Levados Pela Poesia

segunda-feira, 24 de junho de 2019

ADRENALINA (OP.4 N.4)

Vê-se o perigo perto ou longínquo,
Não importa, pois só pensa em viver,
Continuar fazendo tudo o que faz
E fazer tudo aquilo que ainda irá fazer.

Quando tudo começa, quer que acabe,
Há arrepio, e a pele começa tremer,
Quer algo, mas ninguém pede a morte,
Quando está lá, pronto para morrer.

Instintos e origens voltam a aparecer,
Seus medos surgem e seu caráter muda,
Dificilmente seus ideais irão sobreviver,
Precisa se prender a algo que não iluda.

Toda a sua volta se torna um cativeiro,
É difícil ver além da futura miragem,
Não há forma de usar o conhecimento,
É necessário usar toda a sua coragem.

E como a natureza reflete este impasse?
Não ajuda, não observa e não vai agir,
Ela é traiçoeira, não quer intrometer,
Mas deixa o vilão quase sempre coagir.

O coração bate forte de forma imbecil,
Atrapalha qualquer forma de raciocínio,
Não sabe mais como poderá se mover,
Atrapalha o plano de contradomínio.

Mas tudo irá depender da comparação,
Sua mente viaja procurando modelos,
É como um prisma que reflete a loucura,
Batendo e voltando em todos espelhos.

Aparecem nas horas mais envolventes,
Outras vezes em momentos contentes,
De vez em quando em horários quentes,
Alguns tristes, porém outros sorridentes.

Infelizmente não há como se livrar,
Este ácido corrói toda sua liberdade,
Mas não há culpa de uma perturbação,
Só é ruim quando não há veracidade.

Um surto e... tudo mesmo pode acontecer,
Um super-herói ou um vilão inteligente,
Suas fraquezas sumindo em um instante,
E as forças deixando um ser experiente.

As drogas causam efeitos parecidos,
Revivem todos os poderes esquecidos,
Mas não pode ser assim tão natural,
Dominam as almas dos pobres perdidos.

(Augusto Fossatti)

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