Levados Pela Poesia

domingo, 17 de fevereiro de 2019

INCOMUMENTE COMUM

As rochas sussurravam para que triunfemos,
Mas isto foi ignorado.

Um ano novo,
Uma vida velha renovada.

Uma flor rara arrancada,
Esmagada e despedaçada,
Mastigada e cuspida,
Não ingerida,
Expelida
E poluída
Pelo rio das lágrimas todas que se formou,
Também do suor e do torpor.

Ela caiu na torrente,
Guiada pelo golpe latejante,
Desceu pela água, e foi embora.

Lembrara ela, uma vez sorridente,
Da fantasia de
Uma nova aura,
Aquela que se desfez na fumaça
Da terra ressecada
(Ironicamente, o rio nela é deficiente),
E desapareceu na neblina
Da teoria não cumprida.

Onde está o novo dia?
O pôr do sol me encobriu
E a noite chegou.
Desapareço.

Não consigo mais enxergar,
Já não tenho o que declarar,
Dissipado o medo,
Perdeu-se o desejo.

O cheiro da flor que há muito não sentia,
O último pingo de sua serventia
Arde em minha ferida de estadia.

E quem diria,
Além da razão,
Que o inegável teria me derrubado
Com tamanha precisão?

Eu não pude desfazer
Nossos dedos entrelaçados
Da minha memória,

E agora penso em desviver
Entre os desgraçados
E me tornar escória.

Feitos descartados,
Não são mais nada.
Ponho-me de joelho sobre os cactos,
Da minha pele escorre um sonho condenado,
Corto minhas mãos
Nas pontas afiadas da desilusão,
E tanto faz.

Foi tudo, porém, tão real.

Não olho para as luzes ao alto,
Tudo o que mais anseio
Encontra-se em um salto.

E o que vale a pena?
Mais uma alma pequena.
E onde adormece a esperança?
Na mórbida dança?!
Que se dane isso,
É puro desperdício!

Eu não quero me importar,
Estar morta por dentro,
E quem me dera por fora.

Este é o resíduo outonal,
Um simples madrigal.

Janeiro de 2019,
Thais Poentes

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