Levados Pela Poesia

quarta-feira, 3 de abril de 2019

SEM SENTIDO (OP.18 N.3)

Acordo, para e penso.
Ela já se levantou, corro,
Pois não quero perdê-la.
Ela não gosta,
Queria ficar sozinha,
Tomar café, comer,
Estudar sua química.

Viro-me, o tempo passa,
Estamos invadindo outra casa,
É a casa de minha avó.
Ela acabou de sair,
É por isso mesmo.
Queremos fazer pipoca,
Mas acabou o nosso gás.

Estouramos a pipoca,
Aqui está o gás,
Agora ligamos de lá,
Pois não temos telefone.
Pedimos gás,
A pipoca está estourada.
Fugiremos e comeremos.

Não! A velha aparece,
É dia das mães,
Precisamos dizer.
Dizemos.
Dizemos tudo o que dito,
Precisava realmente ser.
Mas eu não acredito.

Descemos e agora comemos,
Comemos pipoca, arroz,
Beterraba!
Quanta beterraba, Deus meu!
Depois chocolate, açúcar,
Bombons de avelã e de creme.
Para quê tanta beterraba?

Depois ela dorme,
Como um felino que almoça,
Depois morre.
Pede carinho, eu dou.
Ela se perde, se atrasa.
Desmorona como o nada,
Enquanto assisto ao jogo.

Futebol é uma disputa,
Onze contra onze,
O objetivo é marcar gols.
Não pode-se tocar a bola,
Com as mãos.
Engraçado.
Meu time vence, ela dorme.

O jogo acaba, ela acorda.
Agora vai partir... eu fico.
Fico na tentação,
Nas loucuras de meus vícios.
Decido ir ao cinema,
Lá é um lugar quieto,
Um lugar onde me aquieto.

Eu saio, mas demoro,
O trânsito está terrível,
Motivo?!
Um jogo de futebol.
Posso eu reclamar?
É claro que não.
Sigo na esperança de chegar.

Perco a sessão,
Tudo bem, existe outra,
21:30, mas é domingo,
Amanhã trabalho,
Será que vou aguentar?
Não sei,
Por isso eu espero.

Espero, observando o casal,
Espero que tenham escolhido
Bem, como Paterson, o
Filme do poeta! Sim,
O poeta que cita Emily,
Emily Dickinson,
A poetisa do filme que verei.

Ontem vi um filme,
No cinema, e anteontem,
Também.
Sou cinéfilo, viciado?
Acho que sim!
A sétima arte me domina,
Domina-me mais que poesia.

Ainda assim, eram poemas,
O que Paterson fazia.
E sim, também seria sim!
Serão poemas da Emily,
Os versos que irei sentir.
Dois filmes sobre poesia,
Seria filme poesia?

Fim!

(Augusto Fossatti)

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