Levados Pela Poesia

sábado, 9 de março de 2019

Para aonde encaminhar nossos sonhos?
Qualquer insistência de nada adiantou.

Temos o que restou:
O desejo do que não possuímos.
Um desejo vão,
Que não encontra mais direção,
Definhando em sua própria indefinição.
Não tem abrigo,
Não posso mantê-lo aqui comigo.

E, por isso, peço perdão
A ti, Desejo perdido, por ter sido Frustração
A nova companheira desde então.

E irá nos fazer mal,
Seu único propósito trouxe consigo,
Em sua mão está o canivete,

Nele um adesivo escrito "adagial",
Declarado seu pródigo amigo
E o seu flerte magnete.

Esbanja nossa ruína,
Nega nossa cortina,
A que tapa a cálida neblina,
Retirando nossa morfina.

Dito seu indulto: a pior heroína.
Despeço-me dessa sina,
Após conceder-lhe um espaço em minha cripta.

Sem resposta,
E que seja assim.
Tendo-te longe, tão perto de mim.

Um vazio espiral,
Posto o vendaval.

E o que poderia conceber?
Qual a diferença?
Por que manter qualquer crença?
O que fazer?

Qual o significado de contemplar o que não chegou?
Realmente importa a ela
O elo que abnegou?
Quis a transformada tímela.

É isto mesmo,
Não entendeu errado.
Se enganou, com seu egoísmo;
Iludiu-se ao acreditar em sentimento empoçado.

Janeiro de 2019, 
Thais Poentes
(Psicografado por mim, em 2042).

Quando eu era poeta pequeno
ninguém lia meus poemas,
agora qualquer coisa que digo
ganha notoriedade nacional!
Por que não procuram os novos
talentos que, sem dúvida, hoje
produzem conteúdo mais atual?

Não adianta! Se eu digo "Oi",
vira um clássico literário,
atemporal. Ah! Que nostálgico.
Ainda lembro-me daqueles
dias sombrios quando somente
três ou quatro pessoas liam
de fato o que eu escrevia:
uma delas era minha mãe, a
outra era a minha tia, muitas
vezes minha parceira na trilha,
um primo, professor, etc e tal.

Se eu pudesse dizer o que fiz
para atingir meu status atual,
mas infelizmente eu não sei,
foi tudo tão de repente que um
dia eu estava escrevendo no
Facebook e no outro eu atingia
um público incrível e anormal.

Se eu tenho um conselho para
os novos poetas, sem dúvida, é:
Continuem escrevendo loucamente,
Produzam mais do que os outros,
Enfie sua poesia goela abaixo
de todos aqueles que estão ao
seu redor, até que eles notem
que no fim você tem uma arte e
tem algo a dizer em seu verso.

O reconhecimento demorou a vir,
A vida de artista é complexa
e talvez a mais ingrata do todo,
mas talvez uma hora sua fibra
possa gerar, com sorte, a faísca
que me trouxe até este momento!!

Na minha época não entendiam,
e talvez nunca voltem a entender,
a poesia tem um valor maior
e muito mais profundo do que
qualquer postagem com frase vil
e totalmente banal possa prover.

(Augusto Fossatti)
Treze anos de espera e o fim. Quem liga realmente?
De base em base a educação coage,
Afinal, isto é, ou é algo apenas de passagem?
Sinto-me retraído, oprimido e violentado,
Ditadores inconscientes assopram conhecimento,
A desculpa é a mesma, o futuro, o direito.
Entretanto, não me sinto forte...
Ideias batem e rebatem por todos os cantos,
Penetram na mente adolescente,
Como consegue deitar e descansar em paz?
Professor! Como és tão frio e gentil!
O sistema pede, eles obedecem,
E a mente dos necessitados perece.
Sente-se e pelo menos assista ao show,
Lavagem, ninguém, nem demônio merece...

Treze anos de espera e o fim. Longe de ser verdade,
Continuamos aqui vivendo nesta bela cidade,
Cidade forte e desenvolvida, crescida,
Quem realmente liga? Enfraquecidos estamos,
Buscando algo a se prender,
Lá estão nos jornais: cure-se,
Visite as catedrais infernais, ganhe poder,
Vá, bando de animais, sigam tal destino,
Não são tão racionais?
Sem mais...

(Augusto Fossatti)

quarta-feira, 6 de março de 2019

Minha mão segurou,
Apertou, a acariciou
E não mais a soltou.

E que belo diamante!
A peça de uma amante.

Percebo-a enquanto me observa,
E eu já a quis, que encruzada!

De mim ela gosta?
“É merecido!”, me é dito.
Sentimento em alteração.

Sua mão, tão leve,
Quase segurando meu coração.

Reconhece meu toque
Quando está sem ar?
Tenho seus dedos,
Um bem acolhido.
Um redemoinho tranquilo.

Sua voz chama meu nome
Dentro das palavras de afeto,
No silêncio estou perdida,
A neve me deixou estremecida.

E que verdade me expõe!
Chocada, sorrio.
Quero lhe conhecer,
Sem dúvida,
Paixão eu não sinto.

Coisa do verão,
Abala-te,
Para depois te abanar.
Consegue vivenciar?

É provável que me agrade
E que eu não me importe.
O que posso saber ou sentir?

Chega de confusão!
Chega de ti?

Março de 2013,
Thais Poentes
Nem sei por onde começar para colocar tudo isso para fora,
mas sinto-me como se eu fosse jovem outra vez.
como se o frio na barriga voltasse a ter inocência.

Tudo o que eu queria estava ao meu alcance,
menos o poder de poder parar o tempo e ali permanecer,
congelado para sempre em um simples e sereno instante.

Achei que nunca mais me sentiria parte de algo divertido,
parte de algo que fizesse realmente algum sentido,
não para alcançar qualquer coisa, mas apenas para viver.

"Apenas respire", dizia uma grande amiga poeta,
Apenas respire, porque é a única coisa que pode fazer.

Sinto-me como se eu pudesse voar em direção ao sol e
atravessá-lo como uma onda, preenchendo-me com o seu calor.

Sinto-me como se eu pudesse escrever por mais dezoito horas,
somente sobre essa sensação que, ao mesmo tempo, não consigo nem sonhar em descrever tamanho fulgor.


(Augusto M. Fossatti)

terça-feira, 5 de março de 2019

Como em um mar de povo,
Mescla-se piados e vozes,
Não há silêncio verdadeiro,
Nem no vento há pureza beata.

Os gritos não cessam, povo fala,
O povo não cala, ladra,
Pátria amada sem canto vazio,
A cidade está lotada, abarrotada.

Estou cheio dessa parafernália,
Patifaria, sujeira dessa gentalha,
Por favor, me dê um canto só,
Deixe-me respirar minha solidão.

Somente as crianças são inocentes?
Puras pela santificada repetição?
Não sei se posso as culpar por nada,
É culpa de nossa vil aberração.

(Augusto Fossatti)
O tempo vai todo passando, 
O ano vai fundo e caminhando, 
Já vai mudando de estação, 
E vou descrevendo-o então. 

Crucificamos e lutamos bem, 
Passamos por todo o amor, 
Hora da nossa natureza forte 
Entrar na folha com esplendor.

O natural e todos os espíritos 
Do interior e sem restrições, 
Sem pensar muito ou calcular, 
Apenas a batida dos corações. 

Liberdade de pura expressão, 
Só deixar passar o que pensa, 
Sem nenhum pavor ou temor, 
Sem permitir uma mente tão tensa. 

Na leveza das folhas verdes,
Transformo-me em energia, 
Sou uma pequena partícula 
E isso é tudo o que eu queria.

Assim sigo nesta eterna brisa, 
Buscando um infinito estável, 
E é tempo de buscar tais vícios, 
Aquele segundo mais agradável. 

Por isso eu te digo, chegamos, 
Este é o ponto crucial do saber, 
É um tempo psicológico frio, 
Precisa assim sempre se erguer. 

(Augusto Fossatti)

domingo, 17 de fevereiro de 2019

As rochas sussurravam para que triunfemos,
Mas isto foi ignorado.

Um ano novo,
Uma vida velha renovada.

Uma flor rara arrancada,
Esmagada e despedaçada,
Mastigada e cuspida,
Não ingerida,
Expelida
E poluída
Pelo rio das lágrimas todas que se formou,
Também do suor e do torpor.

Ela caiu na torrente,
Guiada pelo golpe latejante,
Desceu pela água, e foi embora.

Lembrara ela, uma vez sorridente,
Da fantasia de
Uma nova aura,
Aquela que se desfez na fumaça
Da terra ressecada
(Ironicamente, o rio nela é deficiente),
E desapareceu na neblina
Da teoria não cumprida.

Onde está o novo dia?
O pôr do sol me encobriu
E a noite chegou.
Desapareço.

Não consigo mais enxergar,
Já não tenho o que declarar,
Dissipado o medo,
Perdeu-se o desejo.

O cheiro da flor que há muito não sentia,
O último pingo de sua serventia
Arde em minha ferida de estadia.

E quem diria,
Além da razão,
Que o inegável teria me derrubado
Com tamanha precisão?

Eu não pude desfazer
Nossos dedos entrelaçados
Da minha memória,

E agora penso em desviver
Entre os desgraçados
E me tornar escória.

Feitos descartados,
Não são mais nada.
Ponho-me de joelho sobre os cactos,
Da minha pele escorre um sonho condenado,
Corto minhas mãos
Nas pontas afiadas da desilusão,
E tanto faz.

Foi tudo, porém, tão real.

Não olho para as luzes ao alto,
Tudo o que mais anseio
Encontra-se em um salto.

E o que vale a pena?
Mais uma alma pequena.
E onde adormece a esperança?
Na mórbida dança?!
Que se dane isso,
É puro desperdício!

Eu não quero me importar,
Estar morta por dentro,
E quem me dera por fora.

Este é o resíduo outonal,
Um simples madrigal.

Janeiro de 2019,
Thais Poentes
O que ser?
O que não ser?
E por quê?
E daí?!

Mudar para quê?!
Insistir em quê?
Alternância de estilo?!
Isso eu fuzilo.

Vê o toque rútilo?
Algo que posso retrucar.
Nada que eu receie,
Veja, seria simples demais aceitar.
E o que constituiria a minha desfavorecida essência?
Não peço que a abranja,
Qual motivo existiria além da receita?

Importar-me não me apetece,
Seguir assim como desenhei me esplandece,
Basta acompanhar a linha segura de minha afirmativa.
Sou o que sou e devo ser, é minha prerrogativa.

A relevância é o contentamento
Que deve comparecer.
Incompreensível, lhe digo:
Todos podem atingi-lo,
Até um pobre ser!

2012,
Thais Poentes

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

O pássaro livre quero embalar,
Sentir suas asas,
E assim flutuar.

A minha jangada balança
Junto com o sino
E a alavanca.

Jogo-te nas ondas dos lençóis,
Tomo-te entre os anzóis,
Jasmim truculenta, imagino.

Tira-me da sarjeta,
Trajeto ínfimo:
Afastada do teu ninho.

Como poderia partir?
Como posso ficar?
Não há outro lugar.

Teu cheiro sou eu,
E eu te sinto,
O aperto do cinto.

Preciso dizer,
Devo esconder:
A tortura do meu ser.

Teu sorriso
Eclodiu em mim,
Fez-me crer.

Há algo na tua respiração
Que lentamente
Explode no meu pulmão.

Há algo na tua saliva
Que fixou no céu da minha boca,
Única desejável degustação.

Como passas?
O que sonhas nesta hora?
Vem comigo agora.

Tua voz ressoa em meu pranto,
Fico no meu canto,
Calada.

Grito então,
Em meios às luzes,
Sinto apenas escuridão.

Tu és como água corrente
Em minha mente,
Imerge-me.

Os fios de teus cabelos
Pairam em minha memória,
Parte tua da euforia de outrora.

Teus gestos graciosos
Transpõem-se da lâmpada
E invadem minha visão.

Como em um espetáculo
De angústia e abstinência,
Bebo tua ausência.

Teu olhar sereno
Não foi embora,
Partiu contigo o mundo ameno.

O toque plácido não foi ilusão,
Não tuas mãos suadas, tampouco
As batidas fortes do teu coração.

Não, em teu abraço forte,
Constantes suspiros.
Não foi delírio, foi norte.

Fora da linha tão bem delimitada,
Trouxeste o que jamais sonhei.
Ah! Eu me apaixonei.

Continuo sem entender,
Deparo-me com alusões tuas,
Teu nome e minha amargura.

Dos feixes da cortina vem um clarão,
Eletrocuta cada célula minha:
Passando em tua vívida menção.

Entende a referência da tua essência,
Tua presença me é combustão,
E nada muda essa insuficiência.

E com o teu não dito adeus
Devo ficar,
Sou uma criança órfã.

Não há mais o que esperar,
Morre aqui nosso presente,
Estraçalhado pela regra tosca.

É tudo tão irracional,
Uma canção bidimensional,
Distante da necessidade computacional.

Estou impotente e comocional,
Encontro-me ao chão,
Isso é o que eles chamam de desolação?

E conforme a aflição aumenta,
Alastrando-se além da vestimenta,
Com a brisa e as rochas, sou dissipada.

Desespero sobre travesseiro,
Lamúria sob o chuveiro.
Pungente envolvimento.

Em minha distração tu és o acento,
Para meu alimento tu és o melhor argumento,
Neste advento eu me aposento.

Em tua figura meu pensamento está atento,
Este é um evento que, sem hesitar, assento,
Ainda que se torne o meu tormento.

Sinto tua falta como a maré sem a lua,
Nossa cumplicidade não foi simples aventura,
Tu és confortável armadura.

Espírito abalado longe do teu lado,
Ouvindo-te no murmúrio frustrado,
Os traços do teu rosto eu sei de cor.

Dezembro de 2018,
Thais Poentes