Levados Pela Poesia

segunda-feira, 1 de julho de 2019

SENTADA, ESPERANDO

Janeiro infinito,
Janeiro que não acaba,
Junto ao desenlaço que embargo,
Desvincular-te de mim
Tem sido lento e esquisito,
Uma parte saindo assim,
Tirando do calçado o cadarço.
Um fantasma com teu rosto encravado;
Metade dentro, metade ao meu lado;
Tão ligado, tão fora...
Aos poucos deixo de sentir sua aura.
Tão logo foi embora,
E não soube abandonar.

O que poderia pensar
Os pensamentos agora invertidos?
Fez-me bastante só,
Como o sonho esquecido.

O que sentir
Os sentimentos vencidos?
Trouxe um calo silencioso.

Sou um ser ocioso,
Procurando fazer tudo
E não fazendo nada,
Desânimo mudo,
Desnutrição calada.

Com o que me preocupar?
As rimas eu jogo fora,
Juntamente à esperança torta.

Eu que não tinha noção,
Jurei ser aquela a porta
Que traria a melhor emoção,
Entrei sem nenhum culhão,
Levei o furacão,
Defini indecisão.

Procurei redenção para a tentação,
Desejei escapar da maldição,
Maldita seja,
Que eu estou amaldiçoada.
Piada o que tem feito de mim.

Sei que não te sentes mais bem assim.

E o que poderias cometer?
Além de tentar transformar em beleza
A embriaguez que levou ao tormento.
Mas que coisa bela de se crer!
Vamos construir a fortaleza,
Pega aí o teu cimento.

Estou febril e calorenta.

Pode ter sido coincidência
Eu ter ido nessa correnteza,
Sem nenhuma estranheza que orienta
Ao fim dessa contingência.
Meu espetáculo insosso,
Sentes em vosso osso?
Esse esboço natural
Retrata a história real,
Minha alegoria,
Que lhe eletrocutaria.

É confuso quando digo
Que pode ser irracional
Tudo o que foi expressado,
Porém, ao menos, algo eu afirmo:
Não foi vazia a saudade,
Bateu forte em minha idade,
Por um momento foi alismo.

Que porcaria estou falando?
Já estou delirando?
Está simples demais?
Não, é multiforme e excessivo.

Este idealizado resultado de dânais
Tem sido abusivo.

Absolva-me por ignorar
O que não posso desatentar.
Vê?! Devo rejeitar.

Essa noite eu sonhei que por ti fui condenada
Pelo crime de te deixar abandonada,
Não ter lhe respondido mais absolutamente nada.

Estou sentada, esperando
Pelo desfecho deste novo ano.

Deitada, agonizando.
Meu desassossego.
Tem sido assim, desviando
Do meu apego.

Procurei pelo o que atenua.
Sabe do pneu na rua?
Não havia o notado,
Então veio o baralhamento
E tudo ficou mais claro.

Pensei que já havia aceitado,
Não se resume em tormento,
Mas o preço tem sido caro.

Janeiro de 2019,
Thais Poentes

Um comentário:

  1. Acho que seu sonho está correto, estou até hoje no aguardo...

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