Levados Pela Poesia

quinta-feira, 4 de abril de 2019

Op.23 No. 02 - Missa Aos Mortos-Vivos, à Leonardo Da Vinci

Se este tempo pudesse ser banhado,
Ó, polímata dos polímatas, por ti,
Por sua capacidade de ver o real,
Por seus ideais magníficos da vida,
Não seriamos assim tão miseráveis.

Mestre de todo verdadeiro artista,
Que aprende errando e refazendo,
Experimentando sem medo irracional.
Iletrado, porém sábio dos sábios,
Pai dos primeiros cientistas verós.

Nas pessoas a profundidade do todo,
O conflito dos sentimentos loucos,
Nas paisagens o conhecimento puro,
De cada detalhe, de cada grão sujo,
E na metafísica o mundo paradoxal.

Ó, grande mestre dos mestres; rezo!
Não há como não beijar os teus pés,
Não há como não carregar a tua capa,
Abriremos passagem e será louvado,
Como quem sabia o verdadeiro valor.

Na curiosidade de cada vil detalhe,
Ensinando-nos a questionar o todo,
A aprender pela experiência, assim,
Sem verdades absolutas irrefutáveis,
Tudo deve ser analisado, de fato.

Nas Madonas ou na Lisa Gherardini,
Nos projetos inacabados, tão belos,
Na guerra, no catálogo de medicina,
Em cada canto, traço de genialidade,
Mas não inata, daquela conquistada.

Se em sua época pudessem perceber,
Se não fizessem seu amor proibido,
Quão mais feliz teria sido, Mestre?
Filho de Caterina, homem bastardo,
Maior que toda nobreza de sangue.

Verdadeiro filósofo, grande sábio,
Verdadeiro artista; revolucionário,
Verdadeiro cientista; primogênito,
Homem completo, animado, cavaleiro,
Um só corpo; um universo inteiro.

(Augusto Fossatti)

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