Levados Pela Poesia

quinta-feira, 5 de setembro de 2019

DESPEDIDA (OP.16 N.5)

Estou com sede,
Já é hora de voltar ao mundo,
Eu sei, já não pertenço ao lado de lá,
Mas, para sempre aqui,
Eu não posso ficar.

Gostaria de escrever para sempre,
Odeio tudo o que não é fazê-lo,
É de graça,
Só precisa de tinta,
A fuga mais inteira,
A fuga mais profunda.

Quem será que me entende?
As patricinhas da livraria cultura?
Acho que não!
Chega de besteira,
Os insetos são mais sensíveis,
"Só para garotas", é o que elas leem.

Dante criou meu paraíso,
Homero minha aventura heroica,
Shakespeare minha busca por sentido,
e Neruda minha natureza pura.

Cazuza foi minha infância,
Criôlo minha adolescência tardia,
Cecília viveu no meio de tudo,
E o poeta não morreu mesmo.

Será que um dia vão ler?
Todos estes versos inúteis,
Pensando em minha loucura escrota?
Ou morrerei na escuridão,
[na surdina?

O céu já vai escurecendo,
Vou ao cinema pela 15ª vez,
E estamos apenas no quarto mês!
Quinto, que acaba de começar,
Que frequência insana,
Meu dinheiro vai acabar,
[acabou.

Fazer o quê?!
Se na arte encontro conforto?!
Se na sala escura não penso,
Portanto, não existo!!!

Poderia haver
Algo mais grandioso que isto?!

(Augusto Fossatti)

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