Levados Pela Poesia

sábado, 9 de novembro de 2019

SENSAÇÕES À CUSTA DE ALIMENTOS

Inferno particular estabelecido, 
Sentido rompido, 
Sentimento de nada. 
Falar para quê? 
Faço isto agora por quê? 
Não sei, talvez amenize. 
Estou farta de alguma coisa que não entendo, 
Pareço ter tomado um caminho sem volta. 
Onde devo esconder meu cadáver? 
Livrar-me de mim mesma, 
Das pontas de minhas unhas, 
Do meu cabelo, 
Tirar tudo de mim, 
Cada cravo, 
Cada pelo. 
Ingiro todas essas besteiras... 
As gorduras saturadas 
E as palavras do meu patrão. 
Sim, é verdade, estou distante, 
Mesmo daqueles que clamo amar, 
Afastei-me da minha pessoa, 
A vaidade me assombra. 
Não, eu não quero falar, 
É como se a folha somente relatasse 
Minha conjectura. 
Há tanto não escrevo neste caderno, 
Que pretendo me livrar. 
Viro folha, 
Passo a tinta da caneta, 
Preocupo-me com o espaço das linhas 
E com os itens em minha gaveta 
Cheia de coisas que quis guardar. 
Eu acumulei tanta coisa, 
E a insatisfação continua no altar, 
Reinando minha alma, 
Que se vê pequena e mórbida. 
Então, evoluir ou deixar morrer de vez? 
A segunda opção se faz tão mais consistente, 
Ela tem mais razão, 
Bem mais do que eu poderia usufruir. 
Roubei de mim 
A energia que pensei deter. 
Não quero fazer mais nada, 
Deixe-me ir embora! 
E me desculpe.

Maio de 2019,
Thais Poentes

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