Levados Pela Poesia

terça-feira, 9 de abril de 2019

MAR DE ROSAS (OP.5 N.1)

A cor forte, as pétalas voando,
O vento violento as jogando para o lado,
O cheiro sólido de cada flor sozinha,
E os espinhos fazendo a segurança.
É como imaginar milhões de papéis
Rosados, pela mata espalhados,
Como em origamis bem estruturados,
Lançados no ar ao mesmo tempo,
Parecido com um ano novo colossal,
Fogos de artifício cor de escarlate,
Mas estes não podem ir queimando,
Neles você pode até mesmo deitar,
Relaxar, se jogar, rolar, ficar pulando,
Apesar de que é gostoso só olhar
E perceber o que te rodeia de verdade,
Parece uma cidade de boas ilusões,
Mas está diante dos seus olhos atentos,
Refletindo alguns raios solares únicos,
Mesmo que foscas elas tem poder,
É uma arte incrível, uma elevação,
Um desenho programado e testado,
Instigante para toda e qualquer visão,
O horizonte é coberto e colorido,
Verde, rosa, vermelho distorcido,
Agora já não há mais volta visível,
Parece um deserto bem imprevisível,
Não vejo fontes, nem uma praia,
Apenas este vasto campo florido,
É difícil não achar tão surpreendente,
Não prosseguir andando sem descanso,
Mas eu fico neste centro absoluto
E me deito sem vergonha do perigo,
Corto-me com essas coisas afiadas,
Nunca quis lhes fazer algum mal,
É a defesa programada e instalada,
De forma bela intuitiva e natural,
É adorável poder sentir-se tão sozinho
Neste imenso e interminável pantanal.

(Augusto Fossatti)

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