Levados Pela Poesia

quinta-feira, 2 de maio de 2019

NÃO TEMOS NOME (OP.5 N.2)

Verdadeiramente impossível de saber
Se nós somos nós ou se somos tão diferentes,
Somos apenas um ponto observável e brilhante,
Como será então que eles chamam a gente?
Nômades, loucos! Pode ser bem detalhado,
Ou talvez não, algo distante e impreciso,
Um pequeno ponto colorido aos telescópios,
Um pequeno e talvez futuro paraíso!

Milhões de bolas de fogo se desenvolvendo,
O que vemos são pontos de luz, pequenos,
Como reflexos solares nos espelhos,
E nós, somos guerreiros ou estamos em paz?
Essa é a nossa frieza de se sentir partindo,
Mas ainda não sabemos ao menos voar,
Como podemos ficar tais coisas pensando
Enquanto nem ao menos vamos imaginando.

Estamos mesmo no meio do nada, perdidos,
Sem a chave para a passagem ou o futuro,
Sempre esperando e devagar nos descobrindo,
É uma pena que nós não estaremos mais aqui
Para ver todo o mistério inteiro desvendar,
Mas com isso temos que nos conformar,
Não importa! Resta-nos apenas ficar esperando,
Talvez a alguns outros, ficar procurando.

Serão mesmo estrelas chamadas estrelas?
Como então será o nosso nome afinal?
Não sei! Ficamos apenas aqui devaneando,
Esperando que outros pensem assim, tão iguais
Mas a verdade é que nada sabemos,
A verdade é que, na realidade, nem queremos,
Pois o medo se sobrepõe ao desconhecido,
E então transformamos naquilo que temos.

Andrômeda será mesmo chamada assim?
E como todos eles nos chamam afinal?
Não somos nada, vendo por ângulo certo,
Apenas insetos vagando e chamando as coisas,
De tudo o que queremos, sem respeitar nada,
Apenas achando que somos donos de tudo,
Enquanto nós não temos posse alguma,
Já que amanhã mesmo, deixaremos o mundo.

(Augusto Fossatti)

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