Levados Pela Poesia

domingo, 13 de maio de 2018

AMPARO DO BARRO

Ter-te é não exceder uma mera confissão,
Não te ter é o que transfigura a vida uma ilusão.
Encontrar-te é o segmento de uma visão,
Não te encontrar coincide com toda concepção.

No íntimo do espelho levo tua emoção,
Por entre as sombras está minha motivação,
Só não esperes que elas nós possamos desconsiderar,
Uma vez que a virtude dos sentidos
Não se resume em contemplar.

Distante, não muito remoto, se encontra o assoviar,
Ecoando pelos cantos do suicídio, tal Memória,
Colore não mais que uma temporada,
Se funde em uma sensação condensada.

Teu espírito ativo, efetivas e tens de perpetrá-lo.
Levas tudo, tomas, pegas, é teu, ao menos o crês.
Não estou a negar-te qualquer dileção,
Se pudesses discernir como o faço,
Como apeteço que não cometas, por definição, tua consideração.

Vês agora algo de estima,
Dispões de cada sina,
O exordial aspiras,
O anseio transpiras.

Lastimável. Tão melancólico...
Não há beatitude na beldade da brenha.
Todavia, tal gosto pelo expelir
Ficou para que te contenhas.

Meu regalo parte de cada teor,
Meu exalo provém do tenro,
Meu receio ascende do transcorrido.

Perduras e remanesces, e me levas contigo,
Puramente para atinares meu epitáfio.
Este estorvo parece um refrigério,
Sua canção há de estar consigo.

Tudo: foi o que me restou
Para lhe entregar, o primordial,
Como sempre o desejaste;
Ter um conjunto espiral.

Parte agora para o âmago.
Agradeço teu âmbito, me trazes
E me livras de tal praga,
É agora parte de algo que dificilmente estraga.

Não, não rememores te conter.
Transijo tua necessidade, teu ser;
É uma província bem-vinda,
Mas que tua raiz de fácil se finde.

Novembro de 2015,
Thais Poentes

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