Levados Pela Poesia

quarta-feira, 25 de julho de 2018

Escrever, como qualquer arte,
É sentir além de uma realidade objetiva.
É um mar de desejos e emoções 
Que se misturam com harmonia ou dissonância. 
É ser todos aqueles que já foram,
E estar com aqueles que aqui se encontram. 

Deixa de ser matéria e torna-se essência viva. 
Não se escreve, apenas deixa-se escrever, 
Dando toda liberdade ao fluir do pensamento. 

Se vale de alguma coisa, já não sei dizer, 
Apenas sei que essa vontade é difícil de conter.
Quando bate a paixão ou a desilusão, 
É quase impossível os deixar no coração, 
Por isso o escrever existe; é puro e expressão. 

(Augusto Fossatti) 





terça-feira, 24 de julho de 2018

Não sei porque,
Você nunca chamou a minha atenção,
Não desse jeito.

Tem algo estranho sobre ti,
Somente nesses dias,
Mas eu não sei como explicar.

Tudo em ti queima,
Reluz como um diamante lapidado,
Exalando toda essa feminilidade.

É a redondeza de seu rosto,
Esse sorriso translúcido,
Inexplicavelmente jovial.

É tão estranho e sem sentido,
Soa até grotesco,
Esse fulgor e essa refrega.

Quem sou eu?
Quem é você?

Seu corpo é todo imperfeito,
Mas eu não mudaria nada,
Absolutamente nada.

Isso não é paixão alguma, por favor,
Só é algo mais profundo,
Como a contemplação do infinito.

Não! Não existe mal algum,
Mal algum há em meu olhar,
Mas apenas o deleite da sua existência.

Obra de arte,
Obra prima da natureza,
Do confuso e sinuoso universo.

(Augusto Fossatti)

quinta-feira, 5 de julho de 2018

Presa em minha mente
Começo a desvairar,
A luz obscura
Passa a me sufocar.

Olhos fechados doloridos,
O espirro da meia-noite
Em meu ouvido,
O riso só é esquecido, vem
A eclosão do cérebro derretido,
Em minhas unhas arrancadas
O ardor comprometido.

Os cabelos da paisagem caem
Em minhas horas perdidas,
Prisioneira do fio da parede,
Presa em minha mente.

Julho de 2018,
Thais Poentes