Levados Pela Poesia

sábado, 29 de junho de 2019

O ILUSIONISTA (OP.6 N.1)

Na corrente de meus truques,
Sempre controlei mil mentes,
Enganei todos de forma veloz,
Mesmo os mais inteligentes.

Se fui de fato muito errado,
Não sei dizer bem exatamente,
Só posso dizer que eu sofri
Com as mentiras, atualmente.

Pois a morte é o nosso medo,
E jamais prontos estaremos,
Ainda mais quando acontece
Com quem nós tanto queremos.

Eu amava extraordinariamente,
Não tinha receios deste final,
Mas é assim que é encarado,
Estamos fadados, reino animal.

E ainda que eu usasse truques,
Ela jamais poderia retornar,
Pois o outro plano não permite,
Podermos novamente nos amar.

Agora não sei o que faço,
Tenho apenas alguma opção,
Que não é tão alegremente,
Alguma tentativa de diversão.

O meu mundo está desarrumado,
Sem sentido ou algum motivo,
Por isto eu sigo sem um medo,
Sem nenhum mais incentivo.

E atordoado escrevo a carta,
Despedindo-me deste insano,
Vou partindo deste mundo,
Conquistando o outro plano.

Assim poderei me revitalizar,
E minha amada eterna encontrar,
Pois não posso viver assim,
Juntarei-me a ela no belo jardim.

E assim talvez eu me lembre,
De como era aquele passado,
Tão perfeito e extraordinário,
Até pela morte ser assombrado.

E me demito desta história,
Deixo com honra tais memórias,
Levo comigo tudo o que devo,
E contigo deixo este apelo.

(Augusto Fossatti)

Nenhum comentário:

Postar um comentário