Levados Pela Poesia

quarta-feira, 27 de março de 2019

Toda essa inveja,
Toda essa insegurança,
A profundidade de sentimentos,
Toda essa vontade de se provar,
As lágrimas, as dificuldades,
As confusões, as mentiras,
Os amores, os temores,
A dificuldade de se expressar,
A dor de perceber os outros,
É por isso que eu te procuro,
Porque você é como eu fui,
Você é como fui na infância,
É como fui na pré-adolescência.
Olhos brilhantes, amor platônico,
Sentimentos controversos
Muito fortes na idade errada…
Sem saída, sem aprovações,
Eu sei o quanto você sofre,
Sei que ninguém mais entende,
Mas sei que você é boa menina,
Digam o que disserem, Mafê.

(Augusto Fossatti)

terça-feira, 26 de março de 2019

Fiz um poema perfeito,
Eram os mais profundos sentimentos.
Alguém pediu para eu melhorar,
Mas eu não aceito, era perfeito.

Todo poema é perfeito, é sim,
Não há qualidade no sentimento,
Não é música para se criticar,
É uma aventura sem terra nem mar.

Quer um poema perfeito?
Pois bem, aí então ele está:

Poema poema, poesia, poesia,
Poema poema, poesia, poesia,
Poema poema, poesia, poesia,
Poema poema, poesia, poesia.

(Augusto Fossatti)
O melhor café de todo o mundo,
Não existe excitante mais profundo,
Cada palavra, em cada segundo,
Penetra-me de forma incessante,
Todo o brilho e todo boa noite
Tranquilizam-me e me fazem sorridente,
Vejo-te em minhas loucas fantasias,
A despedida é o pior momento.
Logo penso em você e me contento,
Não é o suficiente, quero-te aqui,
No meio das cobertas enroladas,
Sentir o teu corpo e tua alma,
É o que eu imagino em todo tempo,
Sem malícia ou mau pensamento,
Apenas fazendo o que tenho feito,
Vendo-te, podendo tocá-la sem medo.
Tenho medo! Não posso perdê-la,
A joia mais cara e a flor mais rara,
A vida é escura, chata e amarga,
Tu és a diferença que me encanta,
Sem ti só há aquele famoso sentido,
O triste e incansável sofrimento,
Não, não me deixe, não deixe
Esta coisa se apagar entre a gente,
Pois sei que você também sente,
Quando nós nos tocamos às vezes,
Logo sinto minha razão estremecer,
Afinal, de nada eu quero saber,
Só quero lhe dar o nosso prazer,
Tudo isto se concentra nesta hora,
A hora que todo dia vai embora,
Sinto um grande vazio escurecido,
Mas logo vejo seu rosto e me animo,
Não quero sentir isto sozinho,
Venha então dividir tudo comigo,
Deixe-me sentir teus lábios desejados,
A sensação seria de uma explosão,
E nunca mais lhe deixaria sozinha,
Até o dia em que me deixasse,
Talvez não aguentasse tanto grude,
Já que sou ferro e você é um imã,
Isto é algo que não se ensina,
Encantar nobres almas perdidas,
Salvá-las da safra do suicídio,
Que é boa nesta época do ano,
Mas o ópio é a minha nova cafeína,
A mais bela e querida cravina,
Torna minha morta vida tão viva!
Então não se esqueça da despedida,
Sinto-me confortável neste canal,
E cada segundo imagino teu rosto,
Cada momento vejo o teu corpo,
Perto de mim quebrando limites,
Nada diminui, apenas aumenta,
Não tenho medo do que vem depois,
Eu te quero comigo aqui toda noite!

(Augusto Fossatti)

sábado, 9 de março de 2019

Para aonde encaminhar nossos sonhos?
Qualquer insistência de nada adiantou.

Temos o que restou:
O desejo do que não possuímos.
Um desejo vão,
Que não encontra mais direção,
Definhando em sua própria indefinição.
Não tem abrigo,
Não posso mantê-lo aqui comigo.

E, por isso, peço perdão
A ti, Desejo perdido, por ter sido Frustração
A nova companheira desde então.

E irá nos fazer mal,
Seu único propósito trouxe consigo,
Em sua mão está o canivete,

Nele um adesivo escrito "adagial",
Declarado seu pródigo amigo
E o seu flerte magnete.

Esbanja nossa ruína,
Nega nossa cortina,
A que tapa a cálida neblina,
Retirando nossa morfina.

Dito seu indulto: a pior heroína.
Despeço-me dessa sina,
Após conceder-lhe um espaço em minha cripta.

Sem resposta,
E que seja assim.
Tendo-te longe, tão perto de mim.

Um vazio espiral,
Posto o vendaval.

E o que poderia conceber?
Qual a diferença?
Por que manter qualquer crença?
O que fazer?

Qual o significado de contemplar o que não chegou?
Realmente importa a ela
O elo que abnegou?
Quis a transformada tímela.

É isto mesmo,
Não entendeu errado.
Se enganou, com seu egoísmo;
Iludiu-se ao acreditar em sentimento empoçado.

Janeiro de 2019, 
Thais Poentes
(Psicografado por mim, em 2042).

Quando eu era poeta pequeno
ninguém lia meus poemas,
agora qualquer coisa que digo
ganha notoriedade nacional!
Por que não procuram os novos
talentos que, sem dúvida, hoje
produzem conteúdo mais atual?

Não adianta! Se eu digo "Oi",
vira um clássico literário,
atemporal. Ah! Que nostálgico.
Ainda lembro-me daqueles
dias sombrios quando somente
três ou quatro pessoas liam
de fato o que eu escrevia:
uma delas era minha mãe, a
outra era a minha tia, muitas
vezes minha parceira na trilha,
um primo, professor, etc e tal.

Se eu pudesse dizer o que fiz
para atingir meu status atual,
mas infelizmente eu não sei,
foi tudo tão de repente que um
dia eu estava escrevendo no
Facebook e no outro eu atingia
um público incrível e anormal.

Se eu tenho um conselho para
os novos poetas, sem dúvida, é:
Continuem escrevendo loucamente,
Produzam mais do que os outros,
Enfie sua poesia goela abaixo
de todos aqueles que estão ao
seu redor, até que eles notem
que no fim você tem uma arte e
tem algo a dizer em seu verso.

O reconhecimento demorou a vir,
A vida de artista é complexa
e talvez a mais ingrata do todo,
mas talvez uma hora sua fibra
possa gerar, com sorte, a faísca
que me trouxe até este momento!!

Na minha época não entendiam,
e talvez nunca voltem a entender,
a poesia tem um valor maior
e muito mais profundo do que
qualquer postagem com frase vil
e totalmente banal possa prover.

(Augusto Fossatti)
Treze anos de espera e o fim. Quem liga realmente?
De base em base a educação coage,
Afinal, isto é, ou é algo apenas de passagem?
Sinto-me retraído, oprimido e violentado,
Ditadores inconscientes assopram conhecimento,
A desculpa é a mesma, o futuro, o direito.
Entretanto, não me sinto forte...
Ideias batem e rebatem por todos os cantos,
Penetram na mente adolescente,
Como consegue deitar e descansar em paz?
Professor! Como és tão frio e gentil!
O sistema pede, eles obedecem,
E a mente dos necessitados perece.
Sente-se e pelo menos assista ao show,
Lavagem, ninguém, nem demônio merece...

Treze anos de espera e o fim. Longe de ser verdade,
Continuamos aqui vivendo nesta bela cidade,
Cidade forte e desenvolvida, crescida,
Quem realmente liga? Enfraquecidos estamos,
Buscando algo a se prender,
Lá estão nos jornais: cure-se,
Visite as catedrais infernais, ganhe poder,
Vá, bando de animais, sigam tal destino,
Não são tão racionais?
Sem mais...

(Augusto Fossatti)

quarta-feira, 6 de março de 2019

Minha mão segurou,
Apertou, a acariciou
E não mais a soltou.

E que belo diamante!
A peça de uma amante.

Percebo-a enquanto me observa,
E eu já a quis, que encruzada!

De mim ela gosta?
“É merecido!”, me é dito.
Sentimento em alteração.

Sua mão, tão leve,
Quase segurando meu coração.

Reconhece meu toque
Quando está sem ar?
Tenho seus dedos,
Um bem acolhido.
Um redemoinho tranquilo.

Sua voz chama meu nome
Dentro das palavras de afeto,
No silêncio estou perdida,
A neve me deixou estremecida.

E que verdade me expõe!
Chocada, sorrio.
Quero lhe conhecer,
Sem dúvida,
Paixão eu não sinto.

Coisa do verão,
Abala-te,
Para depois te abanar.
Consegue vivenciar?

É provável que me agrade
E que eu não me importe.
O que posso saber ou sentir?

Chega de confusão!
Chega de ti?

Março de 2013,
Thais Poentes
Nem sei por onde começar para colocar tudo isso para fora,
mas sinto-me como se eu fosse jovem outra vez.
como se o frio na barriga voltasse a ter inocência.

Tudo o que eu queria estava ao meu alcance,
menos o poder de poder parar o tempo e ali permanecer,
congelado para sempre em um simples e sereno instante.

Achei que nunca mais me sentiria parte de algo divertido,
parte de algo que fizesse realmente algum sentido,
não para alcançar qualquer coisa, mas apenas para viver.

"Apenas respire", dizia uma grande amiga poeta,
Apenas respire, porque é a única coisa que pode fazer.

Sinto-me como se eu pudesse voar em direção ao sol e
atravessá-lo como uma onda, preenchendo-me com o seu calor.

Sinto-me como se eu pudesse escrever por mais dezoito horas,
somente sobre essa sensação que, ao mesmo tempo, não consigo nem sonhar em descrever tamanho fulgor.


(Augusto M. Fossatti)

terça-feira, 5 de março de 2019

Como em um mar de povo,
Mescla-se piados e vozes,
Não há silêncio verdadeiro,
Nem no vento há pureza beata.

Os gritos não cessam, povo fala,
O povo não cala, ladra,
Pátria amada sem canto vazio,
A cidade está lotada, abarrotada.

Estou cheio dessa parafernália,
Patifaria, sujeira dessa gentalha,
Por favor, me dê um canto só,
Deixe-me respirar minha solidão.

Somente as crianças são inocentes?
Puras pela santificada repetição?
Não sei se posso as culpar por nada,
É culpa de nossa vil aberração.

(Augusto Fossatti)
O tempo vai todo passando, 
O ano vai fundo e caminhando, 
Já vai mudando de estação, 
E vou descrevendo-o então. 

Crucificamos e lutamos bem, 
Passamos por todo o amor, 
Hora da nossa natureza forte 
Entrar na folha com esplendor.

O natural e todos os espíritos 
Do interior e sem restrições, 
Sem pensar muito ou calcular, 
Apenas a batida dos corações. 

Liberdade de pura expressão, 
Só deixar passar o que pensa, 
Sem nenhum pavor ou temor, 
Sem permitir uma mente tão tensa. 

Na leveza das folhas verdes,
Transformo-me em energia, 
Sou uma pequena partícula 
E isso é tudo o que eu queria.

Assim sigo nesta eterna brisa, 
Buscando um infinito estável, 
E é tempo de buscar tais vícios, 
Aquele segundo mais agradável. 

Por isso eu te digo, chegamos, 
Este é o ponto crucial do saber, 
É um tempo psicológico frio, 
Precisa assim sempre se erguer. 

(Augusto Fossatti)