Levados Pela Poesia

terça-feira, 5 de junho de 2018

AR AZUL

Resplandecente teu notarial,
Polida por uma luz branca,
Avistei-te,
Ouvi as sirenes do meu desespero
Quando tentaste me acalmar.

Matei meu vigia
Sob a demanda da libertadora conspiração,
Induzi o extermínio de meu credor
Com seus próprios espinhos
Emanados de suas mãos.
Fui, então, delatada, porém não condenada.

Meu pensamento definido sobre coisas indefinidas.
Há tantos dias que lhe conheço
E sobre ti de nada tenho certeza.
Surpreendi-me ao me notar como uma promessa
Propínqua a se desatar.

Embora tenha fugido
Para o conforto das sombras ao alto,
Quaisquer de minhas ações foram frívolas,
Uma vez que os olhos sempre me alcançaram
E o supérfluo de minhas tentativas
Deflagrou-me por dentro,
Ao escaldar o pressuposto
E estuar o desígnio.

Tu esmagaste minha canção
E colidiste com minha emoção,
Tu apenas me derrubas
Com teus enredos, amor meu,
Enquanto tentas não o fazer.

Estou me aprofundando em minha cicatriz.
Emergi-me ao me atinar como uma perspectiva
Iminente a eclodir.

Enquanto o balanço dos teus cabelos,
Junto ao peso do vento,
E a imensidão
De cada palpitação do teu coração
Trazerem a alucinação,
O meu ser se transformará em
Uma tangente para te desvairar.

Estou me aproximando do prenúncio.
Serei teu grão,
Mas não o teu perdão.

Dezembro de 2016,
Thais Poentes

Nenhum comentário:

Postar um comentário