Levados Pela Poesia

sábado, 13 de abril de 2019

E se eu me apaixonar sempre que te ver?
Se eu procurar coisas doces
e ficar insatisfeita
porque nenhuma delas são os seus lábios?

Se eu perder a poesia das coisas?
Não mais vivenciar a poesia exalada
em um simples gesto seu?
Em suas não-palavras?
No vento batendo nas folhas das árvores
e a luz do pôr do sol cortando as frestas?
Nos passos de uma mulher?

O início serenamente cansativo.
Quando surgem brechas para ser patético
e sentimentalmente desequilibrado,
Tenho praticado.

É exaustivo não ter ao que se agarrar.
Nenhuma ideia clara,
nenhum sentimento
que eu tenha permissão de deixar viver.

Estou aqui...
respirando,
com o coração batendo.
Viva!
Viajando em mensagens descontextualizadas...
brisas de uma noite chuvosa de um dia qualquer,
e também de um domingo ensolarado,
na companhia de decepções
que me desestabilizam e tiram meu foco.

Em qual mito eu tenho que acreditar desta vez?
Tudo é mais uma razão
para que eu não saiba o que fazer.

Então você aparece camuflada em cada pensamento,
em tudo ao meu redor,
nos sons que ninguém mais escuta,
na letra que ninguém mais lê,
além de mim.
Quem poderia entender o valor disso,
exceto o sentimento estarrecido?
É mesmo verdade,
eu não sei o que fazer.

Eu queria apenas gostar de ti
sem me sentir tão solitária por isso.
Não sinto que esteja mais comigo
em nenhum sentido.
Eu que não sei perder,
perdi você.
Totalmente.

Percebo que ainda estou de luto.
Ainda choro
e fujo do que não posso fugir.
Acho que já basta.

Tudo pode estar soando da maneira que eu não quis dizer.
Eu só não sei como então eu poderia dizer.

Devo me libertar
de qualquer torrente que me leve a ti.
E tudo bem deixar partir...
contanto que saiba que
a tendência é exatamente esta.

Não posso te compartilhar
com o mal que tenho sentido...

E se eu desejar lhe escrever,
finja que não escrevi.
Até que eu possa não escrever.
Eu não quero mais escrever.

Janeiro de 2019,
Thais Poentes

quinta-feira, 11 de abril de 2019

Ora, que maravilha!
Mais uma vez todos sabem as respostas,
Pena que se soubessem de verdade
As dúvidas seriam solucionadas.

É um devaneio, uma luta!
Ninguém escuta o meu pedido de ajuda.
Ainda que digam que sabem sentir,
Sigo inclinado ao ceticismo cruel. 

São poucos os segundos de sorriso,
Minha alma assassinada pela "pathia".
O amor que tomou conta de meus olhos,
E que já não acha mais graça na vida.

Sou doente, sou solitário, congelado,
Um vampiro, sugando dos outros, sim,
Toda a felicidade que posso encontrar,
Nessa calamidade sem motivo ou razão.

Sinto-me violentado pelor romantismo,
Nunca desejei estes traços ilógicos,
Agora sofro uma divisão tenebrosa,
É o conflito das mentes modernas.

Sentir o que se sente e ser feliz,
Explorar os desejos até o último fio
Ou ignorar seu coração quebrado e tolo
Para viver uma vida sem graça, sem brio?

Este é meu dilema, minha rotina,
Queria eu poder solucioná-lo sozinho,
É uma pena que eu não tenha conseguido,
Pois agora vivo neste limbo, vil e oco.

(Augusto Fossatti)

terça-feira, 9 de abril de 2019

A cor forte, as pétalas voando,
O vento violento as jogando para o lado,
O cheiro sólido de cada flor sozinha,
E os espinhos fazendo a segurança.
É como imaginar milhões de papéis
Rosados, pela mata espalhados,
Como em origamis bem estruturados,
Lançados no ar ao mesmo tempo,
Parecido com um ano novo colossal,
Fogos de artifício cor de escarlate,
Mas estes não podem ir queimando,
Neles você pode até mesmo deitar,
Relaxar, se jogar, rolar, ficar pulando,
Apesar de que é gostoso só olhar
E perceber o que te rodeia de verdade,
Parece uma cidade de boas ilusões,
Mas está diante dos seus olhos atentos,
Refletindo alguns raios solares únicos,
Mesmo que foscas elas tem poder,
É uma arte incrível, uma elevação,
Um desenho programado e testado,
Instigante para toda e qualquer visão,
O horizonte é coberto e colorido,
Verde, rosa, vermelho distorcido,
Agora já não há mais volta visível,
Parece um deserto bem imprevisível,
Não vejo fontes, nem uma praia,
Apenas este vasto campo florido,
É difícil não achar tão surpreendente,
Não prosseguir andando sem descanso,
Mas eu fico neste centro absoluto
E me deito sem vergonha do perigo,
Corto-me com essas coisas afiadas,
Nunca quis lhes fazer algum mal,
É a defesa programada e instalada,
De forma bela intuitiva e natural,
É adorável poder sentir-se tão sozinho
Neste imenso e interminável pantanal.

(Augusto Fossatti)

quinta-feira, 4 de abril de 2019

Se este tempo pudesse ser banhado,
Ó, polímata dos polímatas, por ti,
Por sua capacidade de ver o real,
Por seus ideais magníficos da vida,
Não seriamos assim tão miseráveis.

Mestre de todo verdadeiro artista,
Que aprende errando e refazendo,
Experimentando sem medo irracional.
Iletrado, porém sábio dos sábios,
Pai dos primeiros cientistas verós.

Nas pessoas a profundidade do todo,
O conflito dos sentimentos loucos,
Nas paisagens o conhecimento puro,
De cada detalhe, de cada grão sujo,
E na metafísica o mundo paradoxal.

Ó, grande mestre dos mestres; rezo!
Não há como não beijar os teus pés,
Não há como não carregar a tua capa,
Abriremos passagem e será louvado,
Como quem sabia o verdadeiro valor.

Na curiosidade de cada vil detalhe,
Ensinando-nos a questionar o todo,
A aprender pela experiência, assim,
Sem verdades absolutas irrefutáveis,
Tudo deve ser analisado, de fato.

Nas Madonas ou na Lisa Gherardini,
Nos projetos inacabados, tão belos,
Na guerra, no catálogo de medicina,
Em cada canto, traço de genialidade,
Mas não inata, daquela conquistada.

Se em sua época pudessem perceber,
Se não fizessem seu amor proibido,
Quão mais feliz teria sido, Mestre?
Filho de Caterina, homem bastardo,
Maior que toda nobreza de sangue.

Verdadeiro filósofo, grande sábio,
Verdadeiro artista; revolucionário,
Verdadeiro cientista; primogênito,
Homem completo, animado, cavaleiro,
Um só corpo; um universo inteiro.

(Augusto Fossatti)

quarta-feira, 3 de abril de 2019

Acordo, para e penso.
Ela já se levantou, corro,
Pois não quero perdê-la.
Ela não gosta,
Queria ficar sozinha,
Tomar café, comer,
Estudar sua química.

Viro-me, o tempo passa,
Estamos invadindo outra casa,
É a casa de minha avó.
Ela acabou de sair,
É por isso mesmo.
Queremos fazer pipoca,
Mas acabou o nosso gás.

Estouramos a pipoca,
Aqui está o gás,
Agora ligamos de lá,
Pois não temos telefone.
Pedimos gás,
A pipoca está estourada.
Fugiremos e comeremos.

Não! A velha aparece,
É dia das mães,
Precisamos dizer.
Dizemos.
Dizemos tudo o que dito,
Precisava realmente ser.
Mas eu não acredito.

Descemos e agora comemos,
Comemos pipoca, arroz,
Beterraba!
Quanta beterraba, Deus meu!
Depois chocolate, açúcar,
Bombons de avelã e de creme.
Para quê tanta beterraba?

Depois ela dorme,
Como um felino que almoça,
Depois morre.
Pede carinho, eu dou.
Ela se perde, se atrasa.
Desmorona como o nada,
Enquanto assisto ao jogo.

Futebol é uma disputa,
Onze contra onze,
O objetivo é marcar gols.
Não pode-se tocar a bola,
Com as mãos.
Engraçado.
Meu time vence, ela dorme.

O jogo acaba, ela acorda.
Agora vai partir... eu fico.
Fico na tentação,
Nas loucuras de meus vícios.
Decido ir ao cinema,
Lá é um lugar quieto,
Um lugar onde me aquieto.

Eu saio, mas demoro,
O trânsito está terrível,
Motivo?!
Um jogo de futebol.
Posso eu reclamar?
É claro que não.
Sigo na esperança de chegar.

Perco a sessão,
Tudo bem, existe outra,
21:30, mas é domingo,
Amanhã trabalho,
Será que vou aguentar?
Não sei,
Por isso eu espero.

Espero, observando o casal,
Espero que tenham escolhido
Bem, como Paterson, o
Filme do poeta! Sim,
O poeta que cita Emily,
Emily Dickinson,
A poetisa do filme que verei.

Ontem vi um filme,
No cinema, e anteontem,
Também.
Sou cinéfilo, viciado?
Acho que sim!
A sétima arte me domina,
Domina-me mais que poesia.

Ainda assim, eram poemas,
O que Paterson fazia.
E sim, também seria sim!
Serão poemas da Emily,
Os versos que irei sentir.
Dois filmes sobre poesia,
Seria filme poesia?

Fim!

(Augusto Fossatti)

terça-feira, 2 de abril de 2019

Espalham-se por todos os cantos e lados,
Fazem estalos, não deixam em paz,
Aparecem nos reflexos espelhados,
Mas quando você olha não os vê mais,
Pois a graça de suas vidas derrotadas
É assustar aqueles que ainda são válidos.

Não teimam, nem se mexem direito,
Sussurram os vultos, como sem preocupar,
Que pena que não podemos matá-los,
Infelizmente é matéria que não posso tocar,
E nesta injustiça das espécies mais fracas,
Os invencíveis não permitem excomungar.

Somos inválidos e fracos por qual culpa?
Sem reação é difícil quebrar a conduta,
Mas não importa, é o preço que há de pagar,
Nunca fugir desta intensa e psicológica luta.
Se ao menos tivéssemos a chance de reagir,
Talvez assim eles não pudessem sumir.

Porém, infelizmente, isto nunca teremos,
Pois a vida não é justa nem mesmo assim,
E fica menos na medida que mais queremos,
É uma velha loucura que vive em mim.
Matamos todos os homens errados sim,
Os verdadeiros nós todos já esquecemos.

Ah! Mas isto de fato não importa mesmo,
Prometo que nós podemos guardar segredo,
E aí me pergunto quem é que não tem medo,
Será realmente nós que vivemos no espelho?
Mantemo-nos em planos reais e tocáveis,
Venham para cá e lutaremos sem vantagens.

(Augusto Fossatti)

segunda-feira, 1 de abril de 2019

Tristeza que chega
Por tua ausência,
Um jeito há de ter
Para apenas esquecer.

Seria bom estar contigo
Sob teu abrigo.

Ah, este pesar!
Como inibir a solidão?
Tome, pegue meu coração!

O receio que vive em mim
Priva-me de meu único objetivo.
Sim, é ridículo.

É complexo
E inusitado.
Tanto faz!
Desejo me encontrar ao seu lado.

Anseia-me como lhe aspiro?
Quero-te!
É o que repito
E clamo.

2013,
Thais Poentes