Levados Pela Poesia

segunda-feira, 28 de maio de 2018

Tua consciência está difundida...
Larga-a
E pula daquele precipício.
Ao caíres, ela perdida estará.
Agora, ela não mais se encontra.

Não existe tua respiração,
Teu palpitar;
Acabou tua percepção,
Findou-se tua emoção.

Aflição!
Em um singelo salto...
Neste simples ato
De ir de encontro à terra longínqua,
Que sua proximidade levar-te-á consigo
E sobrepor-se-á a ti, sendo tu apenas dela,
Não é mais teu o teu próprio Eu!

Culmina-se tua noção sobre as coisas,
Deixou tão brevemente teu lesto tento.

Obliterara-me da doravante ebulição...
Cogitei minha antelação
Remanescente,
Despeço-me do meu discernimento...
Subitamente,
Sem um único protraimento.

Este é meu definitivo
Adeus.

Novembro de 2016,
Thais Poentes

domingo, 27 de maio de 2018

Eles caminham
para lá e para cá,
procurando por alguma coisa.
Ela parece os seguir,
a dama tão linda,
como a Mary no meio
de Byron e companheiros,
assim eles fizeram com que
eu me recordasse dessa imagem
que na verdade nunca vi,
mas que sempre imaginei
ao ler o prefácio de Frankenstein.

O rapaz era tão sereno
que transmitiu-me a paz
de quem contempla a arte
e com humilde atitude
a reproduz por bel prazer.

Ora, como os vi em
filosofia e clássicos,
logo depois em
poesia, concluí que fossem
no mínimo racionais,
e sua aparência de
entusiastas demonstraram-me
certa independência...
não sei como explicar.

Se estiverem lendo este
poema, saibam que como
existência vocês me
inspiraram a escrever, e
humanos que inspiram estão
em falta atualmente.

(Augusto Fossatti)

sexta-feira, 25 de maio de 2018

Para qualquer lugar que olho,
Vejo um labirinto impossível,
Sua imensidão assusta bastante,
Não há mais saída visível,
Mesmo que quisesse achá-la,
Seria difícil conseguir fugir,
Mas não quero nem pensar,
Porque é exatamente neste lugar,
Que minha pessoa quer estar.

As curvas deixam de existir,
Cada esquina se fecha rápido,
Não há solução ou partida,
Só há como ficar e não hesitar,
E os corredores se estreitam,
Eu não posso mais me mover,
Eu não posso tentar correr,
Não posso mais nem planejar,
Não quero nem mais morrer.

Não importa se é loucura,
Não ligo se é falta de estrutura,
É uma aventura bem estridente,
Enorme, sorridente e pacífica,
Que me leva a velhos nortes,
Trazendo-me um novo timbre,

Minha canção mais espiritual,
Que meu consciente exibe,
Como algo letal e sem igual.

Às vezes a saída fica aberta,
Quando diz que não sabe,
Falando que não pode lidar,
Mas eu a ignoro sem pensar,
E logo tudo se fecha outra vez,
Sigo o meu rumo perdido,
Sinto-me de inteiro vendido,
Mantendo-me o livre destino,
Não me vejo de fato iludido.

E neste futuro tão incerto,
Não posso deixá-la escapar,
Está tão em braços abertos,
Entreguei-me sem imaginar,
Não pensei em risco algum,
Não quis nem me preocupar,
Mas não me arrependi ainda,
E nem irei passar por isso,
Não resisto à sua face linda,
E aqui dentro será bem-vinda.

(Augusto Fossatti)
Neste enorme desespero busco conforto,
Não! Por que é tão difícil sentir-se pleno?
Ignoro as possibilidades, ignoro meu aborto,
Estou aqui disposto, não estou morto,
E luto contra a morte com instinto natural,
Mas viver é uma lástima, não desejo a ninguém,
Se eu tivesse a chance de escolher, escolheria,
Nenhuma criança novamente nasceria.

Após o ventre, a derrota é a única causa,
Está lá nos aguardando há séculos e séculos,
Ninguém consegue ver como é tudo interligado?
Acho que os Deuses estão fantasiados.
Aparecem grandes mestres e sábios da vida,
Ninguém pode me dar uma bebida?
Ninguém pode me oferecer um simples jantar?
Apesar de parecer vivo, mas eu não estar,
Nem sempre a realidade deixa algo a reparar.

Destruo barreiras, evoluo e transformo,
Ainda assim o tédio domina todos os cantos,
Nada que eu faça me anima aos encantos,
Todos saem tristes, então saia logo, não morra.
Minha realidade corrói sua mente,
Para aguentar tudo, precisa ser um decadente.

Não podemos ver além da superfície,
Não nos deixam saber o que está acontecendo,
Só podemos tirar conclusões do que já conhecemos,
E assim o medo se aproxima forte e ileso.
Pois então, o que todos nós aqui faremos?
Eu sei, é uma pergunta idiota, afinal,
Quem não se importa continuará vivendo,
Continuará fazendo porta, usando cola!

Preste atenção nesta vibração de sua mão,
Ainda há tempo para se libertar da mentira,
Estes vestígios marcam história, marcam momento,
Não sei o que fazer, só sei que não aguento.
O tempo está correndo e minha angústia aumentando,
Não vejo motivos para mais desespero,
Sigo em frente sem olhar para o travesseiro,
Momento difícil, após isso tudo, nada importa.

Literais banhos de água fria são medonhos,
Mas oferecem-te algo que nada mais lhe dá,
Com a natureza consegue um contato verdadeiro,
O vento batendo em seu corpo e aquecendo.
Esta reação é incrível, e o mais importante,
Já não mais enxergo o que escrevo,
Pareço estar ficando velho antes do tempo,
Enfraquecido e cansado pelas lástimas do sentimento.

Ninguém sabe pelo o que estamos passando,
Opiniões são bem-vindas, quando pedidas,
Luto sempre a favor da destreza e clareza,
Só posso deixar o tempo partir e assim,
vencer minha fraqueza.

(Augusto Fossatti)

domingo, 20 de maio de 2018

Transforme-se em nada para ser mais...
Transforme-se em nada para ser alguma coisa.
Transforme-se em nada para ser mais um nada.

Veja, seu nível está abaixo de “nada”,
Transforme-se em nada para melhorar.
Transforme-se em nada para ser nada.
Transforme-se em nada para não ser mais nada.

2012,
Thais Poentes
As coisas me parecem um passado distante, até mesmo as de horas atrás, como se tivessem acontecido há muito mais tempo.

Estranho...

Este texto claramente não deveria existir.


(2014. Thais Poentes)
Deitei sobre folhas outonais
Acarretadas pela palma do vento,
Esbarra em meu rosto a semi esperança.

Ouço a chuva cair,
Posso deferir os pingos ao baterem no chão,
Mas, esses pingos não são da chuva,
São as lágrimas
Diretamente do meu coração.

Uma dança imóvel
Aprecio no silêncio,
A cantoria sussurrante
De Novembro.

E algo que se desfez,
Não se faz mais.
Vi um olhar sorridente
No reflexo de um olhar inerte.

A pulsação da desolação
Pode nos desnortear
E a flor
Nunca mais brotar.

Abriga consigo ilusões,
A lua nova mostra toda sua beleza
De não estar ali
E ao mesmo tempo estar.

Relaxa o físico,
A mente não segue seu ritmo,
Os sentimentos confusos são;
Os confusos são sentimentos.

E, ao repousar,
Lá estão os estalos das folhas,
Fazendo fragor ao reclino.

Novembro de 2014,
Thais Poentes
Enxergo que fui o que fui,
Não há por que me dizer.
Porém não espero que
Perdoe-me.

Se me disser que
Não deve me perdoar,
Então não deve me perdoar.

Se achar que
Eu mereço teu perdão,
Mantenha-se longe.

Se pensa que
Sou passiva do teu perdão,
Tenha a noção de que
Eu não quero ser perdoada.

Aceito-te,
Deixo-te ser o que é,
Não deve ser perdoado,
Não precisa.

Não há o que perdoar,
Não me perdoe.
Sou desta índole,
Aceite-me.

2014,
Thais Poentes
Fechei meus olhos,
Ela foi a primeira imagem.
Cada toque contou, é verdade.

O que desejei
Não fez mal a ninguém.
Ela negaria a rotação inocente?
Pois, quando ela virava, virávamos.

Contei o encanto,
Ele surgia no ar
Toda vez que a via,
Ela me olhava.

Pensar nela
Fez-me flutuar.
Tão mágica,
A doce pétala
Prestes a se secar.

Não passou de uma
Brilhante estrela morta
No céu longínquo e indiferente,
Lá tentei tocá-la.

Agora não me resta brilho,
Nem vida.
Acabou-se tudo,
Ela foi a última confissão preferida.

Maio de 2018,
Thais Poentes
Meu mundo:
O sol não alcança,
Inexistente é a esperança,
Está tão fora e é deste universo.
Ainda assim, a luz é sua essência,
A solidão marca presença,
O afeto é desilusão.
O ar é poesia,
Alimento-me de fantasia.
Preste atenção, pobre múmia,
Bebo atrocidade,
Estou fora desta cidade,
Tenho a harmonia
Do desgosto e da folia,
Veja meus passos,
Caminho sobre cactos.
A vida é arte,
A arte imita a vida,
Eu imito a tristeza
E me torno cúmplice perdida.
Não há nada aqui,
Nem saída.
Cadê a razão?
Morreu nas cordas frouxas do violão,
Predominante é o desprezo
E a desconsideração.
O que me ronda é melancolia,
Agarro-me ao niilismo,
Tomo-me em um copo de plástico amassado,
Estou indo fundo no conde do vácuo.
Odeio meu colchão,
Gosto do meu travesseiro.
Percebo o cheiro,
Que é ruim, impregnado
Em mim o dia inteiro.
Tomara que eu tropece
Na aura falecida
Das minhas vestes esquecidas.

Maio de 2018,
Thais Poentes
Hoje quero escrever algo que vá lhe comover,
Expressarei tão bem
Que jamais alguém possa não se envolver,
Algo que das palavras irei além.

Desejo ensaiar
Minha doce poesia,
Que faz um tempo
Que não a exercia.

Temperarei toda compreensão com mistério,
Trarei à tona meu critério.
  Poema nunca finalizado.
2013,
Thais Poentes

quinta-feira, 17 de maio de 2018

Essa é a data: 18 de fevereiro de 2011.
Isolada, tão sozinha,
Lembrou-me a mim mesma,
Fitava-me e,
Antes de escolhê-la,
Escolhera-me.

Senti subitamente tal elo,
O céu contemplou,
O vento consentiu,
Brotou o afeto em meu eixo aflito.

Eu a vi para esvanecer,
Eu a vi decaída,
Vi sua ferida,
Que duplamente em mim doía.

Um tanto depois,
Minha plangência a trouxe de volta,
Pois comigo deve permanecer,
Mesmo que sucumba seu carnal.

Minha estima será eterna,
Tu és a luz do meu sopro vital,
Sem ti eu sombria estaria,
Ainda na negligência do alento.

Dessarte, que ela me dê seu toque,
Serene minhas turbações.
Acariciar seu brando
E, então, afogar-me em ternura.

Tu és o que me desperta
Em cada declínio.
Fica na minha trilha,
Sê meu paradigma.

Sem ti longínqua eu estaria,
Tomar-me-ia o receio,
Na morte eu submergiria,
Até, de fato, partir.

Envolvo-te em meus braços,
Não permitas que eu pranteie.
Mira meus olhos,
Ampara meu rosto.

Pronuncia para mim, da tua maneira,
O quanto sentiste minha falta,
Deixa-me mostrar-te o recíproco.
Esteja comigo.

Escrever sobre ti dilacera-me:
Minha alma clama,
Meu coração em prantos chama
E meu ser desmorona.

Tira-me a fúria,
Nega minha solidão,
Extirpa meu pesar.
Esteja comigo.

Limpa-me com um toque,
Varre tudo que reside em mim,
Mostra-me o afável,
Permite-me senti-lo.

Espreme as angústias,
Aponta-me o que importa,
Não deixes que eu caia.
Esteja comigo.

Tu és minha canção,
Tu és meu caminho,
Não assente que eu perca meu trilho.
Esteja comigo.

Arranca-me do mar,
Com todas aquelas ondas
De desolação, de mágoas,
E conceda-me acolhimento.

Não permitas que eu chore a noite inteira,
Não concordes que eu chore agora,
Tu és meu único sedativo.
Ah, esteja comigo!

Tua presença
Faz-me viva.
Une a vida e a paz
Em tua voz.

A vida é miserável,
Mas contigo a tomo de forma amigável,
Não possibilites que eu me perca.
Esteja comigo.

Quebra minhas maldições,
Calça-me o sorriso,
Retrata-me o belo horizonte.
Esteja comigo.

Tira-me da sujeira,
Toma meus segredos,
Faz-me vê-los pequenos,
Deixa-me ser o que quero ser.

Que tu, minha vida,
Que tu, meu amor,
Que tu, minha pequena,
Esteja comigo.

Suplico-te,
É tudo que desejo,
É tudo que preciso...
Esteja comigo.
  Este poema é uma dedicatória para minha amada bichana Gatinha.
2014,
Thais Poentes

domingo, 13 de maio de 2018

Ter-te é não exceder uma mera confissão,
Não te ter é o que transfigura a vida uma ilusão.
Encontrar-te é o segmento de uma visão,
Não te encontrar coincide com toda concepção.

No íntimo do espelho levo tua emoção,
Por entre as sombras está minha motivação,
Só não esperes que elas nós possamos desconsiderar,
Uma vez que a virtude dos sentidos
Não se resume em contemplar.

Distante, não muito remoto, se encontra o assoviar,
Ecoando pelos cantos do suicídio, tal Memória,
Colore não mais que uma temporada,
Se funde em uma sensação condensada.

Teu espírito ativo, efetivas e tens de perpetrá-lo.
Levas tudo, tomas, pegas, é teu, ao menos o crês.
Não estou a negar-te qualquer dileção,
Se pudesses discernir como o faço,
Como apeteço que não cometas, por definição, tua consideração.

Vês agora algo de estima,
Dispões de cada sina,
O exordial aspiras,
O anseio transpiras.

Lastimável. Tão melancólico...
Não há beatitude na beldade da brenha.
Todavia, tal gosto pelo expelir
Ficou para que te contenhas.

Meu regalo parte de cada teor,
Meu exalo provém do tenro,
Meu receio ascende do transcorrido.

Perduras e remanesces, e me levas contigo,
Puramente para atinares meu epitáfio.
Este estorvo parece um refrigério,
Sua canção há de estar consigo.

Tudo: foi o que me restou
Para lhe entregar, o primordial,
Como sempre o desejaste;
Ter um conjunto espiral.

Parte agora para o âmago.
Agradeço teu âmbito, me trazes
E me livras de tal praga,
É agora parte de algo que dificilmente estraga.

Não, não rememores te conter.
Transijo tua necessidade, teu ser;
É uma província bem-vinda,
Mas que tua raiz de fácil se finde.

Novembro de 2015,
Thais Poentes
Permitem-me solidão, que ótimo!
Tomam a deserção como pecado.
Uma alma romântica
E sua vida sem romance,
Meu decesso sentido,
Minha plangente perspectiva,
Solstício de inverno.

Julho de 2017,
Thais Poentes
Cores do dia queimam com seu significado:
Espírito de fogo.

Corra!
Fugindo se pode notar
O que não escapou dos olhos alheios,
O relato de empatia,
A consideração da razão.

Muito mais do que já se viu.
Isto é, se foi visto o pássaro preso.

Como o giro de pião,
Fora quebrado o ritmo do processo.

Observa a manhã
E imagina
Uma confiança
Bela,
Que o faz chorar.

Sente o que estava bem no passado,
Deixa para trás o que havia lhe abalado.
Eu sei que por que ele fugiu.

O que lhe mostram não é nada.
A sensação da mudança
Familiar:
Quem o concede a apresentação?

A luz interna,
Aquela que o aqueceu,
Passa a enganá-lo
E ele permite.

Compreende o amanhecer,
Percebe a verdade
E dá risada.
Vive uma mentira atraente...
Tão divertido é seu afligimento!

Vaga
E ignora o que ninguém pôde lhe dar.
Eu não sei,
Por que fugiu?

2013,
Thais Poentes

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Vem a noite
E lá estão os desanimados
Ensaios para se libertar
Deste mundo
E suas incógnitas.

Corpos carregados
Por mãos daqueles
Que os impulsionaram
À batalha.

Os arrasados pranteiam,
Parece que se esforçaram...
E esta dor é tão errônea.

Veja, o temos na decadência,
Alguém sabe desta piada
Tão morta.

2015,
Thais Poentes
Não que eu estarei a cá,
E bem poderia estar,
Não necessariamente presente,
Mas em um determinado lugar.

Rodeada de gente,
Vendo o que não se vê:
O que, quem quer,
Consegue perceber.

Talvez eu não enxergue,
E sinta
O que ninguém jamais sentiu –
Ou esse seja como qualquer outro sentimento.

Não expecto sua confiança.
Não aguardo nada
Além das manchas.

O que faz alguém ser alguém?
Por que é que você está aqui?

Sem muito sentido –
Bem, até demais –.
É capaz de ouvir?

"Nenhuma dor acha o que não existe".

O que mais fiz foi esperar.

Dormirei.

2013,
Thais Poentes
Achei-me outra vez,
não estou mais perdido,
a bússola que estava quebrada,
consertei...

Se eu já disse isso antes,
Jamais estive tão convicto,
pois nunca tinha percebido,
a extensão de meu poder.

Poderia conquistar o mundo,
abrir mares, o sol parar,
mas prefiro ficar no quarto,
isolado para estudar.

(Augusto Fossatti)

terça-feira, 8 de maio de 2018

  Este poema é uma releitura da composição O Dia Em Que Eu Mais Chorei, de Marcos Mafra. É, também, inspirado pelas personagens Cristina e Isabel da série de televisão espanhola Tierra dos Lobos.
Um ser, um desejo:
O mundo é bem maior.
Um ser, um sonho:
O mundo é bem menor.

Há uma angústia que me condena
Pela eternidade,
Pois a vida é pequena
E imensa.

Na noite em que o inverno mais frio soprou,
Você se foi
E eu permaneci

Tão triste,
A me decompor,
Pela ausência
Do teu afeto.

E quando você sucumbiu,
Eu não te procurei.
Na verdade, não encontrei.

E foi dessa forma que me alucinei.
Eu me recordarei daquela chuva
Que caia sobre e dentro de mim.

Na noite em que mais sofri,
Eu escrevi esta canção
Em vista de minha mutilação,
Pelo dia em que mais corri
Da realidade tão perto de mim.

Na noite em que o inverno mais frio soprou,
Ser forte a vida ensinou,
Forte para com a própria dor,
Que te torna tão frágil e vazio.

E na noite em que o inverno mais frio soprou,
Eu desaprendi o que é viver...
Viver feliz sem você;
Sem expressão, sem me mexer.

E na noite em que o inverno mais frio soprou,
Eu pensei: "Não vou esquecer",
E acabei por lembrar
Que já esqueci o que é amar.

Porque não dá para esconder
A agonia que me compõe.
Tão fácil é ignorar
O quão difícil é não notar.

Queria eu ser alguém
Que talvez visse além,
Além de toda solidão
Que reside em meu coração.

Na noite em que eu mais sofri,
Pensei nunca mais sorrir,
Depois me peguei a gargalhar,
Que somente disfarçava

O pesar que me reluz
A relatar minha própria cruz.
A noite em que o inverno mais frio soprou
Não foi hoje tampouco ontem.

Coisa nenhuma posso declarar,
Mas essa noite chegará.
Sua aflição que já sinto,
Porquanto ainda não entendo.

Um ser, um esconderijo:
O mundo é bem maior.
Um ser, um medo:
O mundo é bem menor.

Na noite em que mais sofri,
Sofrerei por já sofrer.
Portanto, ainda sofro
E sofri porque vou sofrer.

Outrora avisto alguma luz,
Qual tem o risco de se apagar,
E o receio que me conduz
A escrever um Presente Passado para o Futuro.

Talvez neste momento eu possa respirar,
Já que morri por nada,
Pela noite em que mais sofri,
Que sofrerei, eu sei que sim.

Não quero mais me abrandar,
Nem a ti, que já não sonha,
Pela noite em que mais sofreu,
O desespero que o corroeu.

Na noite em que o inverno mais frio soprou,
Eu sei que será porque te amo,
E nessa noite já não haverá
Nenhum amor a expressar.

A vida segue tão sombria,
Por um dia o qual ela se findou,
Por uma noite em que mais sofri,
E assim extinguiu-se a pessoa um dia doce.

Na noite em que o inverno mais frio soprou,
Eu fui,
E fui porque fiquei,
Fiquei a te lamentar,
E fui me amaldiçoar...

Aspiração seletiva,
A essência é efetiva.
Na noite em que o inverno mais frio soprou,
Tudo se perdeu,
E o sentir não mais se antedeu.

A flor que me sepulta,
Nessa terra que me encobre,
Cresce e ganha vida com a chuva.
Eu viajei em um fulgor nada nobre.

Eu sei, não nego,
Não existe coisa mais relevante
Nem menos importante
Do que a noite em que o inverno mais frio soprou.

Eu parti, não mais voltei,
E agora sou meu próprio lampejo,
Que só a sombra transmite,
Pelo prenúncio que mais neguei
No simulacro de palavras.

No encalço de cada negação há um ardor,
Desgosto pelo o que não precedeu.
Na noite em que mais sofri
Eu mal respirei.

Pressinto o vento que não flui,
E logo a cova me seduz
Pela noite em que eu mais sofri,
Ela já não estava ali.

Na noite em que o inverno mais frio soprará,
Eu estarei a delirar...

2014,
Thais Poentes