Levados Pela Poesia

quarta-feira, 8 de maio de 2019

Achei-me outra vez,
não estou mais perdido,
a bússola que estava quebrada,
consertei...

Se eu já disse isso antes,
Jamais estive tão convicto,
pois nunca tinha percebido,
a extensão de meu poder.

Poderia conquistar o mundo,
abrir mares, o sol parar,
mas prefiro ficar no quarto,
isolado para estudar.

(Augusto Fossatti)

domingo, 5 de maio de 2019

Escrevo,
Quero ser reconhecido,
Mas creio,
Todo poema é vivo.

Pergunto,
Se não existe qualidade,
Por que estou aqui
E eles na estante?

Repito,
Poderiam ser todos,
Mas e agora?
Como viver com isso?

Afirmo,
Estes meus versos
Devem ser ruins,
Ou muito perversos.

(Augusto Fossatti)

quinta-feira, 2 de maio de 2019

Verdadeiramente impossível de saber
Se nós somos nós ou se somos tão diferentes,
Somos apenas um ponto observável e brilhante,
Como será então que eles chamam a gente?
Nômades, loucos! Pode ser bem detalhado,
Ou talvez não, algo distante e impreciso,
Um pequeno ponto colorido aos telescópios,
Um pequeno e talvez futuro paraíso!

Milhões de bolas de fogo se desenvolvendo,
O que vemos são pontos de luz, pequenos,
Como reflexos solares nos espelhos,
E nós, somos guerreiros ou estamos em paz?
Essa é a nossa frieza de se sentir partindo,
Mas ainda não sabemos ao menos voar,
Como podemos ficar tais coisas pensando
Enquanto nem ao menos vamos imaginando.

Estamos mesmo no meio do nada, perdidos,
Sem a chave para a passagem ou o futuro,
Sempre esperando e devagar nos descobrindo,
É uma pena que nós não estaremos mais aqui
Para ver todo o mistério inteiro desvendar,
Mas com isso temos que nos conformar,
Não importa! Resta-nos apenas ficar esperando,
Talvez a alguns outros, ficar procurando.

Serão mesmo estrelas chamadas estrelas?
Como então será o nosso nome afinal?
Não sei! Ficamos apenas aqui devaneando,
Esperando que outros pensem assim, tão iguais
Mas a verdade é que nada sabemos,
A verdade é que, na realidade, nem queremos,
Pois o medo se sobrepõe ao desconhecido,
E então transformamos naquilo que temos.

Andrômeda será mesmo chamada assim?
E como todos eles nos chamam afinal?
Não somos nada, vendo por ângulo certo,
Apenas insetos vagando e chamando as coisas,
De tudo o que queremos, sem respeitar nada,
Apenas achando que somos donos de tudo,
Enquanto nós não temos posse alguma,
Já que amanhã mesmo, deixaremos o mundo.

(Augusto Fossatti)

sábado, 13 de abril de 2019

E se eu me apaixonar sempre que te ver?
Se eu procurar coisas doces
e ficar insatisfeita
porque nenhuma delas são os seus lábios?

Se eu perder a poesia das coisas?
Não mais vivenciar a poesia exalada
em um simples gesto seu?
Em suas não-palavras?
No vento batendo nas folhas das árvores
e a luz do pôr do sol cortando as frestas?
Nos passos de uma mulher?

O início serenamente cansativo.
Quando surgem brechas para ser patético
e sentimentalmente desequilibrado,
Tenho praticado.

É exaustivo não ter ao que se agarrar.
Nenhuma ideia clara,
nenhum sentimento
que eu tenha permissão de deixar viver.

Estou aqui...
respirando,
com o coração batendo.
Viva!
Viajando em mensagens descontextualizadas...
brisas de uma noite chuvosa de um dia qualquer,
e também de um domingo ensolarado,
na companhia de decepções
que me desestabilizam e tiram meu foco.

Em qual mito eu tenho que acreditar desta vez?
Tudo é mais uma razão
para que eu não saiba o que fazer.

Então você aparece camuflada em cada pensamento,
em tudo ao meu redor,
nos sons que ninguém mais escuta,
na letra que ninguém mais lê,
além de mim.
Quem poderia entender o valor disso,
exceto o sentimento estarrecido?
É mesmo verdade,
eu não sei o que fazer.

Eu queria apenas gostar de ti
sem me sentir tão solitária por isso.
Não sinto que esteja mais comigo
em nenhum sentido.
Eu que não sei perder,
perdi você.
Totalmente.

Percebo que ainda estou de luto.
Ainda choro
e fujo do que não posso fugir.
Acho que já basta.

Tudo pode estar soando da maneira que eu não quis dizer.
Eu só não sei como então eu poderia dizer.

Devo me libertar
de qualquer torrente que me leve a ti.
E tudo bem deixar partir...
contanto que saiba que
a tendência é exatamente esta.

Não posso te compartilhar
com o mal que tenho sentido...

E se eu desejar lhe escrever,
finja que não escrevi.
Até que eu possa não escrever.
Eu não quero mais escrever.

Janeiro de 2019,
Thais Poentes

quinta-feira, 11 de abril de 2019

Ora, que maravilha!
Mais uma vez todos sabem as respostas,
Pena que se soubessem de verdade
As dúvidas seriam solucionadas.

É um devaneio, uma luta!
Ninguém escuta o meu pedido de ajuda.
Ainda que digam que sabem sentir,
Sigo inclinado ao ceticismo cruel. 

São poucos os segundos de sorriso,
Minha alma assassinada pela "pathia".
O amor que tomou conta de meus olhos,
E que já não acha mais graça na vida.

Sou doente, sou solitário, congelado,
Um vampiro, sugando dos outros, sim,
Toda a felicidade que posso encontrar,
Nessa calamidade sem motivo ou razão.

Sinto-me violentado pelor romantismo,
Nunca desejei estes traços ilógicos,
Agora sofro uma divisão tenebrosa,
É o conflito das mentes modernas.

Sentir o que se sente e ser feliz,
Explorar os desejos até o último fio
Ou ignorar seu coração quebrado e tolo
Para viver uma vida sem graça, sem brio?

Este é meu dilema, minha rotina,
Queria eu poder solucioná-lo sozinho,
É uma pena que eu não tenha conseguido,
Pois agora vivo neste limbo, vil e oco.

(Augusto Fossatti)

terça-feira, 9 de abril de 2019

A cor forte, as pétalas voando,
O vento violento as jogando para o lado,
O cheiro sólido de cada flor sozinha,
E os espinhos fazendo a segurança.
É como imaginar milhões de papéis
Rosados, pela mata espalhados,
Como em origamis bem estruturados,
Lançados no ar ao mesmo tempo,
Parecido com um ano novo colossal,
Fogos de artifício cor de escarlate,
Mas estes não podem ir queimando,
Neles você pode até mesmo deitar,
Relaxar, se jogar, rolar, ficar pulando,
Apesar de que é gostoso só olhar
E perceber o que te rodeia de verdade,
Parece uma cidade de boas ilusões,
Mas está diante dos seus olhos atentos,
Refletindo alguns raios solares únicos,
Mesmo que foscas elas tem poder,
É uma arte incrível, uma elevação,
Um desenho programado e testado,
Instigante para toda e qualquer visão,
O horizonte é coberto e colorido,
Verde, rosa, vermelho distorcido,
Agora já não há mais volta visível,
Parece um deserto bem imprevisível,
Não vejo fontes, nem uma praia,
Apenas este vasto campo florido,
É difícil não achar tão surpreendente,
Não prosseguir andando sem descanso,
Mas eu fico neste centro absoluto
E me deito sem vergonha do perigo,
Corto-me com essas coisas afiadas,
Nunca quis lhes fazer algum mal,
É a defesa programada e instalada,
De forma bela intuitiva e natural,
É adorável poder sentir-se tão sozinho
Neste imenso e interminável pantanal.

(Augusto Fossatti)

quinta-feira, 4 de abril de 2019

Se este tempo pudesse ser banhado,
Ó, polímata dos polímatas, por ti,
Por sua capacidade de ver o real,
Por seus ideais magníficos da vida,
Não seriamos assim tão miseráveis.

Mestre de todo verdadeiro artista,
Que aprende errando e refazendo,
Experimentando sem medo irracional.
Iletrado, porém sábio dos sábios,
Pai dos primeiros cientistas verós.

Nas pessoas a profundidade do todo,
O conflito dos sentimentos loucos,
Nas paisagens o conhecimento puro,
De cada detalhe, de cada grão sujo,
E na metafísica o mundo paradoxal.

Ó, grande mestre dos mestres; rezo!
Não há como não beijar os teus pés,
Não há como não carregar a tua capa,
Abriremos passagem e será louvado,
Como quem sabia o verdadeiro valor.

Na curiosidade de cada vil detalhe,
Ensinando-nos a questionar o todo,
A aprender pela experiência, assim,
Sem verdades absolutas irrefutáveis,
Tudo deve ser analisado, de fato.

Nas Madonas ou na Lisa Gherardini,
Nos projetos inacabados, tão belos,
Na guerra, no catálogo de medicina,
Em cada canto, traço de genialidade,
Mas não inata, daquela conquistada.

Se em sua época pudessem perceber,
Se não fizessem seu amor proibido,
Quão mais feliz teria sido, Mestre?
Filho de Caterina, homem bastardo,
Maior que toda nobreza de sangue.

Verdadeiro filósofo, grande sábio,
Verdadeiro artista; revolucionário,
Verdadeiro cientista; primogênito,
Homem completo, animado, cavaleiro,
Um só corpo; um universo inteiro.

(Augusto Fossatti)

quarta-feira, 3 de abril de 2019

Acordo, para e penso.
Ela já se levantou, corro,
Pois não quero perdê-la.
Ela não gosta,
Queria ficar sozinha,
Tomar café, comer,
Estudar sua química.

Viro-me, o tempo passa,
Estamos invadindo outra casa,
É a casa de minha avó.
Ela acabou de sair,
É por isso mesmo.
Queremos fazer pipoca,
Mas acabou o nosso gás.

Estouramos a pipoca,
Aqui está o gás,
Agora ligamos de lá,
Pois não temos telefone.
Pedimos gás,
A pipoca está estourada.
Fugiremos e comeremos.

Não! A velha aparece,
É dia das mães,
Precisamos dizer.
Dizemos.
Dizemos tudo o que dito,
Precisava realmente ser.
Mas eu não acredito.

Descemos e agora comemos,
Comemos pipoca, arroz,
Beterraba!
Quanta beterraba, Deus meu!
Depois chocolate, açúcar,
Bombons de avelã e de creme.
Para quê tanta beterraba?

Depois ela dorme,
Como um felino que almoça,
Depois morre.
Pede carinho, eu dou.
Ela se perde, se atrasa.
Desmorona como o nada,
Enquanto assisto ao jogo.

Futebol é uma disputa,
Onze contra onze,
O objetivo é marcar gols.
Não pode-se tocar a bola,
Com as mãos.
Engraçado.
Meu time vence, ela dorme.

O jogo acaba, ela acorda.
Agora vai partir... eu fico.
Fico na tentação,
Nas loucuras de meus vícios.
Decido ir ao cinema,
Lá é um lugar quieto,
Um lugar onde me aquieto.

Eu saio, mas demoro,
O trânsito está terrível,
Motivo?!
Um jogo de futebol.
Posso eu reclamar?
É claro que não.
Sigo na esperança de chegar.

Perco a sessão,
Tudo bem, existe outra,
21:30, mas é domingo,
Amanhã trabalho,
Será que vou aguentar?
Não sei,
Por isso eu espero.

Espero, observando o casal,
Espero que tenham escolhido
Bem, como Paterson, o
Filme do poeta! Sim,
O poeta que cita Emily,
Emily Dickinson,
A poetisa do filme que verei.

Ontem vi um filme,
No cinema, e anteontem,
Também.
Sou cinéfilo, viciado?
Acho que sim!
A sétima arte me domina,
Domina-me mais que poesia.

Ainda assim, eram poemas,
O que Paterson fazia.
E sim, também seria sim!
Serão poemas da Emily,
Os versos que irei sentir.
Dois filmes sobre poesia,
Seria filme poesia?

Fim!

(Augusto Fossatti)

terça-feira, 2 de abril de 2019

Espalham-se por todos os cantos e lados,
Fazem estalos, não deixam em paz,
Aparecem nos reflexos espelhados,
Mas quando você olha não os vê mais,
Pois a graça de suas vidas derrotadas
É assustar aqueles que ainda são válidos.

Não teimam, nem se mexem direito,
Sussurram os vultos, como sem preocupar,
Que pena que não podemos matá-los,
Infelizmente é matéria que não posso tocar,
E nesta injustiça das espécies mais fracas,
Os invencíveis não permitem excomungar.

Somos inválidos e fracos por qual culpa?
Sem reação é difícil quebrar a conduta,
Mas não importa, é o preço que há de pagar,
Nunca fugir desta intensa e psicológica luta.
Se ao menos tivéssemos a chance de reagir,
Talvez assim eles não pudessem sumir.

Porém, infelizmente, isto nunca teremos,
Pois a vida não é justa nem mesmo assim,
E fica menos na medida que mais queremos,
É uma velha loucura que vive em mim.
Matamos todos os homens errados sim,
Os verdadeiros nós todos já esquecemos.

Ah! Mas isto de fato não importa mesmo,
Prometo que nós podemos guardar segredo,
E aí me pergunto quem é que não tem medo,
Será realmente nós que vivemos no espelho?
Mantemo-nos em planos reais e tocáveis,
Venham para cá e lutaremos sem vantagens.

(Augusto Fossatti)

segunda-feira, 1 de abril de 2019

Tristeza que chega
Por tua ausência,
Um jeito há de ter
Para apenas esquecer.

Seria bom estar contigo
Sob teu abrigo.

Ah, este pesar!
Como inibir a solidão?
Tome, pegue meu coração!

O receio que vive em mim
Priva-me de meu único objetivo.
Sim, é ridículo.

É complexo
E inusitado.
Tanto faz!
Desejo me encontrar ao seu lado.

Anseia-me como lhe aspiro?
Quero-te!
É o que repito
E clamo.

2013,
Thais Poentes

quarta-feira, 27 de março de 2019

Toda essa inveja,
Toda essa insegurança,
A profundidade de sentimentos,
Toda essa vontade de se provar,
As lágrimas, as dificuldades,
As confusões, as mentiras,
Os amores, os temores,
A dificuldade de se expressar,
A dor de perceber os outros,
É por isso que eu te procuro,
Porque você é como eu fui,
Você é como fui na infância,
É como fui na pré-adolescência.
Olhos brilhantes, amor platônico,
Sentimentos controversos
Muito fortes na idade errada…
Sem saída, sem aprovações,
Eu sei o quanto você sofre,
Sei que ninguém mais entende,
Mas sei que você é boa menina,
Digam o que disserem, Mafê.

(Augusto Fossatti)

terça-feira, 26 de março de 2019

Fiz um poema perfeito,
Eram os mais profundos sentimentos.
Alguém pediu para eu melhorar,
Mas eu não aceito, era perfeito.

Todo poema é perfeito, é sim,
Não há qualidade no sentimento,
Não é música para se criticar,
É uma aventura sem terra nem mar.

Quer um poema perfeito?
Pois bem, aí então ele está:

Poema poema, poesia, poesia,
Poema poema, poesia, poesia,
Poema poema, poesia, poesia,
Poema poema, poesia, poesia.

(Augusto Fossatti)
O melhor café de todo o mundo,
Não existe excitante mais profundo,
Cada palavra, em cada segundo,
Penetra-me de forma incessante,
Todo o brilho e todo boa noite
Tranquilizam-me e me fazem sorridente,
Vejo-te em minhas loucas fantasias,
A despedida é o pior momento.
Logo penso em você e me contento,
Não é o suficiente, quero-te aqui,
No meio das cobertas enroladas,
Sentir o teu corpo e tua alma,
É o que eu imagino em todo tempo,
Sem malícia ou mau pensamento,
Apenas fazendo o que tenho feito,
Vendo-te, podendo tocá-la sem medo.
Tenho medo! Não posso perdê-la,
A joia mais cara e a flor mais rara,
A vida é escura, chata e amarga,
Tu és a diferença que me encanta,
Sem ti só há aquele famoso sentido,
O triste e incansável sofrimento,
Não, não me deixe, não deixe
Esta coisa se apagar entre a gente,
Pois sei que você também sente,
Quando nós nos tocamos às vezes,
Logo sinto minha razão estremecer,
Afinal, de nada eu quero saber,
Só quero lhe dar o nosso prazer,
Tudo isto se concentra nesta hora,
A hora que todo dia vai embora,
Sinto um grande vazio escurecido,
Mas logo vejo seu rosto e me animo,
Não quero sentir isto sozinho,
Venha então dividir tudo comigo,
Deixe-me sentir teus lábios desejados,
A sensação seria de uma explosão,
E nunca mais lhe deixaria sozinha,
Até o dia em que me deixasse,
Talvez não aguentasse tanto grude,
Já que sou ferro e você é um imã,
Isto é algo que não se ensina,
Encantar nobres almas perdidas,
Salvá-las da safra do suicídio,
Que é boa nesta época do ano,
Mas o ópio é a minha nova cafeína,
A mais bela e querida cravina,
Torna minha morta vida tão viva!
Então não se esqueça da despedida,
Sinto-me confortável neste canal,
E cada segundo imagino teu rosto,
Cada momento vejo o teu corpo,
Perto de mim quebrando limites,
Nada diminui, apenas aumenta,
Não tenho medo do que vem depois,
Eu te quero comigo aqui toda noite!

(Augusto Fossatti)

sábado, 9 de março de 2019

Para aonde encaminhar nossos sonhos?
Qualquer insistência de nada adiantou.

Temos o que restou:
O desejo do que não possuímos.
Um desejo vão,
Que não encontra mais direção,
Definhando em sua própria indefinição.
Não tem abrigo,
Não posso mantê-lo aqui comigo.

E, por isso, peço perdão
A ti, Desejo perdido, por ter sido Frustração
A nova companheira desde então.

E irá nos fazer mal,
Seu único propósito trouxe consigo,
Em sua mão está o canivete,

Nele um adesivo escrito "adagial",
Declarado seu pródigo amigo
E o seu flerte magnete.

Esbanja nossa ruína,
Nega nossa cortina,
A que tapa a cálida neblina,
Retirando nossa morfina.

Dito seu indulto: a pior heroína.
Despeço-me dessa sina,
Após conceder-lhe um espaço em minha cripta.

Sem resposta,
E que seja assim.
Tendo-te longe, tão perto de mim.

Um vazio espiral,
Posto o vendaval.

E o que poderia conceber?
Qual a diferença?
Por que manter qualquer crença?
O que fazer?

Qual o significado de contemplar o que não chegou?
Realmente importa a ela
O elo que abnegou?
Quis a transformada tímela.

É isto mesmo,
Não entendeu errado.
Se enganou, com seu egoísmo;
Iludiu-se ao acreditar em sentimento empoçado.

Janeiro de 2019, 
Thais Poentes
(Psicografado por mim, em 2042).

Quando eu era poeta pequeno
ninguém lia meus poemas,
agora qualquer coisa que digo
ganha notoriedade nacional!
Por que não procuram os novos
talentos que, sem dúvida, hoje
produzem conteúdo mais atual?

Não adianta! Se eu digo "Oi",
vira um clássico literário,
atemporal. Ah! Que nostálgico.
Ainda lembro-me daqueles
dias sombrios quando somente
três ou quatro pessoas liam
de fato o que eu escrevia:
uma delas era minha mãe, a
outra era a minha tia, muitas
vezes minha parceira na trilha,
um primo, professor, etc e tal.

Se eu pudesse dizer o que fiz
para atingir meu status atual,
mas infelizmente eu não sei,
foi tudo tão de repente que um
dia eu estava escrevendo no
Facebook e no outro eu atingia
um público incrível e anormal.

Se eu tenho um conselho para
os novos poetas, sem dúvida, é:
Continuem escrevendo loucamente,
Produzam mais do que os outros,
Enfie sua poesia goela abaixo
de todos aqueles que estão ao
seu redor, até que eles notem
que no fim você tem uma arte e
tem algo a dizer em seu verso.

O reconhecimento demorou a vir,
A vida de artista é complexa
e talvez a mais ingrata do todo,
mas talvez uma hora sua fibra
possa gerar, com sorte, a faísca
que me trouxe até este momento!!

Na minha época não entendiam,
e talvez nunca voltem a entender,
a poesia tem um valor maior
e muito mais profundo do que
qualquer postagem com frase vil
e totalmente banal possa prover.

(Augusto Fossatti)
Treze anos de espera e o fim. Quem liga realmente?
De base em base a educação coage,
Afinal, isto é, ou é algo apenas de passagem?
Sinto-me retraído, oprimido e violentado,
Ditadores inconscientes assopram conhecimento,
A desculpa é a mesma, o futuro, o direito.
Entretanto, não me sinto forte...
Ideias batem e rebatem por todos os cantos,
Penetram na mente adolescente,
Como consegue deitar e descansar em paz?
Professor! Como és tão frio e gentil!
O sistema pede, eles obedecem,
E a mente dos necessitados perece.
Sente-se e pelo menos assista ao show,
Lavagem, ninguém, nem demônio merece...

Treze anos de espera e o fim. Longe de ser verdade,
Continuamos aqui vivendo nesta bela cidade,
Cidade forte e desenvolvida, crescida,
Quem realmente liga? Enfraquecidos estamos,
Buscando algo a se prender,
Lá estão nos jornais: cure-se,
Visite as catedrais infernais, ganhe poder,
Vá, bando de animais, sigam tal destino,
Não são tão racionais?
Sem mais...

(Augusto Fossatti)

quarta-feira, 6 de março de 2019

Minha mão segurou,
Apertou, a acariciou
E não mais a soltou.

E que belo diamante!
A peça de uma amante.

Percebo-a enquanto me observa,
E eu já a quis, que encruzada!

De mim ela gosta?
“É merecido!”, me é dito.
Sentimento em alteração.

Sua mão, tão leve,
Quase segurando meu coração.

Reconhece meu toque
Quando está sem ar?
Tenho seus dedos,
Um bem acolhido.
Um redemoinho tranquilo.

Sua voz chama meu nome
Dentro das palavras de afeto,
No silêncio estou perdida,
A neve me deixou estremecida.

E que verdade me expõe!
Chocada, sorrio.
Quero lhe conhecer,
Sem dúvida,
Paixão eu não sinto.

Coisa do verão,
Abala-te,
Para depois te abanar.
Consegue vivenciar?

É provável que me agrade
E que eu não me importe.
O que posso saber ou sentir?

Chega de confusão!
Chega de ti?

Março de 2013,
Thais Poentes
Nem sei por onde começar para colocar tudo isso para fora,
mas sinto-me como se eu fosse jovem outra vez.
como se o frio na barriga voltasse a ter inocência.

Tudo o que eu queria estava ao meu alcance,
menos o poder de poder parar o tempo e ali permanecer,
congelado para sempre em um simples e sereno instante.

Achei que nunca mais me sentiria parte de algo divertido,
parte de algo que fizesse realmente algum sentido,
não para alcançar qualquer coisa, mas apenas para viver.

"Apenas respire", dizia uma grande amiga poeta,
Apenas respire, porque é a única coisa que pode fazer.

Sinto-me como se eu pudesse voar em direção ao sol e
atravessá-lo como uma onda, preenchendo-me com o seu calor.

Sinto-me como se eu pudesse escrever por mais dezoito horas,
somente sobre essa sensação que, ao mesmo tempo, não consigo nem sonhar em descrever tamanho fulgor.


(Augusto M. Fossatti)

terça-feira, 5 de março de 2019

Como em um mar de povo,
Mescla-se piados e vozes,
Não há silêncio verdadeiro,
Nem no vento há pureza beata.

Os gritos não cessam, povo fala,
O povo não cala, ladra,
Pátria amada sem canto vazio,
A cidade está lotada, abarrotada.

Estou cheio dessa parafernália,
Patifaria, sujeira dessa gentalha,
Por favor, me dê um canto só,
Deixe-me respirar minha solidão.

Somente as crianças são inocentes?
Puras pela santificada repetição?
Não sei se posso as culpar por nada,
É culpa de nossa vil aberração.

(Augusto Fossatti)
O tempo vai todo passando, 
O ano vai fundo e caminhando, 
Já vai mudando de estação, 
E vou descrevendo-o então. 

Crucificamos e lutamos bem, 
Passamos por todo o amor, 
Hora da nossa natureza forte 
Entrar na folha com esplendor.

O natural e todos os espíritos 
Do interior e sem restrições, 
Sem pensar muito ou calcular, 
Apenas a batida dos corações. 

Liberdade de pura expressão, 
Só deixar passar o que pensa, 
Sem nenhum pavor ou temor, 
Sem permitir uma mente tão tensa. 

Na leveza das folhas verdes,
Transformo-me em energia, 
Sou uma pequena partícula 
E isso é tudo o que eu queria.

Assim sigo nesta eterna brisa, 
Buscando um infinito estável, 
E é tempo de buscar tais vícios, 
Aquele segundo mais agradável. 

Por isso eu te digo, chegamos, 
Este é o ponto crucial do saber, 
É um tempo psicológico frio, 
Precisa assim sempre se erguer. 

(Augusto Fossatti)

domingo, 17 de fevereiro de 2019

As rochas sussurravam para que triunfemos,
Mas isto foi ignorado.

Um ano novo,
Uma vida velha renovada.

Uma flor rara arrancada,
Esmagada e despedaçada,
Mastigada e cuspida,
Não ingerida,
Expelida
E poluída
Pelo rio das lágrimas todas que se formou,
Também do suor e do torpor.

Ela caiu na torrente,
Guiada pelo golpe latejante,
Desceu pela água, e foi embora.

Lembrara ela, uma vez sorridente,
Da fantasia de
Uma nova aura,
Aquela que se desfez na fumaça
Da terra ressecada
(Ironicamente, o rio nela é deficiente),
E desapareceu na neblina
Da teoria não cumprida.

Onde está o novo dia?
O pôr do sol me encobriu
E a noite chegou.
Desapareço.

Não consigo mais enxergar,
Já não tenho o que declarar,
Dissipado o medo,
Perdeu-se o desejo.

O cheiro da flor que há muito não sentia,
O último pingo de sua serventia
Arde em minha ferida de estadia.

E quem diria,
Além da razão,
Que o inegável teria me derrubado
Com tamanha precisão?

Eu não pude desfazer
Nossos dedos entrelaçados
Da minha memória,

E agora penso em desviver
Entre os desgraçados
E me tornar escória.

Feitos descartados,
Não são mais nada.
Ponho-me de joelho sobre os cactos,
Da minha pele escorre um sonho condenado,
Corto minhas mãos
Nas pontas afiadas da desilusão,
E tanto faz.

Foi tudo, porém, tão real.

Não olho para as luzes ao alto,
Tudo o que mais anseio
Encontra-se em um salto.

E o que vale a pena?
Mais uma alma pequena.
E onde adormece a esperança?
Na mórbida dança?!
Que se dane isso,
É puro desperdício!

Eu não quero me importar,
Estar morta por dentro,
E quem me dera por fora.

Este é o resíduo outonal,
Um simples madrigal.

Janeiro de 2019,
Thais Poentes
O que ser?
O que não ser?
E por quê?
E daí?!

Mudar para quê?!
Insistir em quê?
Alternância de estilo?!
Isso eu fuzilo.

Vê o toque rútilo?
Algo que posso retrucar.
Nada que eu receie,
Veja, seria simples demais aceitar.
E o que constituiria a minha desfavorecida essência?
Não peço que a abranja,
Qual motivo existiria além da receita?

Importar-me não me apetece,
Seguir assim como desenhei me esplandece,
Basta acompanhar a linha segura de minha afirmativa.
Sou o que sou e devo ser, é minha prerrogativa.

A relevância é o contentamento
Que deve comparecer.
Incompreensível, lhe digo:
Todos podem atingi-lo,
Até um pobre ser!

2012,
Thais Poentes

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

O pássaro livre quero embalar,
Sentir suas asas,
E assim flutuar.

A minha jangada balança
Junto com o sino
E a alavanca.

Jogo-te nas ondas dos lençóis,
Tomo-te entre os anzóis,
Jasmim truculenta, imagino.

Tira-me da sarjeta,
Trajeto ínfimo:
Afastada do teu ninho.

Como poderia partir?
Como posso ficar?
Não há outro lugar.

Teu cheiro sou eu,
E eu te sinto,
O aperto do cinto.

Preciso dizer,
Devo esconder:
A tortura do meu ser.

Teu sorriso
Eclodiu em mim,
Fez-me crer.

Há algo na tua respiração
Que lentamente
Explode no meu pulmão.

Há algo na tua saliva
Que fixou no céu da minha boca,
Única desejável degustação.

Como passas?
O que sonhas nesta hora?
Vem comigo agora.

Tua voz ressoa em meu pranto,
Fico no meu canto,
Calada.

Grito então,
Em meios às luzes,
Sinto apenas escuridão.

Tu és como água corrente
Em minha mente,
Imerge-me.

Os fios de teus cabelos
Pairam em minha memória,
Parte tua da euforia de outrora.

Teus gestos graciosos
Transpõem-se da lâmpada
E invadem minha visão.

Como em um espetáculo
De angústia e abstinência,
Bebo tua ausência.

Teu olhar sereno
Não foi embora,
Partiu contigo o mundo ameno.

O toque plácido não foi ilusão,
Não tuas mãos suadas, tampouco
As batidas fortes do teu coração.

Não, em teu abraço forte,
Constantes suspiros.
Não foi delírio, foi norte.

Fora da linha tão bem delimitada,
Trouxeste o que jamais sonhei.
Ah! Eu me apaixonei.

Continuo sem entender,
Deparo-me com alusões tuas,
Teu nome e minha amargura.

Dos feixes da cortina vem um clarão,
Eletrocuta cada célula minha:
Passando em tua vívida menção.

Entende a referência da tua essência,
Tua presença me é combustão,
E nada muda essa insuficiência.

E com o teu não dito adeus
Devo ficar,
Sou uma criança órfã.

Não há mais o que esperar,
Morre aqui nosso presente,
Estraçalhado pela regra tosca.

É tudo tão irracional,
Uma canção bidimensional,
Distante da necessidade computacional.

Estou impotente e comocional,
Encontro-me ao chão,
Isso é o que eles chamam de desolação?

E conforme a aflição aumenta,
Alastrando-se além da vestimenta,
Com a brisa e as rochas, sou dissipada.

Desespero sobre travesseiro,
Lamúria sob o chuveiro.
Pungente envolvimento.

Em minha distração tu és o acento,
Para meu alimento tu és o melhor argumento,
Neste advento eu me aposento.

Em tua figura meu pensamento está atento,
Este é um evento que, sem hesitar, assento,
Ainda que se torne o meu tormento.

Sinto tua falta como a maré sem a lua,
Nossa cumplicidade não foi simples aventura,
Tu és confortável armadura.

Espírito abalado longe do teu lado,
Ouvindo-te no murmúrio frustrado,
Os traços do teu rosto eu sei de cor.

Dezembro de 2018,
Thais Poentes