Levados Pela Poesia

terça-feira, 16 de julho de 2019

Como no meio do precipício,
Ninguém vai me acompanhar,
É uma loucura estratosférica,
Sem a chance de mudança,
Sem a inocência da criança,
Sem o tempo de me festejar.

Caraminholas na cabeça, há,
O vício de desestruturar, ah,
Esse há, mas na mudança,
O sentido de toda a esperança,
O doce sonho da boa vingança,
Há, e a justiça sempre tardará,
Aí está, vil e banal contradição.

Um homem moderno de terno,
O mundo cercado de inferno,
As ruas vibrando suas cordas,
As musas cintilando sinuosas,
E ninguém encontra o pensar,
A liberdade acabou de morrer,
Mas a verdade acabou de matar.

Só, neste mundo tão cheio,
Nego a companhia sã, pois fujo,
Como corro para te alcançar,
É inútil e rancoroso, sombrio,
Vazio e sem rastro da sorte,
Caminho sem medo da morte,
Caio fundo no mar dos venenos,
Será que alguém vai escutar?!
Sábio e impaciente desespero,
Vou em frente, sem mais falar.

(Augusto Fossatti)

segunda-feira, 1 de julho de 2019

Janeiro infinito,
Janeiro que não acaba,
Junto ao desenlaço que embargo,
Desvincular-te de mim
Tem sido lento e esquisito,
Uma parte saindo assim,
Tirando do calçado o cadarço.
Um fantasma com teu rosto encravado;
Metade dentro, metade ao meu lado;
Tão ligado, tão fora...
Aos poucos deixo de sentir sua aura.
Tão logo foi embora,
E não soube abandonar.

O que poderia pensar
Os pensamentos agora invertidos?
Fez-me bastante só,
Como o sonho esquecido.

O que sentir
Os sentimentos vencidos?
Trouxe um calo silencioso.

Sou um ser ocioso,
Procurando fazer tudo
E não fazendo nada,
Desânimo mudo,
Desnutrição calada.

Com o que me preocupar?
As rimas eu jogo fora,
Juntamente à esperança torta.

Eu que não tinha noção,
Jurei ser aquela a porta
Que traria a melhor emoção,
Entrei sem nenhum culhão,
Levei o furacão,
Defini indecisão.

Procurei redenção para a tentação,
Desejei escapar da maldição,
Maldita seja,
Que eu estou amaldiçoada.
Piada o que tem feito de mim.

Sei que não te sentes mais bem assim.

E o que poderias cometer?
Além de tentar transformar em beleza
A embriaguez que levou ao tormento.
Mas que coisa bela de se crer!
Vamos construir a fortaleza,
Pega aí o teu cimento.

Estou febril e calorenta.

Pode ter sido coincidência
Eu ter ido nessa correnteza,
Sem nenhuma estranheza que orienta
Ao fim dessa contingência.
Meu espetáculo insosso,
Sentes em vosso osso?
Esse esboço natural
Retrata a história real,
Minha alegoria,
Que lhe eletrocutaria.

É confuso quando digo
Que pode ser irracional
Tudo o que foi expressado,
Porém, ao menos, algo eu afirmo:
Não foi vazia a saudade,
Bateu forte em minha idade,
Por um momento foi alismo.

Que porcaria estou falando?
Já estou delirando?
Está simples demais?
Não, é multiforme e excessivo.

Este idealizado resultado de dânais
Tem sido abusivo.

Absolva-me por ignorar
O que não posso desatentar.
Vê?! Devo rejeitar.

Essa noite eu sonhei que por ti fui condenada
Pelo crime de te deixar abandonada,
Não ter lhe respondido mais absolutamente nada.

Estou sentada, esperando
Pelo desfecho deste novo ano.

Deitada, agonizando.
Meu desassossego.
Tem sido assim, desviando
Do meu apego.

Procurei pelo o que atenua.
Sabe do pneu na rua?
Não havia o notado,
Então veio o baralhamento
E tudo ficou mais claro.

Pensei que já havia aceitado,
Não se resume em tormento,
Mas o preço tem sido caro.

Janeiro de 2019,
Thais Poentes

sábado, 29 de junho de 2019

Na corrente de meus truques,
Sempre controlei mil mentes,
Enganei todos de forma veloz,
Mesmo os mais inteligentes.

Se fui de fato muito errado,
Não sei dizer bem exatamente,
Só posso dizer que eu sofri
Com as mentiras, atualmente.

Pois a morte é o nosso medo,
E jamais prontos estaremos,
Ainda mais quando acontece
Com quem nós tanto queremos.

Eu amava extraordinariamente,
Não tinha receios deste final,
Mas é assim que é encarado,
Estamos fadados, reino animal.

E ainda que eu usasse truques,
Ela jamais poderia retornar,
Pois o outro plano não permite,
Podermos novamente nos amar.

Agora não sei o que faço,
Tenho apenas alguma opção,
Que não é tão alegremente,
Alguma tentativa de diversão.

O meu mundo está desarrumado,
Sem sentido ou algum motivo,
Por isto eu sigo sem um medo,
Sem nenhum mais incentivo.

E atordoado escrevo a carta,
Despedindo-me deste insano,
Vou partindo deste mundo,
Conquistando o outro plano.

Assim poderei me revitalizar,
E minha amada eterna encontrar,
Pois não posso viver assim,
Juntarei-me a ela no belo jardim.

E assim talvez eu me lembre,
De como era aquele passado,
Tão perfeito e extraordinário,
Até pela morte ser assombrado.

E me demito desta história,
Deixo com honra tais memórias,
Levo comigo tudo o que devo,
E contigo deixo este apelo.

(Augusto Fossatti)

quinta-feira, 27 de junho de 2019

Solidifico-me nessa inconstância,
Piada pronta,
Chego no fim.
Perco-me em voltar no tempo,
Lida e repetidamente,
Em frente,
Estranhamente inconsciente
de mim.

O tempo é algoz de todo o medo,
Mas o desespero é assim:
Fere os sentidos desavisados,
Desestruturados,
Indecentes,
E a mente,
Descontente consigo e descrente,
Segue só na catástrofe,
É inevitável.

Sentiu?! O choque das nuanças,
Da espada e da lança,
Lanço-te
O desafio da agonia vibrante,
Ao som desconcertante e senil.
Preso nessa jaula oca,
Cheia demais para ser louca,
Como cão encubado em canil.

A corrente flui incansavelmente,
Paradoxal e delirante.
E como rio, ele tanto riu, ouviu?!
Metamorfose calorosa,
Nauseante.
Pergunte então ao sábio falante,
Estar cercado de pessoas
Significa estar menos distante?!

Agora vou caindo, sem freio.
Tento me agarrar, mas erro.
Quero voltar...
Minha âncora?!
A fresta seca do alpinista tolo,
Em uma trilha errada,
Sem retorno.
É o frio no estômago, salve-me,
Ou me seguro, ou pulo do morro.
Morro?! Talvez...
Alcance-me,
Socorro.

(Augusto Fossatti)

segunda-feira, 24 de junho de 2019

Vê-se o perigo perto ou longínquo,
Não importa, pois só pensa em viver,
Continuar fazendo tudo o que faz
E fazer tudo aquilo que ainda irá fazer.

Quando tudo começa, quer que acabe,
Há arrepio, e a pele começa tremer,
Quer algo, mas ninguém pede a morte,
Quando está lá, pronto para morrer.

Instintos e origens voltam a aparecer,
Seus medos surgem e seu caráter muda,
Dificilmente seus ideais irão sobreviver,
Precisa se prender a algo que não iluda.

Toda a sua volta se torna um cativeiro,
É difícil ver além da futura miragem,
Não há forma de usar o conhecimento,
É necessário usar toda a sua coragem.

E como a natureza reflete este impasse?
Não ajuda, não observa e não vai agir,
Ela é traiçoeira, não quer intrometer,
Mas deixa o vilão quase sempre coagir.

O coração bate forte de forma imbecil,
Atrapalha qualquer forma de raciocínio,
Não sabe mais como poderá se mover,
Atrapalha o plano de contradomínio.

Mas tudo irá depender da comparação,
Sua mente viaja procurando modelos,
É como um prisma que reflete a loucura,
Batendo e voltando em todos espelhos.

Aparecem nas horas mais envolventes,
Outras vezes em momentos contentes,
De vez em quando em horários quentes,
Alguns tristes, porém outros sorridentes.

Infelizmente não há como se livrar,
Este ácido corrói toda sua liberdade,
Mas não há culpa de uma perturbação,
Só é ruim quando não há veracidade.

Um surto e... tudo mesmo pode acontecer,
Um super-herói ou um vilão inteligente,
Suas fraquezas sumindo em um instante,
E as forças deixando um ser experiente.

As drogas causam efeitos parecidos,
Revivem todos os poderes esquecidos,
Mas não pode ser assim tão natural,
Dominam as almas dos pobres perdidos.

(Augusto Fossatti)

sábado, 22 de junho de 2019

Estou confusa por estar
Como estou.
Não saberia explicar...
Diferente? Atraente?
Definitivamente,
Não estou doente.

Mas estando como estou
Seguindo esta vida,
O caminho se torna mais complicado
E solitário.

Mudar então?
Falha.
Está escrito no código
Da aplicação
Da minha emoção.

Perdida?
Como pode?!
Está tão comprovado,
A fase é “enquanto durar”,
Durar meu ser,
Meu estar.

Estar tranquila
Com os pensamentos
Que não posso evitar.

Estou,
Assim como tudo está.

Estarei bem com isto,
E assim terão eles de estar,
Porque o que importa
É o que dou importância.

Não, não há arrependimento.

2012,
Thais Poentes

quarta-feira, 8 de maio de 2019

Achei-me outra vez,
não estou mais perdido,
a bússola que estava quebrada,
consertei...

Se eu já disse isso antes,
Jamais estive tão convicto,
pois nunca tinha percebido,
a extensão de meu poder.

Poderia conquistar o mundo,
abrir mares, o sol parar,
mas prefiro ficar no quarto,
isolado para estudar.

(Augusto Fossatti)

domingo, 5 de maio de 2019

Escrevo,
Quero ser reconhecido,
Mas creio,
Todo poema é vivo.

Pergunto,
Se não existe qualidade,
Por que estou aqui
E eles na estante?

Repito,
Poderiam ser todos,
Mas e agora?
Como viver com isso?

Afirmo,
Estes meus versos
Devem ser ruins,
Ou muito perversos.

(Augusto Fossatti)

quinta-feira, 2 de maio de 2019

Verdadeiramente impossível de saber
Se nós somos nós ou se somos tão diferentes,
Somos apenas um ponto observável e brilhante,
Como será então que eles chamam a gente?
Nômades, loucos! Pode ser bem detalhado,
Ou talvez não, algo distante e impreciso,
Um pequeno ponto colorido aos telescópios,
Um pequeno e talvez futuro paraíso!

Milhões de bolas de fogo se desenvolvendo,
O que vemos são pontos de luz, pequenos,
Como reflexos solares nos espelhos,
E nós, somos guerreiros ou estamos em paz?
Essa é a nossa frieza de se sentir partindo,
Mas ainda não sabemos ao menos voar,
Como podemos ficar tais coisas pensando
Enquanto nem ao menos vamos imaginando.

Estamos mesmo no meio do nada, perdidos,
Sem a chave para a passagem ou o futuro,
Sempre esperando e devagar nos descobrindo,
É uma pena que nós não estaremos mais aqui
Para ver todo o mistério inteiro desvendar,
Mas com isso temos que nos conformar,
Não importa! Resta-nos apenas ficar esperando,
Talvez a alguns outros, ficar procurando.

Serão mesmo estrelas chamadas estrelas?
Como então será o nosso nome afinal?
Não sei! Ficamos apenas aqui devaneando,
Esperando que outros pensem assim, tão iguais
Mas a verdade é que nada sabemos,
A verdade é que, na realidade, nem queremos,
Pois o medo se sobrepõe ao desconhecido,
E então transformamos naquilo que temos.

Andrômeda será mesmo chamada assim?
E como todos eles nos chamam afinal?
Não somos nada, vendo por ângulo certo,
Apenas insetos vagando e chamando as coisas,
De tudo o que queremos, sem respeitar nada,
Apenas achando que somos donos de tudo,
Enquanto nós não temos posse alguma,
Já que amanhã mesmo, deixaremos o mundo.

(Augusto Fossatti)

sábado, 13 de abril de 2019

E se eu me apaixonar sempre que te ver?
Se eu procurar coisas doces
e ficar insatisfeita
porque nenhuma delas são os seus lábios?

Se eu perder a poesia das coisas?
Não mais vivenciar a poesia exalada
em um simples gesto seu?
Em suas não-palavras?
No vento batendo nas folhas das árvores
e a luz do pôr do sol cortando as frestas?
Nos passos de uma mulher?

O início serenamente cansativo.
Quando surgem brechas para ser patético
e sentimentalmente desequilibrado,
Tenho praticado.

É exaustivo não ter ao que se agarrar.
Nenhuma ideia clara,
nenhum sentimento
que eu tenha permissão de deixar viver.

Estou aqui...
respirando,
com o coração batendo.
Viva!
Viajando em mensagens descontextualizadas...
brisas de uma noite chuvosa de um dia qualquer,
e também de um domingo ensolarado,
na companhia de decepções
que me desestabilizam e tiram meu foco.

Em qual mito eu tenho que acreditar desta vez?
Tudo é mais uma razão
para que eu não saiba o que fazer.

Então você aparece camuflada em cada pensamento,
em tudo ao meu redor,
nos sons que ninguém mais escuta,
na letra que ninguém mais lê,
além de mim.
Quem poderia entender o valor disso,
exceto o sentimento estarrecido?
É mesmo verdade,
eu não sei o que fazer.

Eu queria apenas gostar de ti
sem me sentir tão solitária por isso.
Não sinto que esteja mais comigo
em nenhum sentido.
Eu que não sei perder,
perdi você.
Totalmente.

Percebo que ainda estou de luto.
Ainda choro
e fujo do que não posso fugir.
Acho que já basta.

Tudo pode estar soando da maneira que eu não quis dizer.
Eu só não sei como então eu poderia dizer.

Devo me libertar
de qualquer torrente que me leve a ti.
E tudo bem deixar partir...
contanto que saiba que
a tendência é exatamente esta.

Não posso te compartilhar
com o mal que tenho sentido...

E se eu desejar lhe escrever,
finja que não escrevi.
Até que eu possa não escrever.
Eu não quero mais escrever.

Janeiro de 2019,
Thais Poentes

quinta-feira, 11 de abril de 2019

Ora, que maravilha!
Mais uma vez todos sabem as respostas,
Pena que se soubessem de verdade
As dúvidas seriam solucionadas.

É um devaneio, uma luta!
Ninguém escuta o meu pedido de ajuda.
Ainda que digam que sabem sentir,
Sigo inclinado ao ceticismo cruel. 

São poucos os segundos de sorriso,
Minha alma assassinada pela "pathia".
O amor que tomou conta de meus olhos,
E que já não acha mais graça na vida.

Sou doente, sou solitário, congelado,
Um vampiro, sugando dos outros, sim,
Toda a felicidade que posso encontrar,
Nessa calamidade sem motivo ou razão.

Sinto-me violentado pelor romantismo,
Nunca desejei estes traços ilógicos,
Agora sofro uma divisão tenebrosa,
É o conflito das mentes modernas.

Sentir o que se sente e ser feliz,
Explorar os desejos até o último fio
Ou ignorar seu coração quebrado e tolo
Para viver uma vida sem graça, sem brio?

Este é meu dilema, minha rotina,
Queria eu poder solucioná-lo sozinho,
É uma pena que eu não tenha conseguido,
Pois agora vivo neste limbo, vil e oco.

(Augusto Fossatti)

terça-feira, 9 de abril de 2019

A cor forte, as pétalas voando,
O vento violento as jogando para o lado,
O cheiro sólido de cada flor sozinha,
E os espinhos fazendo a segurança.
É como imaginar milhões de papéis
Rosados, pela mata espalhados,
Como em origamis bem estruturados,
Lançados no ar ao mesmo tempo,
Parecido com um ano novo colossal,
Fogos de artifício cor de escarlate,
Mas estes não podem ir queimando,
Neles você pode até mesmo deitar,
Relaxar, se jogar, rolar, ficar pulando,
Apesar de que é gostoso só olhar
E perceber o que te rodeia de verdade,
Parece uma cidade de boas ilusões,
Mas está diante dos seus olhos atentos,
Refletindo alguns raios solares únicos,
Mesmo que foscas elas tem poder,
É uma arte incrível, uma elevação,
Um desenho programado e testado,
Instigante para toda e qualquer visão,
O horizonte é coberto e colorido,
Verde, rosa, vermelho distorcido,
Agora já não há mais volta visível,
Parece um deserto bem imprevisível,
Não vejo fontes, nem uma praia,
Apenas este vasto campo florido,
É difícil não achar tão surpreendente,
Não prosseguir andando sem descanso,
Mas eu fico neste centro absoluto
E me deito sem vergonha do perigo,
Corto-me com essas coisas afiadas,
Nunca quis lhes fazer algum mal,
É a defesa programada e instalada,
De forma bela intuitiva e natural,
É adorável poder sentir-se tão sozinho
Neste imenso e interminável pantanal.

(Augusto Fossatti)

quinta-feira, 4 de abril de 2019

Se este tempo pudesse ser banhado,
Ó, polímata dos polímatas, por ti,
Por sua capacidade de ver o real,
Por seus ideais magníficos da vida,
Não seriamos assim tão miseráveis.

Mestre de todo verdadeiro artista,
Que aprende errando e refazendo,
Experimentando sem medo irracional.
Iletrado, porém sábio dos sábios,
Pai dos primeiros cientistas verós.

Nas pessoas a profundidade do todo,
O conflito dos sentimentos loucos,
Nas paisagens o conhecimento puro,
De cada detalhe, de cada grão sujo,
E na metafísica o mundo paradoxal.

Ó, grande mestre dos mestres; rezo!
Não há como não beijar os teus pés,
Não há como não carregar a tua capa,
Abriremos passagem e será louvado,
Como quem sabia o verdadeiro valor.

Na curiosidade de cada vil detalhe,
Ensinando-nos a questionar o todo,
A aprender pela experiência, assim,
Sem verdades absolutas irrefutáveis,
Tudo deve ser analisado, de fato.

Nas Madonas ou na Lisa Gherardini,
Nos projetos inacabados, tão belos,
Na guerra, no catálogo de medicina,
Em cada canto, traço de genialidade,
Mas não inata, daquela conquistada.

Se em sua época pudessem perceber,
Se não fizessem seu amor proibido,
Quão mais feliz teria sido, Mestre?
Filho de Caterina, homem bastardo,
Maior que toda nobreza de sangue.

Verdadeiro filósofo, grande sábio,
Verdadeiro artista; revolucionário,
Verdadeiro cientista; primogênito,
Homem completo, animado, cavaleiro,
Um só corpo; um universo inteiro.

(Augusto Fossatti)

quarta-feira, 3 de abril de 2019

Acordo, para e penso.
Ela já se levantou, corro,
Pois não quero perdê-la.
Ela não gosta,
Queria ficar sozinha,
Tomar café, comer,
Estudar sua química.

Viro-me, o tempo passa,
Estamos invadindo outra casa,
É a casa de minha avó.
Ela acabou de sair,
É por isso mesmo.
Queremos fazer pipoca,
Mas acabou o nosso gás.

Estouramos a pipoca,
Aqui está o gás,
Agora ligamos de lá,
Pois não temos telefone.
Pedimos gás,
A pipoca está estourada.
Fugiremos e comeremos.

Não! A velha aparece,
É dia das mães,
Precisamos dizer.
Dizemos.
Dizemos tudo o que dito,
Precisava realmente ser.
Mas eu não acredito.

Descemos e agora comemos,
Comemos pipoca, arroz,
Beterraba!
Quanta beterraba, Deus meu!
Depois chocolate, açúcar,
Bombons de avelã e de creme.
Para quê tanta beterraba?

Depois ela dorme,
Como um felino que almoça,
Depois morre.
Pede carinho, eu dou.
Ela se perde, se atrasa.
Desmorona como o nada,
Enquanto assisto ao jogo.

Futebol é uma disputa,
Onze contra onze,
O objetivo é marcar gols.
Não pode-se tocar a bola,
Com as mãos.
Engraçado.
Meu time vence, ela dorme.

O jogo acaba, ela acorda.
Agora vai partir... eu fico.
Fico na tentação,
Nas loucuras de meus vícios.
Decido ir ao cinema,
Lá é um lugar quieto,
Um lugar onde me aquieto.

Eu saio, mas demoro,
O trânsito está terrível,
Motivo?!
Um jogo de futebol.
Posso eu reclamar?
É claro que não.
Sigo na esperança de chegar.

Perco a sessão,
Tudo bem, existe outra,
21:30, mas é domingo,
Amanhã trabalho,
Será que vou aguentar?
Não sei,
Por isso eu espero.

Espero, observando o casal,
Espero que tenham escolhido
Bem, como Paterson, o
Filme do poeta! Sim,
O poeta que cita Emily,
Emily Dickinson,
A poetisa do filme que verei.

Ontem vi um filme,
No cinema, e anteontem,
Também.
Sou cinéfilo, viciado?
Acho que sim!
A sétima arte me domina,
Domina-me mais que poesia.

Ainda assim, eram poemas,
O que Paterson fazia.
E sim, também seria sim!
Serão poemas da Emily,
Os versos que irei sentir.
Dois filmes sobre poesia,
Seria filme poesia?

Fim!

(Augusto Fossatti)

terça-feira, 2 de abril de 2019

Espalham-se por todos os cantos e lados,
Fazem estalos, não deixam em paz,
Aparecem nos reflexos espelhados,
Mas quando você olha não os vê mais,
Pois a graça de suas vidas derrotadas
É assustar aqueles que ainda são válidos.

Não teimam, nem se mexem direito,
Sussurram os vultos, como sem preocupar,
Que pena que não podemos matá-los,
Infelizmente é matéria que não posso tocar,
E nesta injustiça das espécies mais fracas,
Os invencíveis não permitem excomungar.

Somos inválidos e fracos por qual culpa?
Sem reação é difícil quebrar a conduta,
Mas não importa, é o preço que há de pagar,
Nunca fugir desta intensa e psicológica luta.
Se ao menos tivéssemos a chance de reagir,
Talvez assim eles não pudessem sumir.

Porém, infelizmente, isto nunca teremos,
Pois a vida não é justa nem mesmo assim,
E fica menos na medida que mais queremos,
É uma velha loucura que vive em mim.
Matamos todos os homens errados sim,
Os verdadeiros nós todos já esquecemos.

Ah! Mas isto de fato não importa mesmo,
Prometo que nós podemos guardar segredo,
E aí me pergunto quem é que não tem medo,
Será realmente nós que vivemos no espelho?
Mantemo-nos em planos reais e tocáveis,
Venham para cá e lutaremos sem vantagens.

(Augusto Fossatti)

segunda-feira, 1 de abril de 2019

Tristeza que chega
Por tua ausência,
Um jeito há de ter
Para apenas esquecer.

Seria bom estar contigo
Sob teu abrigo.

Ah, este pesar!
Como inibir a solidão?
Tome, pegue meu coração!

O receio que vive em mim
Priva-me de meu único objetivo.
Sim, é ridículo.

É complexo
E inusitado.
Tanto faz!
Desejo me encontrar ao seu lado.

Anseia-me como lhe aspiro?
Quero-te!
É o que repito
E clamo.

2013,
Thais Poentes

quarta-feira, 27 de março de 2019

Toda essa inveja,
Toda essa insegurança,
A profundidade de sentimentos,
Toda essa vontade de se provar,
As lágrimas, as dificuldades,
As confusões, as mentiras,
Os amores, os temores,
A dificuldade de se expressar,
A dor de perceber os outros,
É por isso que eu te procuro,
Porque você é como eu fui,
Você é como fui na infância,
É como fui na pré-adolescência.
Olhos brilhantes, amor platônico,
Sentimentos controversos
Muito fortes na idade errada…
Sem saída, sem aprovações,
Eu sei o quanto você sofre,
Sei que ninguém mais entende,
Mas sei que você é boa menina,
Digam o que disserem, Mafê.

(Augusto Fossatti)

terça-feira, 26 de março de 2019

Fiz um poema perfeito,
Eram os mais profundos sentimentos.
Alguém pediu para eu melhorar,
Mas eu não aceito, era perfeito.

Todo poema é perfeito, é sim,
Não há qualidade no sentimento,
Não é música para se criticar,
É uma aventura sem terra nem mar.

Quer um poema perfeito?
Pois bem, aí então ele está:

Poema poema, poesia, poesia,
Poema poema, poesia, poesia,
Poema poema, poesia, poesia,
Poema poema, poesia, poesia.

(Augusto Fossatti)
O melhor café de todo o mundo,
Não existe excitante mais profundo,
Cada palavra, em cada segundo,
Penetra-me de forma incessante,
Todo o brilho e todo boa noite
Tranquilizam-me e me fazem sorridente,
Vejo-te em minhas loucas fantasias,
A despedida é o pior momento.
Logo penso em você e me contento,
Não é o suficiente, quero-te aqui,
No meio das cobertas enroladas,
Sentir o teu corpo e tua alma,
É o que eu imagino em todo tempo,
Sem malícia ou mau pensamento,
Apenas fazendo o que tenho feito,
Vendo-te, podendo tocá-la sem medo.
Tenho medo! Não posso perdê-la,
A joia mais cara e a flor mais rara,
A vida é escura, chata e amarga,
Tu és a diferença que me encanta,
Sem ti só há aquele famoso sentido,
O triste e incansável sofrimento,
Não, não me deixe, não deixe
Esta coisa se apagar entre a gente,
Pois sei que você também sente,
Quando nós nos tocamos às vezes,
Logo sinto minha razão estremecer,
Afinal, de nada eu quero saber,
Só quero lhe dar o nosso prazer,
Tudo isto se concentra nesta hora,
A hora que todo dia vai embora,
Sinto um grande vazio escurecido,
Mas logo vejo seu rosto e me animo,
Não quero sentir isto sozinho,
Venha então dividir tudo comigo,
Deixe-me sentir teus lábios desejados,
A sensação seria de uma explosão,
E nunca mais lhe deixaria sozinha,
Até o dia em que me deixasse,
Talvez não aguentasse tanto grude,
Já que sou ferro e você é um imã,
Isto é algo que não se ensina,
Encantar nobres almas perdidas,
Salvá-las da safra do suicídio,
Que é boa nesta época do ano,
Mas o ópio é a minha nova cafeína,
A mais bela e querida cravina,
Torna minha morta vida tão viva!
Então não se esqueça da despedida,
Sinto-me confortável neste canal,
E cada segundo imagino teu rosto,
Cada momento vejo o teu corpo,
Perto de mim quebrando limites,
Nada diminui, apenas aumenta,
Não tenho medo do que vem depois,
Eu te quero comigo aqui toda noite!

(Augusto Fossatti)

sábado, 9 de março de 2019

Para aonde encaminhar nossos sonhos?
Qualquer insistência de nada adiantou.

Temos o que restou:
O desejo do que não possuímos.
Um desejo vão,
Que não encontra mais direção,
Definhando em sua própria indefinição.
Não tem abrigo,
Não posso mantê-lo aqui comigo.

E, por isso, peço perdão
A ti, Desejo perdido, por ter sido Frustração
A nova companheira desde então.

E irá nos fazer mal,
Seu único propósito trouxe consigo,
Em sua mão está o canivete,

Nele um adesivo escrito "adagial",
Declarado seu pródigo amigo
E o seu flerte magnete.

Esbanja nossa ruína,
Nega nossa cortina,
A que tapa a cálida neblina,
Retirando nossa morfina.

Dito seu indulto: a pior heroína.
Despeço-me dessa sina,
Após conceder-lhe um espaço em minha cripta.

Sem resposta,
E que seja assim.
Tendo-te longe, tão perto de mim.

Um vazio espiral,
Posto o vendaval.

E o que poderia conceber?
Qual a diferença?
Por que manter qualquer crença?
O que fazer?

Qual o significado de contemplar o que não chegou?
Realmente importa a ela
O elo que abnegou?
Quis a transformada tímela.

É isto mesmo,
Não entendeu errado.
Se enganou, com seu egoísmo;
Iludiu-se ao acreditar em sentimento empoçado.

Janeiro de 2019, 
Thais Poentes
(Psicografado por mim, em 2042).

Quando eu era poeta pequeno
ninguém lia meus poemas,
agora qualquer coisa que digo
ganha notoriedade nacional!
Por que não procuram os novos
talentos que, sem dúvida, hoje
produzem conteúdo mais atual?

Não adianta! Se eu digo "Oi",
vira um clássico literário,
atemporal. Ah! Que nostálgico.
Ainda lembro-me daqueles
dias sombrios quando somente
três ou quatro pessoas liam
de fato o que eu escrevia:
uma delas era minha mãe, a
outra era a minha tia, muitas
vezes minha parceira na trilha,
um primo, professor, etc e tal.

Se eu pudesse dizer o que fiz
para atingir meu status atual,
mas infelizmente eu não sei,
foi tudo tão de repente que um
dia eu estava escrevendo no
Facebook e no outro eu atingia
um público incrível e anormal.

Se eu tenho um conselho para
os novos poetas, sem dúvida, é:
Continuem escrevendo loucamente,
Produzam mais do que os outros,
Enfie sua poesia goela abaixo
de todos aqueles que estão ao
seu redor, até que eles notem
que no fim você tem uma arte e
tem algo a dizer em seu verso.

O reconhecimento demorou a vir,
A vida de artista é complexa
e talvez a mais ingrata do todo,
mas talvez uma hora sua fibra
possa gerar, com sorte, a faísca
que me trouxe até este momento!!

Na minha época não entendiam,
e talvez nunca voltem a entender,
a poesia tem um valor maior
e muito mais profundo do que
qualquer postagem com frase vil
e totalmente banal possa prover.

(Augusto Fossatti)
Treze anos de espera e o fim. Quem liga realmente?
De base em base a educação coage,
Afinal, isto é, ou é algo apenas de passagem?
Sinto-me retraído, oprimido e violentado,
Ditadores inconscientes assopram conhecimento,
A desculpa é a mesma, o futuro, o direito.
Entretanto, não me sinto forte...
Ideias batem e rebatem por todos os cantos,
Penetram na mente adolescente,
Como consegue deitar e descansar em paz?
Professor! Como és tão frio e gentil!
O sistema pede, eles obedecem,
E a mente dos necessitados perece.
Sente-se e pelo menos assista ao show,
Lavagem, ninguém, nem demônio merece...

Treze anos de espera e o fim. Longe de ser verdade,
Continuamos aqui vivendo nesta bela cidade,
Cidade forte e desenvolvida, crescida,
Quem realmente liga? Enfraquecidos estamos,
Buscando algo a se prender,
Lá estão nos jornais: cure-se,
Visite as catedrais infernais, ganhe poder,
Vá, bando de animais, sigam tal destino,
Não são tão racionais?
Sem mais...

(Augusto Fossatti)

quarta-feira, 6 de março de 2019

Minha mão segurou,
Apertou, a acariciou
E não mais a soltou.

E que belo diamante!
A peça de uma amante.

Percebo-a enquanto me observa,
E eu já a quis, que encruzada!

De mim ela gosta?
“É merecido!”, me é dito.
Sentimento em alteração.

Sua mão, tão leve,
Quase segurando meu coração.

Reconhece meu toque
Quando está sem ar?
Tenho seus dedos,
Um bem acolhido.
Um redemoinho tranquilo.

Sua voz chama meu nome
Dentro das palavras de afeto,
No silêncio estou perdida,
A neve me deixou estremecida.

E que verdade me expõe!
Chocada, sorrio.
Quero lhe conhecer,
Sem dúvida,
Paixão eu não sinto.

Coisa do verão,
Abala-te,
Para depois te abanar.
Consegue vivenciar?

É provável que me agrade
E que eu não me importe.
O que posso saber ou sentir?

Chega de confusão!
Chega de ti?

Março de 2013,
Thais Poentes
Nem sei por onde começar para colocar tudo isso para fora,
mas sinto-me como se eu fosse jovem outra vez.
como se o frio na barriga voltasse a ter inocência.

Tudo o que eu queria estava ao meu alcance,
menos o poder de poder parar o tempo e ali permanecer,
congelado para sempre em um simples e sereno instante.

Achei que nunca mais me sentiria parte de algo divertido,
parte de algo que fizesse realmente algum sentido,
não para alcançar qualquer coisa, mas apenas para viver.

"Apenas respire", dizia uma grande amiga poeta,
Apenas respire, porque é a única coisa que pode fazer.

Sinto-me como se eu pudesse voar em direção ao sol e
atravessá-lo como uma onda, preenchendo-me com o seu calor.

Sinto-me como se eu pudesse escrever por mais dezoito horas,
somente sobre essa sensação que, ao mesmo tempo, não consigo nem sonhar em descrever tamanho fulgor.


(Augusto M. Fossatti)

terça-feira, 5 de março de 2019

Como em um mar de povo,
Mescla-se piados e vozes,
Não há silêncio verdadeiro,
Nem no vento há pureza beata.

Os gritos não cessam, povo fala,
O povo não cala, ladra,
Pátria amada sem canto vazio,
A cidade está lotada, abarrotada.

Estou cheio dessa parafernália,
Patifaria, sujeira dessa gentalha,
Por favor, me dê um canto só,
Deixe-me respirar minha solidão.

Somente as crianças são inocentes?
Puras pela santificada repetição?
Não sei se posso as culpar por nada,
É culpa de nossa vil aberração.

(Augusto Fossatti)
O tempo vai todo passando, 
O ano vai fundo e caminhando, 
Já vai mudando de estação, 
E vou descrevendo-o então. 

Crucificamos e lutamos bem, 
Passamos por todo o amor, 
Hora da nossa natureza forte 
Entrar na folha com esplendor.

O natural e todos os espíritos 
Do interior e sem restrições, 
Sem pensar muito ou calcular, 
Apenas a batida dos corações. 

Liberdade de pura expressão, 
Só deixar passar o que pensa, 
Sem nenhum pavor ou temor, 
Sem permitir uma mente tão tensa. 

Na leveza das folhas verdes,
Transformo-me em energia, 
Sou uma pequena partícula 
E isso é tudo o que eu queria.

Assim sigo nesta eterna brisa, 
Buscando um infinito estável, 
E é tempo de buscar tais vícios, 
Aquele segundo mais agradável. 

Por isso eu te digo, chegamos, 
Este é o ponto crucial do saber, 
É um tempo psicológico frio, 
Precisa assim sempre se erguer. 

(Augusto Fossatti)

domingo, 17 de fevereiro de 2019

As rochas sussurravam para que triunfemos,
Mas isto foi ignorado.

Um ano novo,
Uma vida velha renovada.

Uma flor rara arrancada,
Esmagada e despedaçada,
Mastigada e cuspida,
Não ingerida,
Expelida
E poluída
Pelo rio das lágrimas todas que se formou,
Também do suor e do torpor.

Ela caiu na torrente,
Guiada pelo golpe latejante,
Desceu pela água, e foi embora.

Lembrara ela, uma vez sorridente,
Da fantasia de
Uma nova aura,
Aquela que se desfez na fumaça
Da terra ressecada
(Ironicamente, o rio nela é deficiente),
E desapareceu na neblina
Da teoria não cumprida.

Onde está o novo dia?
O pôr do sol me encobriu
E a noite chegou.
Desapareço.

Não consigo mais enxergar,
Já não tenho o que declarar,
Dissipado o medo,
Perdeu-se o desejo.

O cheiro da flor que há muito não sentia,
O último pingo de sua serventia
Arde em minha ferida de estadia.

E quem diria,
Além da razão,
Que o inegável teria me derrubado
Com tamanha precisão?

Eu não pude desfazer
Nossos dedos entrelaçados
Da minha memória,

E agora penso em desviver
Entre os desgraçados
E me tornar escória.

Feitos descartados,
Não são mais nada.
Ponho-me de joelho sobre os cactos,
Da minha pele escorre um sonho condenado,
Corto minhas mãos
Nas pontas afiadas da desilusão,
E tanto faz.

Foi tudo, porém, tão real.

Não olho para as luzes ao alto,
Tudo o que mais anseio
Encontra-se em um salto.

E o que vale a pena?
Mais uma alma pequena.
E onde adormece a esperança?
Na mórbida dança?!
Que se dane isso,
É puro desperdício!

Eu não quero me importar,
Estar morta por dentro,
E quem me dera por fora.

Este é o resíduo outonal,
Um simples madrigal.

Janeiro de 2019,
Thais Poentes
O que ser?
O que não ser?
E por quê?
E daí?!

Mudar para quê?!
Insistir em quê?
Alternância de estilo?!
Isso eu fuzilo.

Vê o toque rútilo?
Algo que posso retrucar.
Nada que eu receie,
Veja, seria simples demais aceitar.
E o que constituiria a minha desfavorecida essência?
Não peço que a abranja,
Qual motivo existiria além da receita?

Importar-me não me apetece,
Seguir assim como desenhei me esplandece,
Basta acompanhar a linha segura de minha afirmativa.
Sou o que sou e devo ser, é minha prerrogativa.

A relevância é o contentamento
Que deve comparecer.
Incompreensível, lhe digo:
Todos podem atingi-lo,
Até um pobre ser!

2012,
Thais Poentes