Levados Pela Poesia

sexta-feira, 25 de maio de 2018

OP.3 N.16 - SEM SAÍDA

Para qualquer lugar que olho,
Vejo um labirinto impossível,
Sua imensidão assusta bastante,
Não há mais saída visível,
Mesmo que quisesse achá-la,
Seria difícil conseguir fugir,
Mas não quero nem pensar,
Porque é exatamente neste lugar,
Que minha pessoa quer estar.

As curvas deixam de existir,
Cada esquina se fecha rápido,
Não há solução ou partida,
Só há como ficar e não hesitar,
E os corredores se estreitam,
Eu não posso mais me mover,
Eu não posso tentar correr,
Não posso mais nem planejar,
Não quero nem mais morrer.

Não importa se é loucura,
Não ligo se é falta de estrutura,
É uma aventura bem estridente,
Enorme, sorridente e pacífica,
Que me leva a velhos nortes,
Trazendo-me um novo timbre,

Minha canção mais espiritual,
Que meu consciente exibe,
Como algo letal e sem igual.

Às vezes a saída fica aberta,
Quando diz que não sabe,
Falando que não pode lidar,
Mas eu a ignoro sem pensar,
E logo tudo se fecha outra vez,
Sigo o meu rumo perdido,
Sinto-me de inteiro vendido,
Mantendo-me o livre destino,
Não me vejo de fato iludido.

E neste futuro tão incerto,
Não posso deixá-la escapar,
Está tão em braços abertos,
Entreguei-me sem imaginar,
Não pensei em risco algum,
Não quis nem me preocupar,
Mas não me arrependi ainda,
E nem irei passar por isso,
Não resisto à sua face linda,
E aqui dentro será bem-vinda.

(Augusto Fossatti)

Nenhum comentário:

Postar um comentário