Levados Pela Poesia

terça-feira, 3 de abril de 2018

OP.6 N.15 - O VIAJANTE

Não posso cruzar o tempo do mundo,
Só passo por cada lugar que desejo,
E absolvo a cultura tranquila bem farta,
Que precede cada pedaço da natureza, 
E pelos caminhos incertos destas trilhas,
Passo o sul da américa tão verdadeira,
Que ainda preserva o toque ao passado,
Mantendo todos seus bens conservados,
Apesar da leve influência do santo norte,
A sorte são estas características fortes,
Que não podem largar os teus passados,
Sem deixar que se percam seus traços.

E pelos montes congelados do oriente,
Passo frio, mas logo me dão a estadia,
Desta comunhão concreta e bem educada,
Que praticamente nunca falha ou oscila,
E se meu consciente se lembra contente,
Minha alma se alegra ao ver tão descente,
Estas velhas tradições tão conscientes,
Que se mantêm reluzentes por séculos,
Como espadas que cortam inimigos,
E os amigos que por ela são protegidos,
Do futuro ou do passado dos ancestrais,
Preservados em suas armaduras vitais.

Não sei de onde vim ou o meu rumo,
Do meu passado sou livre, quero futuro,
Se fico ou se vou, eu não vou escolher,
Tudo que quero é viajar para espairecer,
E nestes tempos tão desestruturados,
Procuro um lar em que viva confortável,
Neste Universo tão completo e perfeito,
Onde cada espaço vazio é interditado,
Por linhas nativas de um povo isolado,
Que deveria se juntar a sempre dissipar,
Mas nada posso fazer nesta triste razão,
Por isso apenas prossigo com a diversão.

Com minha mochila e meu forte veículo,
Os pés e os ideais se mantêm loucamente,
Só penso em lugares novos; ir em frente,
Enquanto esta aventura dominar a mente,
Vou sempre disposto a subir montanhas,
Escalar paredes e atravessar as entranhas,
De todo e qualquer deserto bem vazio,
De toda névoa e frio que penetra forte,
Com este aconchego parado e viciante,
Ainda assim quero sempre ir para longe,
Quem sabe eu volte, mas vou indo embora,
Pois o mundo é grande; volto outra hora.

- Augusto Fossatti 

Nenhum comentário:

Postar um comentário