Levados Pela Poesia

sábado, 9 de março de 2019

MECANISMO DA ARBITRARIEDADE

Para aonde encaminhar nossos sonhos?
Qualquer insistência de nada adiantou.

Temos o que restou:
O desejo do que não possuímos.
Um desejo vão,
Que não encontra mais direção,
Definhando em sua própria indefinição.
Não tem abrigo,
Não posso mantê-lo aqui comigo.

E, por isso, peço perdão
A ti, Desejo perdido, por ter sido Frustração
A nova companheira desde então.

E irá nos fazer mal,
Seu único propósito trouxe consigo,
Em sua mão está o canivete,

Nele um adesivo escrito "adagial",
Declarado seu pródigo amigo
E o seu flerte magnete.

Esbanja nossa ruína,
Nega nossa cortina,
A que tapa a cálida neblina,
Retirando nossa morfina.

Dito seu indulto: a pior heroína.
Despeço-me dessa sina,
Após conceder-lhe um espaço em minha cripta.

Sem resposta,
E que seja assim.
Tendo-te longe, tão perto de mim.

Um vazio espiral,
Posto o vendaval.

E o que poderia conceber?
Qual a diferença?
Por que manter qualquer crença?
O que fazer?

Qual o significado de contemplar o que não chegou?
Realmente importa a ela
O elo que abnegou?
Quis a transformada tímela.

É isto mesmo,
Não entendeu errado.
Se enganou, com seu egoísmo;
Iludiu-se ao acreditar em sentimento empoçado.

Janeiro de 2019, 
Thais Poentes

Nenhum comentário:

Postar um comentário