Levados Pela Poesia

quinta-feira, 18 de julho de 2019

O que é de fato ser livre?
Sentar no sofá e se sentir confortável?
Deitar na grama fina aparada,
Deitar no mato e não se incomodar.
Não sei, de fato, não sei comunicar,
Afinal estou preso neste mundo,
Aprisionado em um Universo infinito,
Um todo complexo e estranho,
Que deixaria até Deus perplexo,
O que está havendo afinal?
Não há perguntas ou respostas,
Tudo é incerto, tudo é ridículo e certo,
Tudo é completamente errado.
Os paradoxos ninguém responde,
Não! Ninguém pode ver ou decifrá-los.
É um grande fluxo constante de sangue,
Sem uma gota de criatividade,
Vamos seguindo e formando tolos,
Tolos que procuram todas as respostas,
Mas o que é de fato estar livre?
Você sabe? Quem sabe afinal...
Estamos apenas aqui de passagem,
Viajando em um mar de provocações,
Um provando ao outro seu Eu,
E ninguém admitindo ser seu,
É uma insana aventura sem pé,
Sem pé nem cabeça, ou corpo algum,
Alguns chamam de vida, outros,
Ninguém sabe o que acontece.
Ser livre é pular e festejar cada tempo?
Será mesmo assim que captura,
Será mesmo assim que há a ruptura?
Onde está a barreira dos sonhos,
Todos perdidos e envelhecidos lá fora,
É como a velha pólvora sem rumo,
O amor, o ódio, a paz e emoção,
Onde estão todos os motivos?
Você os conhece? Apresente-os então,
Sinto-me dentro de uma jaula,
Afinal o mundo é uma dessas prisões,
Forjadas a ferro e moldado com ouro,
A minha liberdade está nas folhas,
Na caneta, no lápis, no teclado,
Aqui nada é falsificado,
Sem censura ou lavagem cerebral,
Aqui estou livre para expressões,
Acredito que seja um refúgio,
Fugindo desta imensidão horrível,
Aqui não há crenças, nem direito,
Não há preconceito ou conceito,
Apenas o que ocorre aqui mesmo.
Então, o que é a liberdade afinal?
Sentar no chão e ir escrevendo...

(Augusto Fossatti)

terça-feira, 16 de julho de 2019

Como no meio do precipício,
Ninguém vai me acompanhar,
É uma loucura estratosférica,
Sem a chance de mudança,
Sem a inocência da criança,
Sem o tempo de me festejar.

Caraminholas na cabeça, há,
O vício de desestruturar, ah,
Esse há, mas na mudança,
O sentido de toda a esperança,
O doce sonho da boa vingança,
Há, e a justiça sempre tardará,
Aí está, vil e banal contradição.

Um homem moderno de terno,
O mundo cercado de inferno,
As ruas vibrando suas cordas,
As musas cintilando sinuosas,
E ninguém encontra o pensar,
A liberdade acabou de morrer,
Mas a verdade acabou de matar.

Só, neste mundo tão cheio,
Nego a companhia sã, pois fujo,
Como corro para te alcançar,
É inútil e rancoroso, sombrio,
Vazio e sem rastro da sorte,
Caminho sem medo da morte,
Caio fundo no mar dos venenos,
Será que alguém vai escutar?!
Sábio e impaciente desespero,
Vou em frente, sem mais falar.

(Augusto Fossatti)

segunda-feira, 1 de julho de 2019

Janeiro infinito,
Janeiro que não acaba,
Junto ao desenlaço que embargo,
Desvincular-te de mim
Tem sido lento e esquisito,
Uma parte saindo assim,
Tirando do calçado o cadarço.
Um fantasma com teu rosto encravado;
Metade dentro, metade ao meu lado;
Tão ligado, tão fora...
Aos poucos deixo de sentir sua aura.
Tão logo foi embora,
E não soube abandonar.

O que poderia pensar
Os pensamentos agora invertidos?
Fez-me bastante só,
Como o sonho esquecido.

O que sentir
Os sentimentos vencidos?
Trouxe um calo silencioso.

Sou um ser ocioso,
Procurando fazer tudo
E não fazendo nada,
Desânimo mudo,
Desnutrição calada.

Com o que me preocupar?
As rimas eu jogo fora,
Juntamente à esperança torta.

Eu que não tinha noção,
Jurei ser aquela a porta
Que traria a melhor emoção,
Entrei sem nenhum culhão,
Levei o furacão,
Defini indecisão.

Procurei redenção para a tentação,
Desejei escapar da maldição,
Maldita seja,
Que eu estou amaldiçoada.
Piada o que tem feito de mim.

Sei que não te sentes mais bem assim.

E o que poderias cometer?
Além de tentar transformar em beleza
A embriaguez que levou ao tormento.
Mas que coisa bela de se crer!
Vamos construir a fortaleza,
Pega aí o teu cimento.

Estou febril e calorenta.

Pode ter sido coincidência
Eu ter ido nessa correnteza,
Sem nenhuma estranheza que orienta
Ao fim dessa contingência.
Meu espetáculo insosso,
Sentes em vosso osso?
Esse esboço natural
Retrata a história real,
Minha alegoria,
Que lhe eletrocutaria.

É confuso quando digo
Que pode ser irracional
Tudo o que foi expressado,
Porém, ao menos, algo eu afirmo:
Não foi vazia a saudade,
Bateu forte em minha idade,
Por um momento foi alismo.

Que porcaria estou falando?
Já estou delirando?
Está simples demais?
Não, é multiforme e excessivo.

Este idealizado resultado de dânais
Tem sido abusivo.

Absolva-me por ignorar
O que não posso desatentar.
Vê?! Devo rejeitar.

Essa noite eu sonhei que por ti fui condenada
Pelo crime de te deixar abandonada,
Não ter lhe respondido mais absolutamente nada.

Estou sentada, esperando
Pelo desfecho deste novo ano.

Deitada, agonizando.
Meu desassossego.
Tem sido assim, desviando
Do meu apego.

Procurei pelo o que atenua.
Sabe do pneu na rua?
Não havia o notado,
Então veio o baralhamento
E tudo ficou mais claro.

Pensei que já havia aceitado,
Não se resume em tormento,
Mas o preço tem sido caro.

Janeiro de 2019,
Thais Poentes