Levados Pela Poesia

domingo, 20 de maio de 2018

BOCADO

Meu mundo:
O sol não alcança,
Inexistente é a esperança,
Está tão fora e é deste universo.
Ainda assim, a luz é sua essência,
A solidão marca presença,
O afeto é desilusão.
O ar é poesia,
Alimento-me de fantasia.
Preste atenção, pobre múmia,
Bebo atrocidade,
Estou fora desta cidade,
Tenho a harmonia
Do desgosto e da folia,
Veja meus passos,
Caminho sobre cactos.
A vida é arte,
A arte imita a vida,
Eu imito a tristeza
E me torno cúmplice perdida.
Não há nada aqui,
Nem saída.
Cadê a razão?
Morreu nas cordas frouxas do violão,
Predominante é o desprezo
E a desconsideração.
O que me ronda é melancolia,
Agarro-me ao niilismo,
Tomo-me em um copo de plástico amassado,
Estou indo fundo no conde do vácuo.
Odeio meu colchão,
Gosto do meu travesseiro.
Percebo o cheiro,
Que é ruim, impregnado
Em mim o dia inteiro.
Tomara que eu tropece
Na aura falecida
Das minhas vestes esquecidas.

Maio de 2018,
Thais Poentes

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