Levados Pela Poesia

sábado, 9 de novembro de 2019

Inferno particular estabelecido, 
Sentido rompido, 
Sentimento de nada. 
Falar para quê? 
Faço isto agora por quê? 
Não sei, talvez amenize. 
Estou farta de alguma coisa que não entendo, 
Pareço ter tomado um caminho sem volta. 
Onde devo esconder meu cadáver? 
Livrar-me de mim mesma, 
Das pontas de minhas unhas, 
Do meu cabelo, 
Tirar tudo de mim, 
Cada cravo, 
Cada pelo. 
Ingiro todas essas besteiras... 
As gorduras saturadas 
E as palavras do meu patrão. 
Sim, é verdade, estou distante, 
Mesmo daqueles que clamo amar, 
Afastei-me da minha pessoa, 
A vaidade me assombra. 
Não, eu não quero falar, 
É como se a folha somente relatasse 
Minha conjectura. 
Há tanto não escrevo neste caderno, 
Que pretendo me livrar. 
Viro folha, 
Passo a tinta da caneta, 
Preocupo-me com o espaço das linhas 
E com os itens em minha gaveta 
Cheia de coisas que quis guardar. 
Eu acumulei tanta coisa, 
E a insatisfação continua no altar, 
Reinando minha alma, 
Que se vê pequena e mórbida. 
Então, evoluir ou deixar morrer de vez? 
A segunda opção se faz tão mais consistente, 
Ela tem mais razão, 
Bem mais do que eu poderia usufruir. 
Roubei de mim 
A energia que pensei deter. 
Não quero fazer mais nada, 
Deixe-me ir embora! 
E me desculpe.

Maio de 2019,
Thais Poentes

domingo, 15 de setembro de 2019

Posso morrer ainda hoje,
portanto sinto-me na obrigação de escrever.

Se eu sofrer um acidente,
indo para o trabalho ou para um passeio,
preciso que saibam: não temo a morte,
nem acredito em vida após a morte,
portanto sinto-me na obrigação de dizer:
Não há porque ter pena! Morri em movimento!
Não fiquem tristes por mim - é só o que peço.

Se alguém causar minha morte propositalmente,
eu não quero vingança, nem a falsa justiça!
preciso que saibam: não acredito em bem ou mal,
apenas em vontade de poder, portanto preciso dizer:
- as leis dos homens não me agradam,
deixem o culpado viver - é só o que peço!

Se você é uma pessoa que amo,
espero que tenha aprendido algo comigo;
que pelo menos tenha percebido -
a vida é um drama hollywoodiano,
mas, apesar de tudo, tem lá sua beleza colateral:
Não seja submisso - é só o que eu peço!

Se agora eu estiver em coma,
ou se, por acaso, eu estiver inconsciente;
façam-me companhia - nunca quis estar sozinho,
mas, infelizmente, minha forma de ver o mundo -
essa forma toda desconexa com as pessoas - 
sempre fez de mim um ser solitário,
mas a solidão sempre me machucou -
apenas façam-me companhia - é só o que peço!

Meus poemas são meu diário de vida,
Eles são a minha história, a minha trajetória:
não ligo para o que venham a fazer com eles,
mas se eu escrevi sobre você,
então, por favor, guarde-os contigo para sempre:
esse é um pedaço de mim - é só o que eu peço.

Se eu morrer "antes da hora",
saibam que não acredito em morrer "antes da hora",
a hora da morte é um mero acaso,
Se morri - morri porque dei azar... ou sorte!
Diverti-me o suficiente, acreditem!
Realizei fantasias carnais,
Aproveitei cada gole de suco de fruta,
cada colher de sorvete das gelaterias,
cada cafeína das cafeterias que frequentei,
cada frase de cada livro que li,
cada nota de cada obra-prima clássica que escutei,
cada cena épica de cinema que vivenciei,
cada traço de cada bela dama que nas ruas vi,
cada flerte e troca de olhares sem objetividade,
cada passo de cada bailarina pelas quais me encantei,
cada sorriso ou choro que causei,
cada paisagem, cada árvore que enxerguei,
cada parte dos corpos femininos que visitei, sim! 
Celebrem a minha vida - é só o que peço!

Posso morrer ainda hoje, ou amanhã,
ou depois - mas não fará a menor diferença,
pois acolho a morte como uma grande amiga -
e não tentem fazer de mim aquilo que não sou!
Lembrem-se do verdadeiro eu - é só o que peço.

(Augusto Fossatti) 
Conte-me, o que preciso ser?
Peço-te com toda amargura.
O que deveria, como deveria?
Quanto mais corro, te busco.
Não há mutação de percurso.

Entristecido permaneço, calo,
Eu só queria um mísero sinal.
Palavras não mais me bastam,
Nem frases, risos ou carnaval.
Agarro-me somente aos fatos.

Sigo na esperança, em transe,
Hipnotizado num feio relógio.
Um pêndulo de contratempo,
Então balanço desequilibrado.
Venha me ajudar a equilibrar.

Grito tão alto, como soprano,
Em uma ópera descontrolada,
Vamos ser jovens novamente?
Nosso tempo apenas começou,
Somos vento que sopra forte.

Ainda tudo podemos alcançar,
Explorar o vazio inimaginável,
Desestruturar o tempo exato,
Recriar nosso próprio universo.
A cada palavra, a cada verso.

(Augusto Fossatti) 

sábado, 7 de setembro de 2019

Do desejo veio o medo
E do medo retornou mais desejo.
Mas o que veio e se foi de ti?
Sou um engano do irromper?

Segurar...
O que me tocou.
E sentir o que em mim bateu 
E rebateu.

Sou uma fantasia?
Seria eu um pensamento no dia a dia?

Gostaria de me ter contigo?
É este um sonho iludido?

O silêncio é a resposta
Que me açoita.

2013,
Thais Poentes

quinta-feira, 5 de setembro de 2019

Estou com sede,
Já é hora de voltar ao mundo,
Eu sei, já não pertenço ao lado de lá,
Mas, para sempre aqui,
Eu não posso ficar.

Gostaria de escrever para sempre,
Odeio tudo o que não é fazê-lo,
É de graça,
Só precisa de tinta,
A fuga mais inteira,
A fuga mais profunda.

Quem será que me entende?
As patricinhas da livraria cultura?
Acho que não!
Chega de besteira,
Os insetos são mais sensíveis,
"Só para garotas", é o que elas leem.

Dante criou meu paraíso,
Homero minha aventura heroica,
Shakespeare minha busca por sentido,
e Neruda minha natureza pura.

Cazuza foi minha infância,
Criôlo minha adolescência tardia,
Cecília viveu no meio de tudo,
E o poeta não morreu mesmo.

Será que um dia vão ler?
Todos estes versos inúteis,
Pensando em minha loucura escrota?
Ou morrerei na escuridão,
[na surdina?

O céu já vai escurecendo,
Vou ao cinema pela 15ª vez,
E estamos apenas no quarto mês!
Quinto, que acaba de começar,
Que frequência insana,
Meu dinheiro vai acabar,
[acabou.

Fazer o quê?!
Se na arte encontro conforto?!
Se na sala escura não penso,
Portanto, não existo!!!

Poderia haver
Algo mais grandioso que isto?!

(Augusto Fossatti)

terça-feira, 3 de setembro de 2019

Por que começo este poema?!
Por que não?!
Porque eu quero que você comece.
Porém, agora ele já começou.

Então continue.
Continuá-lo-ei então.
A continuação é muito contínua,
E este pode ser nosso refrão.

A mulher senta, a mulher levanta.
O casal anda, confuso.
Confuso é este refrão.
Mas não nos dá uma boa sensação?!

É verdade, mas odeio casais de montão.
Que maldosa observação.
E tudo é tão em vão,
Como alimentar um cão.

A mulher esquisita, com seu óculos esquisito.
O velho no fim de sua vida.
As sacolas que as pessoas carregam consigo.
A simplicidade é um verdadeiro galardão.

Por que um alimento tão caro?! – Outback.
Por que um vestido tão aberto?!
O que é belo deve ser exposto?
Talvez, ou talvez o oposto.

A qualidade é tão exorbitante.
A claridade é excitante.
Um sorvete é radiante.
E nós aqui somos mutantes.

Um olhar, um flerte.
E o velho vai embora.
O casal parece estar pedindo esmola,
E a calça tão apertada que parece cola.

Um caminhar sem firmeza,
Um olhar oriental,
Uma tatuagem ou uma bicicleta?!
Um vazio silencioso, ou uma ilusão?!

Eles conversam, eles soltam gargalhadas.
Ela arruma o short entre as pernas.
É tudo tão passageiro,
Como este momento tão bonito.

A poesia não morrerá, porém este poema tem de acabar.
Foi bom observar este lugar.
Agora vamos embora,
Ou vamos morrer aqui, e nunca mais pisar lá fora.

Fim.
PS: Adeus, planta.

(Dueto por Augusto Fossatti e Thais Poentes)

domingo, 1 de setembro de 2019

Neste mundo você vai crescendo,
A responsabilidade vai aparecendo,
As cobranças começam a surgir,
Os maduros começam a te exigir.

Mas para que tudo isto, tão flácido?!
Tudo vai acontecendo tão rápido,
E quando não consegue mais olhar,
Não vai querer aqui mais esperar.

Nunca foi de vida esta uma razão,
Não existe então uma real questão,
A questão é por que devemos viver,
Se nós todos vamos desaparecer?

Mas as mudanças vão perseguindo,
O blá-blá-blá nos vai coagindo,
E para trás nós vamos cavalgando,
Enquanto outros estão lá pensando.

Nossa miséria é não ter sabedoria,
Se a tivesse o que queria saberia,
Entretanto nós somos influenciados
Por parentes tampouco estruturados.

Ideais estrangeiros são inseridos,
Deixem os nossos, bem esquecidos,
Nossa vida não importa afinal,
Querem consertar sua vida social.

E assim novos tempos aparecem,
Aos poucos estes ideais crescem,
Mas quem pode no final nos avisar
Que esta é uma forma de nos julgar?

E passeando nesta linha estreita,
Tal qual chamamos de longa vida,
O segredo é se acalmar e passear,
Talvez assim achemos uma saída.

O medo é grande na hora de mudar,
Porém de fato preciso lhe contar,
Se não estiver pronto para vencer,
Estará eternamente fadado a perder.

A derrota deturpa a tua libertação,
Mas não deve atrapalhar sua ação,
Pois todos aqui somos porcos sujos,
Não passaremos de meros marujos.

(Augusto Fossatti)

domingo, 25 de agosto de 2019

Em teu caminho me traí,
Desmanchando-me por aí,
Simples assim,
Sem mais jardim.

Eu como escuridão
Tu como luz,
Devo me esquivar do clarão,
Pois é o que me reproduz.

A revolta retomou,
Tenho braveza,
Não me conformo, em meu gesto
Não haverá leveza.

O sentimento que não posso chamar de meu,
Sua beleza escurecida pela noite,
Estou longe de ser Romeu,
Mas me aproximo de sua morte.


Fevereiro de 2019,
Thais Poentes 

quinta-feira, 18 de julho de 2019

O que é de fato ser livre?
Sentar no sofá e se sentir confortável?
Deitar na grama fina aparada,
Deitar no mato e não se incomodar.
Não sei, de fato, não sei comunicar,
Afinal estou preso neste mundo,
Aprisionado em um Universo infinito,
Um todo complexo e estranho,
Que deixaria até Deus perplexo,
O que está havendo afinal?
Não há perguntas ou respostas,
Tudo é incerto, tudo é ridículo e certo,
Tudo é completamente errado.
Os paradoxos ninguém responde,
Não! Ninguém pode ver ou decifrá-los.
É um grande fluxo constante de sangue,
Sem uma gota de criatividade,
Vamos seguindo e formando tolos,
Tolos que procuram todas as respostas,
Mas o que é de fato estar livre?
Você sabe? Quem sabe afinal...
Estamos apenas aqui de passagem,
Viajando em um mar de provocações,
Um provando ao outro seu Eu,
E ninguém admitindo ser seu,
É uma insana aventura sem pé,
Sem pé nem cabeça, ou corpo algum,
Alguns chamam de vida, outros,
Ninguém sabe o que acontece.
Ser livre é pular e festejar cada tempo?
Será mesmo assim que captura,
Será mesmo assim que há a ruptura?
Onde está a barreira dos sonhos,
Todos perdidos e envelhecidos lá fora,
É como a velha pólvora sem rumo,
O amor, o ódio, a paz e emoção,
Onde estão todos os motivos?
Você os conhece? Apresente-os então,
Sinto-me dentro de uma jaula,
Afinal o mundo é uma dessas prisões,
Forjadas a ferro e moldado com ouro,
A minha liberdade está nas folhas,
Na caneta, no lápis, no teclado,
Aqui nada é falsificado,
Sem censura ou lavagem cerebral,
Aqui estou livre para expressões,
Acredito que seja um refúgio,
Fugindo desta imensidão horrível,
Aqui não há crenças, nem direito,
Não há preconceito ou conceito,
Apenas o que ocorre aqui mesmo.
Então, o que é a liberdade afinal?
Sentar no chão e ir escrevendo...

(Augusto Fossatti)

terça-feira, 16 de julho de 2019

Como no meio do precipício,
Ninguém vai me acompanhar,
É uma loucura estratosférica,
Sem a chance de mudança,
Sem a inocência da criança,
Sem o tempo de me festejar.

Caraminholas na cabeça, há,
O vício de desestruturar, ah,
Esse há, mas na mudança,
O sentido de toda a esperança,
O doce sonho da boa vingança,
Há, e a justiça sempre tardará,
Aí está, vil e banal contradição.

Um homem moderno de terno,
O mundo cercado de inferno,
As ruas vibrando suas cordas,
As musas cintilando sinuosas,
E ninguém encontra o pensar,
A liberdade acabou de morrer,
Mas a verdade acabou de matar.

Só, neste mundo tão cheio,
Nego a companhia sã, pois fujo,
Como corro para te alcançar,
É inútil e rancoroso, sombrio,
Vazio e sem rastro da sorte,
Caminho sem medo da morte,
Caio fundo no mar dos venenos,
Será que alguém vai escutar?!
Sábio e impaciente desespero,
Vou em frente, sem mais falar.

(Augusto Fossatti)

segunda-feira, 1 de julho de 2019

Janeiro infinito,
Janeiro que não acaba,
Junto ao desenlaço que embargo,
Desvincular-te de mim
Tem sido lento e esquisito,
Uma parte saindo assim,
Tirando do calçado o cadarço.
Um fantasma com teu rosto encravado;
Metade dentro, metade ao meu lado;
Tão ligado, tão fora...
Aos poucos deixo de sentir sua aura.
Tão logo foi embora,
E não soube abandonar.

O que poderia pensar
Os pensamentos agora invertidos?
Fez-me bastante só,
Como o sonho esquecido.

O que sentir
Os sentimentos vencidos?
Trouxe um calo silencioso.

Sou um ser ocioso,
Procurando fazer tudo
E não fazendo nada,
Desânimo mudo,
Desnutrição calada.

Com o que me preocupar?
As rimas eu jogo fora,
Juntamente à esperança torta.

Eu que não tinha noção,
Jurei ser aquela a porta
Que traria a melhor emoção,
Entrei sem nenhum culhão,
Levei o furacão,
Defini indecisão.

Procurei redenção para a tentação,
Desejei escapar da maldição,
Maldita seja,
Que eu estou amaldiçoada.
Piada o que tem feito de mim.

Sei que não te sentes mais bem assim.

E o que poderias cometer?
Além de tentar transformar em beleza
A embriaguez que levou ao tormento.
Mas que coisa bela de se crer!
Vamos construir a fortaleza,
Pega aí o teu cimento.

Estou febril e calorenta.

Pode ter sido coincidência
Eu ter ido nessa correnteza,
Sem nenhuma estranheza que orienta
Ao fim dessa contingência.
Meu espetáculo insosso,
Sentes em vosso osso?
Esse esboço natural
Retrata a história real,
Minha alegoria,
Que lhe eletrocutaria.

É confuso quando digo
Que pode ser irracional
Tudo o que foi expressado,
Porém, ao menos, algo eu afirmo:
Não foi vazia a saudade,
Bateu forte em minha idade,
Por um momento foi alismo.

Que porcaria estou falando?
Já estou delirando?
Está simples demais?
Não, é multiforme e excessivo.

Este idealizado resultado de dânais
Tem sido abusivo.

Absolva-me por ignorar
O que não posso desatentar.
Vê?! Devo rejeitar.

Essa noite eu sonhei que por ti fui condenada
Pelo crime de te deixar abandonada,
Não ter lhe respondido mais absolutamente nada.

Estou sentada, esperando
Pelo desfecho deste novo ano.

Deitada, agonizando.
Meu desassossego.
Tem sido assim, desviando
Do meu apego.

Procurei pelo o que atenua.
Sabe do pneu na rua?
Não havia o notado,
Então veio o baralhamento
E tudo ficou mais claro.

Pensei que já havia aceitado,
Não se resume em tormento,
Mas o preço tem sido caro.

Janeiro de 2019,
Thais Poentes