Levados Pela Poesia

terça-feira, 8 de maio de 2018

TERRA DE TI

  Este poema é uma releitura da composição O Dia Em Que Eu Mais Chorei, de Marcos Mafra. É, também, inspirado pelas personagens Cristina e Isabel da série de televisão espanhola Tierra dos Lobos.
Um ser, um desejo:
O mundo é bem maior.
Um ser, um sonho:
O mundo é bem menor.

Há uma angústia que me condena
Pela eternidade,
Pois a vida é pequena
E imensa.

Na noite em que o inverno mais frio soprou,
Você se foi
E eu permaneci

Tão triste,
A me decompor,
Pela ausência
Do teu afeto.

E quando você sucumbiu,
Eu não te procurei.
Na verdade, não encontrei.

E foi dessa forma que me alucinei.
Eu me recordarei daquela chuva
Que caia sobre e dentro de mim.

Na noite em que mais sofri,
Eu escrevi esta canção
Em vista de minha mutilação,
Pelo dia em que mais corri
Da realidade tão perto de mim.

Na noite em que o inverno mais frio soprou,
Ser forte a vida ensinou,
Forte para com a própria dor,
Que te torna tão frágil e vazio.

E na noite em que o inverno mais frio soprou,
Eu desaprendi o que é viver...
Viver feliz sem você;
Sem expressão, sem me mexer.

E na noite em que o inverno mais frio soprou,
Eu pensei: "Não vou esquecer",
E acabei por lembrar
Que já esqueci o que é amar.

Porque não dá para esconder
A agonia que me compõe.
Tão fácil é ignorar
O quão difícil é não notar.

Queria eu ser alguém
Que talvez visse além,
Além de toda solidão
Que reside em meu coração.

Na noite em que eu mais sofri,
Pensei nunca mais sorrir,
Depois me peguei a gargalhar,
Que somente disfarçava

O pesar que me reluz
A relatar minha própria cruz.
A noite em que o inverno mais frio soprou
Não foi hoje tampouco ontem.

Coisa nenhuma posso declarar,
Mas essa noite chegará.
Sua aflição que já sinto,
Porquanto ainda não entendo.

Um ser, um esconderijo:
O mundo é bem maior.
Um ser, um medo:
O mundo é bem menor.

Na noite em que mais sofri,
Sofrerei por já sofrer.
Portanto, ainda sofro
E sofri porque vou sofrer.

Outrora avisto alguma luz,
Qual tem o risco de se apagar,
E o receio que me conduz
A escrever um Presente Passado para o Futuro.

Talvez neste momento eu possa respirar,
Já que morri por nada,
Pela noite em que mais sofri,
Que sofrerei, eu sei que sim.

Não quero mais me abrandar,
Nem a ti, que já não sonha,
Pela noite em que mais sofreu,
O desespero que o corroeu.

Na noite em que o inverno mais frio soprou,
Eu sei que será porque te amo,
E nessa noite já não haverá
Nenhum amor a expressar.

A vida segue tão sombria,
Por um dia o qual ela se findou,
Por uma noite em que mais sofri,
E assim extinguiu-se a pessoa um dia doce.

Na noite em que o inverno mais frio soprou,
Eu fui,
E fui porque fiquei,
Fiquei a te lamentar,
E fui me amaldiçoar...

Aspiração seletiva,
A essência é efetiva.
Na noite em que o inverno mais frio soprou,
Tudo se perdeu,
E o sentir não mais se antedeu.

A flor que me sepulta,
Nessa terra que me encobre,
Cresce e ganha vida com a chuva.
Eu viajei em um fulgor nada nobre.

Eu sei, não nego,
Não existe coisa mais relevante
Nem menos importante
Do que a noite em que o inverno mais frio soprou.

Eu parti, não mais voltei,
E agora sou meu próprio lampejo,
Que só a sombra transmite,
Pelo prenúncio que mais neguei
No simulacro de palavras.

No encalço de cada negação há um ardor,
Desgosto pelo o que não precedeu.
Na noite em que mais sofri
Eu mal respirei.

Pressinto o vento que não flui,
E logo a cova me seduz
Pela noite em que eu mais sofri,
Ela já não estava ali.

Na noite em que o inverno mais frio soprará,
Eu estarei a delirar...

2014,
Thais Poentes

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