Levados Pela Poesia

terça-feira, 2 de abril de 2019

Op.4 No. 03 - Fantasmas

Espalham-se por todos os cantos e lados,
Fazem estalos, não deixam em paz,
Aparecem nos reflexos espelhados,
Mas quando você olha não os vê mais,
Pois a graça de suas vidas derrotadas
É assustar aqueles que ainda são válidos.

Não teimam, nem se mexem direito,
Sussurram os vultos, como sem preocupar,
Que pena que não podemos matá-los,
Infelizmente é matéria que não posso tocar,
E nesta injustiça das espécies mais fracas,
Os invencíveis não permitem excomungar.

Somos inválidos e fracos por qual culpa?
Sem reação é difícil quebrar a conduta,
Mas não importa, é o preço que há de pagar,
Nunca fugir desta intensa e psicológica luta.
Se ao menos tivéssemos a chance de reagir,
Talvez assim eles não pudessem sumir.

Porém, infelizmente, isto nunca teremos,
Pois a vida não é justa nem mesmo assim,
E fica menos na medida que mais queremos,
É uma velha loucura que vive em mim.
Matamos todos os homens errados sim,
Os verdadeiros nós todos já esquecemos.

Ah! Mas isto de fato não importa mesmo,
Prometo que nós podemos guardar segredo,
E aí me pergunto quem é que não tem medo,
Será realmente nós que vivemos no espelho?
Mantemo-nos em planos reais e tocáveis,
Venham para cá e lutaremos sem vantagens.

(Augusto Fossatti)

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