Levados Pela Poesia

domingo, 24 de junho de 2018

Ler-te e te sentir
É o mesmo que querer não existir.

Pensar em ti
Entristece-me a alma,
Como uma alvorada
Infinita
Prestes a se acabar,
Que finda minha estima,
Ao mesmo tempo que
Eleva-a.

Não me entenda mal,
Mas também não o faça bem.
Sabe de minhas ociosas intenções do abolim,
Embora desconheça meu acordeom.

Decepciona-me,
Assim como o fiz,
Para ti, para mim...
Somos semelhantes
Em nossas falhas.

Não te envolvo sequer em planos banais,
Porém tua imagem se faz presente
Nos pensamentos mais abissais.

Não, não posso aceitar suas palavras...
Não mais.
Despreze as minhas, é o que te peço.
Siga em frente, esqueça esse nosso resto.

Março de 2016,
Thais Poentes
“Amo-te”, escreveu para mim.
Um grande impacto,
Tocou-me quando vi.
Palavras intensas,
Com a mesma profundidade
Da dúvida que carregam consigo.

Reli, “Amo-te”,
E sorri.
Imobilizada,
Quero saber,
Como?
E por quê?

“Amo-te”.
Receio um movimento,
Um suspiro.
Acho que a quero...

Consumo meu pranto,
Nunca tive escolha.
Ela assume o controle.

Embarco em um mundo
Onde ela está,
Meu coração implora
E pergunta
“Por que não?!”.

“Amo-te”.
Amo-te...

Março de 2013,
Thais Poente
Tentada, tento cada tentativa,
Questiono minha capacidade,
Minha lucidez e relação com a vida.

Como ajeitar algo
Que desajeito constantemente?

Perdida estou,
Nos meus sonhos mergulho,
Foi o que restou
Para me ajudar.

Tenho pressa
E necessidades.
Estou reprimida,
Exijo liberdade!

Acharei no tempo
A demorada
Paz?

2012,
Thais Poentes
Se eu ver o que mais temo,
Se já vi e não sei...
Se me importa?!

Poderia eu dizer coisas
Para a pessoa cobiçada,
Porém, com a falta de coragem,
Não digo nada.

2012,
Thais Poentes
Agora eu sei o que fiz,
Eu realmente vejo:
Fiz nada,
Fazendo tudo.
Só não entendo...
Fiz tudo,
Fazendo nada.

2012,
Thais Poentes
 Este é um relato de um sonho de 2013.
Parte I

Ah, do meu tronco ele é o condutor,
Deixou vestígios e o contraste estava em mim,
Para que eu pudesse aceitar o credo sedutor,

Sento-me defronte ao seu cavalo,
Penso que não passo de capim,
Seu olhar muda em um estalo,

Em minha mente o som do clarim,
Surpreendente primária possessão,
Sua energia tem forte radiação,
Diz um nome, não o de seu manequim.

Flutuo pelo toque de seu condão,
O exibicionismo eu conhecia,
Ele quer o alarma e se silencia,
Sem contusão, tenho a dejeção.

Parte II

Na rua sombria caminhamos,
Eu e o companheiro germano (com arbítrio),
A garota displicente avistamos,
O que fez, desumano, absorveu ítrio,
Martírio insano, observamos,
Transformou-se em um rio.

Como contemplar a aflição de seu ato?
Dei as costas à cena horrenda,
Para meus olhos, foi acetato,
Porém, em minha última adenda,
Vejo a garota, terrivelmente,
Dilacerada inteiramente.

Sua desgraça derretida em meus passos,
Na subida, estou nauseada e afastada,
Onde ele está? Lidando com os fracassos.
Concluo: “Não podemos fazer nada”.
Impaciente, me ignora,
Eu, sozinha, vou embora.

Parte III

Subo a via medonha, ainda atônita,
E por que lá eu estava?

Volto à antiga vida, sem mônita,
Na vítima minha faca crava.

A mudança descuidada, tão imprudente,
Trouxe inconsistência para meu presente.

Dada minha incorreção,
Deixo para traz o sangue escorrendo,

Despercebida, sem apreensão,
Nenhum temor, e sem instruendo.

Vou ao julgamento de Ninguém,
Logo passarei a ser o Alguém.

O companheiro germano ali localizado,
É amante da supremacia, quer o adequado.

O último padecente não foi o primeiro,
Pelas crianças inocentes, as mães rugiam.

À minha esperava havia até arqueiro,
Por vingança, ao vale da morte iriam.

Entenda, não fui seletiva,
A restrição não me cabia!

A mais sincera comitiva.
Minha declaração era fobia,

Encerrado o murmúrio,
Ele passa a me encarar,

Reconhece o perjúrio.
Quero estar em outro lugar.

Parte IV

Do lado de fora estou,
Ele me denunciou.
Apresso o passo,
Fui cercada naquele espaço.

Corro, tida como insana,
Rapidamente,
Há tanta gente,
Ultores à paisana,

Para aonde se deslocar?
Deles começo a desviar.
Percebo que não me apanham,
Apenas me encurralam,

Inusitada situação.
Ela se achega, é uma epopeia,
A mais bela canção.
Foco nela e esqueço a assembleia.

Tem-me em um enlace,
Não capto o conforto,
O pasmo em minha face,
O agrupamento absorto.

Aparto-me dela,
Seu comportamento foi inusual,
Deserto a moça bela
E também a multidão parcial.

Tive mais receio da primeira
Do que da fúria comunal.
Ela ainda me persegue, feiticeira,
É quase um ritual.

“Não se aproxime”,
Devo ter expressado.
Beija-me, é o seu crime,
Sai e seu rumo é alternado.

Parte V

Eles não tinham consciência, mas,
Não tentei libertar-me majestosamente,
Essas não são memórias póstumas,
Esse é o imprevisto no ar, acusticamente,
Com pulos altos, habilidosamente,
Nos muros altos, os despisto,
Algo que deveriam ter antevisto.
Não podem me acompanhar.

Deparo-me com uma pessoa específica,
É uma ironia encontrar
Minha velha amiga. Eu agonística,
Ela em seu odiento modo insano,
Ermei-me, recuso seu auxílio cigano.
Impetuosa, questiono sua lucidez,
Informo meus atos com sensatez.

Após explanar que seria extinta,
Em meu rosto está sua palma sucinta,
E no seu está o espanto,
Deixo-a ali estática, ouço o pranto,
Sigo para meu único desejo:
Ajustar o meu brejo.

Parte VI – Final

Iço-me ao cume da colina,
Aquela para avistar a cidade
Em plena solidão, carmina,
A indiferença alheia é docilidade:
As três peças e minha desprezada presença.

A rota está sendo trilhada,
Breve e atinjo minha avença.
Lá está a única alma anelada,
Transformada, me recebe com regalos.

Divido todos, não são resvalos,
Consumo o meu teste,
Sinto-me a mais celeste.

E por que uma vida de morte?
Assim por dentro – o medo é único norte?

O desleixo foi o meu passaporte.

Junho de 2018,
Thais Poentes

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Conceba teu corpo sobre o meu,
O segundo está entregue
Em um prezado lugar.
No enleio amoroso,
Somos cativas do deslumbre em brasa.

Minha boca
Sedenta
Saboreia a tua,
Essa é a vestimenta
Da nossa biunívoca época.

O mundo lá fora não existe,
O que subsiste sou eu
Envolta aos teus braços,
Quais me tomam com intensidade.

Minhas mãos que te sentem
Vigorosa e suavemente...
Ah... tua pele,
Teu rosto.
Elas te aproximam como um astrofísico
Que deseja conhecer todo o universo
Diretamente,
Alucinado.

O acalento cessa
Por apenas segundos,
Nos quais eu fito a profundidade
Dos teus olhos lúgubres.

E minhas mãos travessas,
Com tamanha avidez aos atos dos meus lábios,
Tocam teu ressalto tentador,
Com a força da afeição.
Inevitável e igualmente, o mesmo
Rouba a atenção da minha mira.

Nossa carne desvaira,
Em eloquentes sensações,
Vivenciamos a essência da luxúria.
As palpitações dos nossos corações
Agora estão em perfeita simetria.

O frenesi é
O descontrole que nos controla
No balanço do colapso,
Nutrindo a lascívia,
Enfatizando os olhares ferventes.

Nesse desatino,
Nada mais somos do que dois seres
Atraídos e enfeitiçados.

Abril de 2015,
Thais Poentes
Ajude-me!
Sinto que vou surtar!
O que eu receio
Não falta muito a chegar!

As lágrimas não param de escorrer...
Choque.
E isto voltou por quê?

A vida... bem...
Ela não perdoa.

Fique tranquila,
Nada de ruim
Ainda
Aconteceu-lhe.

A consciência do que está por vir
Corrói a alma;
O velho regresso.

Uma recaída drástica,
Onde o pânico predomina
E eu me perco
Em meio ao desespero.

2014,
Thais Poentes 

domingo, 17 de junho de 2018

Lágrimas ácidas,
Presas,
Dilaceram-me por dentro.

Suspiros comprometidos,
Que representam meus gritos,
Perdem-se ao vento.

Caminhos não percorridos
De desejos rompidos
Mostram-se atentos.

Diante do delírio
De um ser ambíguo
Do mundo doído,
Pergunto-me:
O que fizeram comigo?
Sou uma criatura
Sem abrigo.

Um árduo sem cura,
A seguir,
E já.

O que vem desses cactos:
Não tem onde mais me aconchegar.
Não peço, não vou me ridicularizar.

Cadê a menina propensa
A um bom sossego?
Vejo-a tomada pelo medo.

O exorbitante lampejo,
Não vou lhe apagar.
E a lâmina dos vinte e dois?

Agora alguém me inquire:
O que é que vem depois?
Penso: algo atroz.

2013,
Thais Poentes

quinta-feira, 14 de junho de 2018

Cor da pele de seis
para sete,
Porte pequeno, no
máximo quatro,
bochechas grandes
e covinhas doces,
um nariz arrebitado.

Glúteos fartos,
Coxas fartas,
Canelas bem finas,
Gordura em três,
mas quase nada nos seios.

Ela tinha voz quente,
Porém desafinada,
As unhas sempre pintadas.

Usava regatas e
camisetas levíssimas
no verão, enquanto
no frio costumava
vestir blusas que
lembravam uniformes
dos atletas americanos
nos Jogos Olímpicos,
quase sempre de jeans,
às vezes de macacão, em
raras ocasiões, de shorts.

Fios negros de
cabelo bastante cacheado,
Pelo menos na versão
mais bela dessas memórias.

Boquinha pequena,
Olhinhos delicados.

Sua altura não
passava de quatro,
mas seu olhar quase
sempre para cima a
dava um ar encantador,
junto ao sorriso
metálico da época
em que éramos amigos.

(Augusto Fossatti)

[ESCALAS de "Fotografias do Belo Sexo":
Tom de Pele | 0 = Totalmente branca / 10 = Totalmente negra.
Altura | 0 = 1,20 / 10 = 1,95.
Gordura | 0 = Sem gordura / 10 -  Muito gorda.
Porte Físico | 0 = Muito pequeno / 10 = Muito grande.]
Seus fios de cabelo
Eram lisos como os
Das belas japonesas.

Sua pele tinha um tom
entre três e meio
e quatro inteiros.

Uma franja clássica,
Fios negros, cabelo
Pouco abaixo dos ombros.

Pupilas escuras,
Olhos horizontalmente largos,
Verticalmente serrados,
Bochechas enxutas e
Rosto bem arredondado.

Porte físico cinco,
No máximo três de
Gordura acumulada,
Peitos médios,
Barriga um pouco saliente,
coxas grandes,
Porém glúteos modestos.

Usava blusas moletom,
Americanas,
Em geral com calça jeans,
mas certa vez estava
com sua saia apertada,
vermelha, no conjunto
que lembrava as aeromoças.

Dona de um sorriso ímpar,
Do qual erguia suas
Bochechas e fazia os
Olhos ficarem menores.

Descontraída,
era tranquila, largada,
às vezes com as costas
arqueadas para a frente,
fazendo com que a
região lombar ficasse
nua, quando a blusa subia.

Ali, tinha fios espessos,
notáveis, e uma pinta
ou outra, sem covinhas.

Altura entre seis e sete,
voz doce, cadenciada,
mais para contralto do
que para soprano.

Na versão esportiva,
uma calça legging,
a camiseta branca
de algodão e poliéster,
a bolsinha com alça
que cruzava o vão
entre a
s saliências peitorais,
a meia baixa e o tênis
de caminhada, com
a bicicleta entre
as coxas maciças.

O rabo de cavalo,
Ah, o rabo de cavalo,
mas com a mesma franja!
A franja "Thailandesa".

(Augusto Fossatti)

[ESCALAS de "Fotografias do Belo Sexo":
Tom de Pele | 0 = Totalmente branca / 10 = Totalmente negra.
Altura | 0 = 1,20 / 10 = 1,95.
Gordura | 0 = Sem gordura / 10 -  Muito gorda.
Porte Físico | 0 = Muito pequeno / 10 = Muito grande.]


quarta-feira, 6 de junho de 2018

Esquece todos os versos negativos,
pelo menos nesta hora.
Vê entorno de ti os navios ablativos,
minha alma em ti aflora.

Chega de rimas mentirosas,
acabou a dissimulação.

Reconheço meu exílio,
vê como tu fazes,
cansei de mim
e das imagens patéticas.

Tudo o que simulas
posso ouvir em minha ardência,
sinto cada passo teu em meu desânimo.

Burlando as próprias regras,
sigo desaprendendo a obedecer.
Deixei a energia me levar,
e para quê?!

Dancei,
pois a vida está no movimento,
acontece que
não quero mais me menear.

A desolação me engole de madrugada,
deito-me sobre pensamentos martirizantes,
cubro-me com o descontentamento,
o que eu estaria tentando alcançar no final das contas?

Repousarei essa noite,
eu poderia não acordar.
Não é uma sugestão,
é uma solução,
mais do que isso,
é uma condição
concebível.

Minha insignificância me incomoda,
não é de agora,
o niilismo está comigo,
ele nunca foi embora.

Maio-Junho de 2018,
Thais Poentes
Rainha perdida,
Agora encontrada,
Meu corpo é teu castelo,
Minha mente é teu exército,
Minha vida é teu reino inteiro.

Lamberei tua voz,
Agarrar-me-ei ao teu vendaval.

Tu és o grito mais severo,
O ar mais autoritário,
A voz mais dominante
E meu tiro confiante.

E eu, minha rainha,
Sou Nada.

Maio de 2018,
Thais Poentes
Não deixei flores sobre teu túmulo.
Teu sobrenome se perdeu ao vento,
As promessas foram enxaguadas,
Saindo, então, todo o romance nelas encobertas,
Que trazia o falso sentimento de apego.

Teu cadáver não se encontra ao subsolo,
Soube que morreu quando tentaste morrer.
Entendi que não mais voltarias,
Pois havias te perdido no momento em que quase te perdeste.

Maio de 2018,
Thais Poentes
Nascida perdida,
Não quero perder
Mais nada na vida,
Tampouco você.

A aflição que sinto
Sobre o papel esquecido
Vem do que pressinto
Sobre seu pesar estarrecido.

Em mim queima feito brasa,
Qualquer solução quero antevir.
Caminho de volta para casa,
Ansiando pelo porvir.

Maio de 2018
Thais Poentes
Amo-te que não sei dizer,
Não há mais alguém que eu possa querer,
Ainda sou tua e sempre hei de ser.

Ando querendo te encontrar,
Noto cada pessoa que passa
Ansiando o teu olhar.

Anos se passam e o meu desejo só faz crescer,
Não tento mais fugir, não há porquê. 
Almejo teu beijo de mel,

Ana, tu és o céu!
Não quero mais viver sem teu calor.
Amor é pouco o que sinto por ti.

A flama da paixão reside em ti,
No meu coração também está.
Ah! Como é bom lhe cultuar!

Abril de 2018,
Thais Poentes

terça-feira, 5 de junho de 2018

Todos acreditam ter poder sobre você,
eles acham que podem mandar em você,
eles idealizam como você deve agir,
eles idealizam como você deve fazer,
eles idealizam como você não deve dizer!

Estou cansado dessa tola hipocrisia,
em um mundo governado por ignóbeis,
seres que ofendem a estética da existência.

(Augusto Fossatti)


Quando me levantei esta madrugada,
O ar escuro me rondava.

A Lua Nova nos observava em minha cama vazia,
Pois vazio era meu receptáculo,
A réplica do meu entendimento próprio –,
Vivi sua tremura como um choque arrecadador,
Solicitou a chuva,
E, ao nada eu transmitir, meu desdém virou o seu,
E na escuridão não havia ninguém.

Ela sentiu minha energia
Fajuta,
Sentiu meu entardecer,
Meu prazer e dor.

Quando me levantei esta manhã,
O ar escuro me contornava.

O chamado da minha amada,
Sua voz encantadora ecoava
No vazio do meu receptáculo.
Meu bocejo era vivido,
Seu olhar fora consigo
Uma luz para o amanhã.

Minha cama está vazia,
Já sem meu vazio receptáculo,
Que se encontrava tão logo dali.

Pude notar a garoa por vir,
E, ao a voz melíflua ouvir,
Meu vazio virou seu abrigo.
Cobre-me agora sua calma,
Restou-me tão predominante o antônimo,
Apenas posso visualizar meu bocejo.

Ela sentiu a ausência do meu receptáculo,
Sentiu o vazio da minha cama,
Nesta última, sentiu minha amada deitada
E viu-me partir.

Tenha minha amada, 
Tenha minha luz,
Tenha meu receptáculo.

Viu-me partir-me.
Estou sob a chuva,
Ela sentiu.

Março de 2017,
Thais Poentes