Levados Pela Poesia

domingo, 24 de junho de 2018

O MISTÉRIO DA FUGA

 Este é um relato de um sonho de 2013.
Parte I

Ah, do meu tronco ele é o condutor,
Deixou vestígios e o contraste estava em mim,
Para que eu pudesse aceitar o credo sedutor,

Sento-me defronte ao seu cavalo,
Penso que não passo de capim,
Seu olhar muda em um estalo,

Em minha mente o som do clarim,
Surpreendente primária possessão,
Sua energia tem forte radiação,
Diz um nome, não o de seu manequim.

Flutuo pelo toque de seu condão,
O exibicionismo eu conhecia,
Ele quer o alarma e se silencia,
Sem contusão, tenho a dejeção.

Parte II

Na rua sombria caminhamos,
Eu e o companheiro germano (com arbítrio),
A garota displicente avistamos,
O que fez, desumano, absorveu ítrio,
Martírio insano, observamos,
Transformou-se em um rio.

Como contemplar a aflição de seu ato?
Dei as costas à cena horrenda,
Para meus olhos, foi acetato,
Porém, em minha última adenda,
Vejo a garota, terrivelmente,
Dilacerada inteiramente.

Sua desgraça derretida em meus passos,
Na subida, estou nauseada e afastada,
Onde ele está? Lidando com os fracassos.
Concluo: “Não podemos fazer nada”.
Impaciente, me ignora,
Eu, sozinha, vou embora.

Parte III

Subo a via medonha, ainda atônita,
E por que lá eu estava?

Volto à antiga vida, sem mônita,
Na vítima minha faca crava.

A mudança descuidada, tão imprudente,
Trouxe inconsistência para meu presente.

Dada minha incorreção,
Deixo para traz o sangue escorrendo,

Despercebida, sem apreensão,
Nenhum temor, e sem instruendo.

Vou ao julgamento de Ninguém,
Logo passarei a ser o Alguém.

O companheiro germano ali localizado,
É amante da supremacia, quer o adequado.

O último padecente não foi o primeiro,
Pelas crianças inocentes, as mães rugiam.

À minha esperava havia até arqueiro,
Por vingança, ao vale da morte iriam.

Entenda, não fui seletiva,
A restrição não me cabia!

A mais sincera comitiva.
Minha declaração era fobia,

Encerrado o murmúrio,
Ele passa a me encarar,

Reconhece o perjúrio.
Quero estar em outro lugar.

Parte IV

Do lado de fora estou,
Ele me denunciou.
Apresso o passo,
Fui cercada naquele espaço.

Corro, tida como insana,
Rapidamente,
Há tanta gente,
Ultores à paisana,

Para aonde se deslocar?
Deles começo a desviar.
Percebo que não me apanham,
Apenas me encurralam,

Inusitada situação.
Ela se achega, é uma epopeia,
A mais bela canção.
Foco nela e esqueço a assembleia.

Tem-me em um enlace,
Não capto o conforto,
O pasmo em minha face,
O agrupamento absorto.

Aparto-me dela,
Seu comportamento foi inusual,
Deserto a moça bela
E também a multidão parcial.

Tive mais receio da primeira
Do que da fúria comunal.
Ela ainda me persegue, feiticeira,
É quase um ritual.

“Não se aproxime”,
Devo ter expressado.
Beija-me, é o seu crime,
Sai e seu rumo é alternado.

Parte V

Eles não tinham consciência, mas,
Não tentei libertar-me majestosamente,
Essas não são memórias póstumas,
Esse é o imprevisto no ar, acusticamente,
Com pulos altos, habilidosamente,
Nos muros altos, os despisto,
Algo que deveriam ter antevisto.
Não podem me acompanhar.

Deparo-me com uma pessoa específica,
É uma ironia encontrar
Minha velha amiga. Eu agonística,
Ela em seu odiento modo insano,
Ermei-me, recuso seu auxílio cigano.
Impetuosa, questiono sua lucidez,
Informo meus atos com sensatez.

Após explanar que seria extinta,
Em meu rosto está sua palma sucinta,
E no seu está o espanto,
Deixo-a ali estática, ouço o pranto,
Sigo para meu único desejo:
Ajustar o meu brejo.

Parte VI – Final

Iço-me ao cume da colina,
Aquela para avistar a cidade
Em plena solidão, carmina,
A indiferença alheia é docilidade:
As três peças e minha desprezada presença.

A rota está sendo trilhada,
Breve e atinjo minha avença.
Lá está a única alma anelada,
Transformada, me recebe com regalos.

Divido todos, não são resvalos,
Consumo o meu teste,
Sinto-me a mais celeste.

E por que uma vida de morte?
Assim por dentro – o medo é único norte?

O desleixo foi o meu passaporte.

Junho de 2018,
Thais Poentes

Nenhum comentário:

Postar um comentário