Levados Pela Poesia

terça-feira, 5 de junho de 2018

ELA SENTIU

Quando me levantei esta madrugada,
O ar escuro me rondava.

A Lua Nova nos observava em minha cama vazia,
Pois vazio era meu receptáculo,
A réplica do meu entendimento próprio –,
Vivi sua tremura como um choque arrecadador,
Solicitou a chuva,
E, ao nada eu transmitir, meu desdém virou o seu,
E na escuridão não havia ninguém.

Ela sentiu minha energia
Fajuta,
Sentiu meu entardecer,
Meu prazer e dor.

Quando me levantei esta manhã,
O ar escuro me contornava.

O chamado da minha amada,
Sua voz encantadora ecoava
No vazio do meu receptáculo.
Meu bocejo era vivido,
Seu olhar fora consigo
Uma luz para o amanhã.

Minha cama está vazia,
Já sem meu vazio receptáculo,
Que se encontrava tão logo dali.

Pude notar a garoa por vir,
E, ao a voz melíflua ouvir,
Meu vazio virou seu abrigo.
Cobre-me agora sua calma,
Restou-me tão predominante o antônimo,
Apenas posso visualizar meu bocejo.

Ela sentiu a ausência do meu receptáculo,
Sentiu o vazio da minha cama,
Nesta última, sentiu minha amada deitada
E viu-me partir.

Tenha minha amada, 
Tenha minha luz,
Tenha meu receptáculo.

Viu-me partir-me.
Estou sob a chuva,
Ela sentiu.

Março de 2017,
Thais Poentes

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