Levados Pela Poesia

sexta-feira, 1 de junho de 2018

O AQUI E O AGORA

Deixa-me agora,
Antes da minha queda,
Deixa-me comigo mesma,
Enquanto me engajo
À minha extinção.

Deixa-me aqui,
Corta minha pele e deixa
O sangue percorrer
Todas as demais cicatrizes e feridas.

Bate-me agora,
Tenho uma narrativa,
Tu serias a fechadura
E a chave não é dada a mim.

Esfaqueia-me aqui,
Deixa-me ver-te partir,
Depois de me estorvar
Em uma algente insuflação.

Afoga-me agora
Em minha própria decadência
E grita com minha anáfora,
Ela escuta a sinfonia da adjacência.

Abrange-me além daqui,
Da janela eu posso observar
Um despojado olhar
Que deseja se salvar.

Livra-me do agora.
Imploro-te,
Não encadeies
Minha trova!

2015,
Thais Poentes

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