo,
Só quero acabar isso desfrutando.
Momentos ilesos e fins tenebrosos,
Aguardam todos que estão amando.

- Augusto Fossatti

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