Levados Pela Poesia

quarta-feira, 22 de julho de 2020


Um tempo depois, ela diz que deveríamos finalizar aquilo decentemente no hotel, pois ela tinha o princípio de que se ela sanasse o desejo, ele iria embora. Aquilo me deixou confusa, porque ela disse que deveríamos nos afastar antes de ela surgir no escritório, ou pelo menos entendi daquela maneira. Fugi mais cedo naquele dia novamente para encontrar com ela. E ficamos no hotel. Beijos, abraços, sorrisos, colos e músicas. Nessa vibe. Não vou entrar em detalhes, esses guardarei no coração e morre comigo   em breve, se tudo der certo ou errado, sei lá. Ela me deu um presentinho... um gatinho de porcelana e umas pedrinhas coloridas, que ela gosta dessas coisas, dentro de uma porta absorvente (risos), ela disse que não teve tempo de arrumar um embrulho “decente”. Achei fofo anyway, vinha de suas mãos e para mim valia o mundo. O tempo passou voando. Ela tinha que ir para o amigo secreto, mas eu a segurei. Sabia que seria a última vez que a veria, como poderia vê-la partir mais uma vez?! Consegui enrolar um pouco mais, até ela não atender as mil ligações da mulher. Problema na certa. Ligou de volta e foi embora correndo... a última vez que vi seu rosto foi virado paro o lado quando foi atravessar para pegar o carro estacionado do outro lado da rua do hotel. “Tchau, moça...”, pensei. E subi para o quarto. Ela disse que não falaria comigo dali, pois iria viajar com a mulher. Ótimo, meus últimos dias aqui. ÓTIMO! VOCÊ NUNCA MAIS VAI ME VER, VOCÊ SABE DISSO, NÉ?! Salve seu casamento e passe o resto da sua vida ao lado de quem ama de verdade, jogue fora os nossos últimos e escassos dias. Eles não são nada, de fato. ÓTIMO! – Surto interno.

Quando ousei ficar com outra pessoa para me distrair da moça, só pensava na moça e me senti agoniada por aquela pessoa não ser a moça. Quis ir embora. E fui. Pensei que não fosse me sentir tão mal assim por estar com outra pessoa senão ela, mas aquilo me abalou (por mais que eu tenha disfarçado para minha amiga depois). Não ousei ficar com mais ninguém desde então.

Quando viajei de volta para São Paulo, no dia que estava no táxi a caminho do aeroporto, uma parte de mim estava tão triste por partir, por não ter aproveitado aqueles últimos dias para ter mais um tempinho com a moça, por não a ter ali naquelas últimas horas. Quase como se o que aconteceu não tivesse sido nada... como se o que eu estava sentindo não fosse nada. Então uma parte de mim estava triste por eu estar bloqueada no aplicativo de chat (me sentindo bloqueada em outros sentidos também), e outra parte estava feliz por voltar para minha bichana e família.

As noites que chorei ali na terra calorosa como um bebê, todos os sorrisos, momentos especiais, com ou sem a moça, estarão para sempre dentro de mim. Mas se me perguntarem se eu voltaria para lá, eu penso na moça e na visão de ela me esperando, que é uma visão muito bonita mesmo. Só que eu não me permitiria isso, então acho que nunca volto para lá. Mesmo.

Todos os e-mails que trocamos... quando voltei. A ligação dela nesse dia que me tocou profundamente. Todo o drama, todos os caminhos frustrados... e conversas que não levaram a nada além de mais frustração, tudo isso... não sei mais o que pensar. 

O sofrimento gerado pelo amor livre não vale a pena”.

 “Abrir mão de um desejo por um bem maior”.

Esses “tapas” que ela me deu junto com a sugestão de me deixar ali na friendzone me fez querer nunca mais ter contato algum com ela. Raiva não senti por muito tempo, mas estive revoltada com a realidade me assediando desse jeito. Seria mais fácil odiá-la para sempre. O que me deixa mais revoltada é ela não “permitir” isso, se mostrando sempre algo bom demais. Mas no fundo quero odiá-la para sempre e pronto. Era para eu ter excluído tudo que a envolvesse, jogado o presentinho do gatinho e pedrinhas fora, e fingido que não fosse nada, afinal nada valeu a pena. Mas nãaaaao! Estou aqui escrevendo mais alguma coisa sobre ela. Já que não a odeio, estou odiando a mim mesma por não a odiar. Uma imbecil!!!!! PELO AMOR DE CAT, THAIS DO FUTURO, SE AINDA VIVE, NÃO SEJA UMA IMBECIL. SE SE SENTIR ATRAÍDA POR ALGUÉM COMPROMETIDO NOVAMENTE, SE AFASTE IMEDIATAMENTE ANTES QUE SEJA TARDE DEMAIS. ME AGRADEÇA QUANDO NÃO PASSAR POR MAIS SOFRIMENTO EM VÃO. DE NADA.

Status atual: em um relacionamento tóxico comigo mesma.

É... pois é... Ela é fantástica e não está comigo. Odiá-la seria mais conveniente para mim. Ela é fantástica e não teve culpa de me magoar. Mas magoou mesmo assim. E é por isso que desejo não a achar tão fantástica assim.

Só é estranho ter considerado o fim várias e várias vezes durante esse processo, e a moça ressurgir todas elas. Juro, não esperava.

Quase arruinei o casamento dela. Sei que fui uma tempestade que deixou danos, os quais elas terão que ajustar. Seja como for, dentro de mim, tenho um coração despedaçado. E eu desejo do fundo dos cacos dele que não haja outra paixão em minha vida (típica música “Longe do meu lado” da Legião Urbana).

Eu só queria contar um pouquinho dessa história. Feito isso, agora posso olhar para alguma foto dela e ficar triste, de novo. Não superei. E odeio admitir isto.

Nop! Nada mudou. I still feel the same, my feelings haven’t changed.


(Março de 2019. Thais Poentes)
Ela é meu amor?

Não superei o passado de tantas formas,
Com tantas além dela.

O que estou tentando dizer?
Eu não sei.
Eu a amei como jamais amei alguém,
E hoje simplesmente não sei.

Era obsessão?!
A forma de um sucesso em realidade...
Mas que realidade mais torta!

Depois veio uma bela garota,
Tão bonita por fora
E tão quebrada por dentro.
Tentei deixá-la perfeita para mim,
E me arruinei junto a ela.
Ela voltou para o que a assombrava,
Passando a me assombrar.

Então senti falta da minha velha assombração.
Eu senti falta do meu grande amor,
O mesmo que veio até mim
Em uma noite qualquer...
Com outro alguém.

E quem procuro dessa vez?

Falando em aparição...
Eu consegui amar uma a mais,
Ela era um pesadelo em carne viva,
E ainda assim a amei.

E, novamente, voltei para meu antigo amor.
Mas é amor?!
Eu não sei o que vejo através das palavras,
Dos dois lados, aliás.
Não estou sendo hipócrita,
Talvez falsa com o fato esquisito.
Não sei o que sinto.

Um monte de coisa remete a um monte de coisa.
Eu queria parar de roer minhas unhas
E viver um conto de fadas perfeito.

Até tentei aceitar a realidade,
Eu fui nessa linha, é verdade.
Pensei comigo... não era para ela tentar me confundir,
Já que minhas ideias estavam supostamente claras.

Todas as noites estou em casa,
Com a minha felina ao meu lado,
E olhe lá.

São falsas impressões,
E ainda que eu negue,
Não passo credibilidade,
Nem quando afirmo,
Não tenho nada no que digo.

Eu voltei para o esporte,
É minha grande paixão,
E quando estou em cena,
Já não consigo me entregar totalmente...

Será que morri por dentro?
Às vezes acredito que sim,
Noutras já nem sei.
Porém, percebo,
Estou morta... de alguma forma,
Algum pedaço meu está podre dentro de mim.

Novembro de 2019,
Thais Poentes

Abre los ojos, Anabel.

Você pensa que sou solitário
e que afasto as pessoas com meu
jeito supostamente arrogante ...

- "narcisista",

que por isso sou sozinho
e que ainda gosto de minha solidão.

Você pensa, Anabel,
que sem ti eu perco um mundo...

inteiro...

mas meu mundo se perdeu há muito,
antes mesmo de você chegar.

Se você pudesse me ouvir,
ao menos se pudesse me enxergar.

Anabel, traiu-me  sem perceber,
dilacerou-me sem explorar.

Culpou-me
por minhas palavras sinceras,
as chamou de alfinetadas agudas,

"desnecessárias",

dizendo que penso estar certo,

"sobre tudo",

que por isso fechei-me
em um mundo inflexível e particular.

Mas sobre si mesma,
Anabel, você sabe pensar?

Quando chegou
ao meu mundo pedindo ajuda,
prometendo tentar
entender minhas ideias,
dedicada a conhecer,
motivada a caminhar,
não percebeu que apenas fez
promessas vazias,
e que em poucos dias cometeu
todos os erros que
havia jurado evitar.

Anabel, Anabel...

Abre los ojos, Anabel.

Seu mundo de sonhos desmorona
em uma insegurança determinada
pela incapacidade de se segurar em
algo de maior valor... Anabel...

Abre... los... ojos...

Suas inseguranças travestidas
de coragem não assustam nem o mais
fofo dos gatos bem cuidados da
classe média alta paulistana.

Quem será que pode nos salvar?

Se tão de repente,
meu idioma que era perfeito
tornou-se um dialeto rarefeito
muito complicado de se aproximar?

Olhe para seus olhos, Anabel,
e abra-os para a vontade da vida.

Talvez,
quem nunca foi valorizado
perca a capacidade de
enxergar quando alguém passa
a valorizar...

Dei-te do meu mel mais doce,
de minhas palavras mais profundas e
meus sonhos mais sinceros...

Abri-me completamente,
apartei-me de meus medos e joguei-me...

NO TEU MAR...

Quando é que você quis,

REALMENTE,

mergulhar em mim???

Fui apenas
uma fuga da sua vida cotidiana
insuportável disfarçada de estilo irregular.

Abre los ojos, Anabel!

Quem perde mais
com sua partida certamente não sou eu,
mas para teu ego é muito difícil aceitar.

Nunca exigi nada
de ti além de sua confiança,
- jamais exigi concordância,
nem fiz nada para te apequenar.

Você fez suas promessas vazias,
Das quais fui um tolo,
mais uma vez, em repetidas tentativas,
por acreditar.

Adeus, Anabel.

E apesar de você me achar sozinho:
que afastando-me de mim
você me deixa só - acumulei em vida
melhores amigos dos quais

NÃO OUSARIAM ME DEIXAR...

Eu não estou sozinho,
E nenhum de nós precisa concordar -
mas uma coisa posso dizer de meus amigos -
eles são fortes, e se não duvido da capacidade deles,
e eles não duvidam da minha,

É PORQUE É IMPOSSÍVEL DE SE DUVIDAR.

(Augusto Fossatti) 


terça-feira, 16 de junho de 2020

Decante ler o monte de
Baboseira sem sentido
Que já escrevi.
Decadente só ser eu mesma
Em um bloco de notas.
No meu âmbito pequeno,
É este meu único abrigo?
Tinha bebido
E fingido sorrisos,
Para quê?
Para esse bando de imbecil,
Que me vê como mais um recurso.
Uma ferramenta para o superfaturamento.
Por que deveriam respeitar meu mundo?
Aquele pedaço de papel
Com minha assinatura ridícula
Faz com que possuam minha alma,
Que façam o que quiser
Com minha propriedade intelectual.
Então peguem este poema!
Enfiem goela abaixo!
É de vocês!
Também meus dias longe de vocês.
Peguem meus dias de merda
E esfreguem em suas caras de merda.
Sufoquem com minha presença
Enquanto me sufocam.
Enfiem no rabo suas avenças.
Morram e me esqueçam!

Maio de 2019,
Thais Poentes
Estrela antiga, como te alcançar?
Dance comigo esta noite e vamos celebrar
Teu brilho mais severo no céu distante.
Se eu pudesse em ti encostar por um instante...

Odeia-me como te amo?
Vê-me do alto sob tua respiração ao norte,
Onde está o perfume do teu jardim autógamo.
Celebrar a minha morte é o que te faria forte.

Átomos inúteis residem em minha pele,
Se ao menos tua saliva pudesse expeli-los.
Nosso elo se faz de flagelos, apelos e duelos.
Contra a parede estou por tua mão que me impele.

Se eu pudesse cair, cair...
Passar por todas as camadas evaporadas,
Até me enterrar e me abstrair,
Apenas para engajar em tuas caçadas.

Ela chega com a nevada,
Seu sopro pode soar uma facada.
Sonho vê-la em uma cama estirada,
Senti-la e perceber que não é gelada.

Minha melancolia é uma piada,
Quero do seu humor uma pitada
E não internamente esta pontada,
Seu som é uma rajada.

Venha para minha folha saturada,
Encoste em mim tua mão pálida,
Deixe-me adivinhar tua charada,
Começaremos uma nova temporada.

Novembro de 2019,
Thais Poentes

sábado, 30 de maio de 2020

E eu penso sobre a vida…
Como penso sobre a vida… 
E essas nuvens gigantescas
pairando sobre minha cabeça,
contrastando com o azul do céu, 
Céu gigantesco, céu falso, 
Luz solar que bate na atmosfera 
com tanta violência que nos cega, 
quase nos cega…  alegra-nos. 


O que perdi… não sei. 
Quando aprendi a contemplar...
Ouvir sua voz, teu respirar ofegante, 
Senhora natureza, mãe do universo,
Sou filho da sua grandeza… 
Perdi toda a minha humanidade. 


Será que posso confiar? 
Eu já não quis estar aqui, 
Nem mesmo por um segundo, 
Sinto-me inteiramente faseado: 
Faseamento, discernimento, 
Perdido na pequenez da existência. 


Ninguém precisa de mim,
Essa é a própria beleza oculta. 
Eu choro por dentro e sufoco-me 
com lágrimas que jamais existiram, 
E as luzes da cidade não iluminam 
meus sonhos como faz a luz do luar. 


Grandes homens, 
Grandes mulheres,
Pequenos homens, 
Pequenas mulheres. 


Estamos todos a mercê do caos, 
Apenas folhas pairando ao vento, 
Somos gotas de água, presas às 
correntezas de um oceano infinito. 
Planetas, estrelas, galáxias… 
Andrômeda, Andrômaca… 


Escritores de Gilgamesh… 
Depois Homero, depois Virgílio,
Depois Dante, depois Shakespeare. 
Nós poetas somos miseráveis,
Eu já disse isso alguma vez na vida. 
Somos miseráveis, irmãos,
E sei que me aguardam,
Aguardam-me na beira do Rio Estige. 

Terão de esperar um pouco mais.

(Augusto Fossatti)

(Para Thais Poentes)

Muitas coisas,  
Realmente muitas coisas eu diria… 
Essa sua companhia que me salva,
Que me apoia a cada dia! 


Uma poeta, depressiva, 
Tanto quanto eu, 
Que surgiu entre palavras cruzadas, 
Que deparou-se comigo, por sorte,
Graças a sociedade dos poetas mortos. 
Quem diria… Quem diria! 


Quem diria que o professor Keating, 
Aquele revolucionário, 
Teria mudado minha vida duas vezes, 
Trazendo você para mim. 


Esse pequeno pedaço de gente, 
Tão intenso no amor quanto eu, 
Essa pequena garota tão passageira, 
Amante dos corpos femininos, 
Tanto quanto eu… 


Somos perfeitos,
Teimosos, um para o outro, 
Difíceis, mas assim deve ser as amizades,
Conflituosas, carinhosas, vivas! 
Porque nada que é vivo vive em paz! 


Seus conselhos, 
Sua nietzschianidade espontânea, 
Aquela coisa que me  lembra de viver, 

Isso me permite respirar uma vez mais. 

sexta-feira, 15 de maio de 2020


Ela sugeriu que tratássemos o assunto, do “estar a fim dela”, como adultas que somos. Que coisa! Adulto adora fazer burrada. Nos encontramos no domingo daquela semana, fomos para um lugar que ela não tinha ido, muito menos eu. Ventava bastante, ela fez graça sobre nossa aparência – cabelo – devido a isso. Muito engraçadinha a dona moça, percebe-se – uma das coisas que me fez gostar mais ainda dela, sem dúvida. Seu espírito alto astral, gentil e doce.... Haviam muitas rochas naquela praia. Era o final da tarde. Ela me contou um pouco sobre sua história, seus medos. Eu não falei quase nada sobre mim, mal conseguia olhar para ela. Não porque ela não queria saber, mas porque eu não soube contar. Eu estava focada nela e em pegar sua mão, ter algum contato físico. Deixei a mão ali parada do lado dela em vão... ela nem para colocar a dela ao lado um pouco distante, ao menos *cof cof*   muito fantasiosa, eu sei. Parecida com aquela cena da fantasia de uma das personagens do filme Imagine eu e Você. Quando saímos daquele banco, fomos atravessar a avenida, correndo fora da faixa de pedestre, o fluxo de carro estava baixo, já havia escurecido. Atravessamos a primeira via, sua mão nas minhas costas, atravessamos a segunda, segurei sua mão e ela a minha. Hum... bom sinal, ela transpôs querer contato físico também. Hum.... Entramos no carro, foi rápido, eu disse que precisava ir ao mercado. Walmart. Paramos lá, era a caminho do hotel. (Fato é, eu passaria no mercado de qualquer maneira, mas aproveitei a “deixa” para fazer isso com ela. Quanto mais tempo ao seu lado melhor, né?! Apesar de estar um pouco envergonhada. Geralmente não sai coisa boa quando estou com vergonha. Exponho uma insensatez que nem eu me reconheço). Uma senhora estava doando uma gatinha muito linda em uma caixa em frente a entrada do supermercado, depois do estacionamento. Brincamos com ela na ida, compramos o que tinha que comprar. Gostei de comprar coisas com ela. Gente do céu! Aquela mulher, seja lá o que tem nela, mexeu comigo de um jeito que até agora não entendi. O que quer que ela estava fazendo, estava funcionando. "There's a million girls around but I don't see no one but you" ♫. Voltamos e brincamos na volta com a bichana também, ela até doou um dinheirinho para a pequena. Fomos para o carro, ela andou um pouco dentro do próprio estacionamento e perguntou se podia parar para me dar um abraço. Tudo bem, eu disse. (Choque). Estava sem iluminação, ninguém por perto. Pensei que ela fosse me abraçar dentro do carro mesmo, sei lá. Não estava pensando bem. Quando fui abraçá-la, ela disse que era fora. Passar vergonha é o meu forte. Ela disse para eu não me preocupar que ela que ficaria como “a doida” do lugar, já que ela que voltaria por ali e eu não. Se bem que eu voltei outro dia ali.... Desci e a abracei. Nos abraçamos por um tempo considerável. Dizem que quando duas pessoas se abraçam por 6 segundos é porque estão apaixonadas. Bem, então a gente estava perdidamente apaixonada, porque aquele abraço durou bem mais que isso. E foi bom. Muito bom. Voltamos para o carro. Ela não o ligou. Estranhei. Silêncio. Ela colocou a mão sobre o rosto. Silêncio. “O que foi?”, perguntei. Silêncio. Mexi com ela, meio que com medo de tocar o cristal que eu queria roubar para mim, mas eu não era ladra, e questionei novamente. Silêncio. Tirei o cinto.  Aguardei mais um pouco... ela confessou que também quis ficar comigo. Aquilo foi mais bonito que uma opera para os meus ouvidos. Disfarcei a felicidade em meio à sua agonia por aquela confissão. A gente sabe por que ela também querer ficar comigo era ruim para ela. Ela perguntou o que eu faria no lugar dela, eu disse que não sabia. E não sabia mesmo. Eu quis tanto ser sacana e falar para ela ficar comigo, e foi isso que me fez não saber. Mas eu sabia no fundo que o “certo” seria não fazer nada, porque era errado devido às circunstâncias monogâmicas, então disse que não deveria fazer nada, ou fazer alguma coisa e fingir que nada foi feito (lado sacana querendo viver, de alguma forma), só que ela não é assim. Ela é uma moça sincera até demais, conta até o que não deveria. Ela ainda parecia aflita... não olhava para mim. Segurei sua mão e disse que ela não precisava ficar daquele jeito, porque ela não tinha que fazer nada e nem havia feito. A questão era: ela queria. E aquilo a perturbou. Eu sei, porque ela me contou. Mas gente... se quer fazer, FAZ LOGO!!! – meu lado sacana berrante dentro de mim. Me mantive calada. Resolvemos ir embora, ela me deixou na porta do hotel, eu a abracei um pouco mais dentro do carro. E, droga! Eu queria abraçar ela a noite inteira. Por que não? Tá... eu sei “porque não”, mas e daí? – lado insensato falando – briga interna entre o “certo” e o “o que eu quero fazer de fato”. Vamos fugir deste lugar, baby .

Conversamos depois pelo aplicativo de chat. Aquilo gerou discussão em casa com a mulher. Não é para menos. Ela queria um “vale-night” e insistiu nisso. Muito insistente a dona moça. Também gostei disso nela. Mas shiu, não deixa ela saber disso. Resultado: sua mulher não queria mais ouvir o meu nome. Sem “vale-night”, morte à Thais. Algo próximo disso eu senti por parte da mulher dela. Ela sumiu no outro dia. E doeu. Depois, o que ela disse, remeteu que não iriamos mais nos ver, nos falar, etc. Doeu ainda mais. Tudo bem. Esperado. Doeu, mas passa. Passa depois de quanto tempo mesmo? Porque ainda dói... e tem outras dores mais para frente que estão aqui também. Droga de vida real de merda.

Para muita gente isso aqui não é nada, mas para mim foi muito. Uma nova paixão depois de tanto tempo fechada. Uma paixão recíproca, que é mais rara ainda. Mas eu não sabia disso até então. (Ela demorou para confessar os sentimentos, apesar de ser nítido). Não sabia nem de mim, muito menos da parte dela. Que coisa! Precisava ser por ela (a paixão)? Dizem que os melhores têm “dono”. Faz sentido.

Blé!

Depois ela ressurgiu. Disse que tinha que assinar uns documentos por lá... eu falei que ela poderia me evitar, mas ela disse que não queria aquilo e perguntou se tudo bem me cumprimentar. Tudo bem. “É a última vez que vou vê-la mesmo... pelo menos posso me despedir melhor dentro de mim”, foi o que pensei. Escrever tudo isto é dilacerante, porém eu preciso. Estava eu em reunião, fugi para encontrar com ela no estacionamento após suas mensagens inesperadas, em especial a “Quanto mais você demora, mais aumenta o desespero”. Desci pelo elevador, virei para o estacionamento, ela estava lá parada. Era sempre ótimo vê-la ali, principalmente me esperando. Nos abraçamos por um tempinho. Seu coração batia muito forte, não pude distinguir se junto ao meu. Mas aquela pulsação era minha e estava colada em minha, viajando pelos diversos sentimentos do meu ser. Impulsionada por algo significativo, mesmo que esse seja descartável, aparentemente. Desculpe dizer isso, moça, mas você sabe que é assim que eu vejo. Fomos para o canto, ela parecia mais tímida dessa vez. Falou comigo, disse que eu estava bonita. Mas só hoje?! Fiz graça. Mulher é foda, ela disse. Algo nesse sentido. Ela segurou minha mão. A sua estava suada. Não segurou por muito tempo. Estava tremendo quando a soltou. Ela começou a falar... notei que estava muito emotiva, seus olhos encheram de lágrimas, mas ela não as cedeu. Ela disse que eu tinha que ir, e eu tinha, só não queria. Não estava ligando para os meus deveres. Meu desejo era a abraçar. Abracei de novo. Um longo abraço. Suspiros. Nos afastamos e ela olhou serenamente para mim, e eu bruscamente tive um impulso de ir com a cabeça para frente ao lado dela ao dizer “Droga”, com o pensamento “por que não posso beijá-la?!”. Olha aí, atitudes insensatas de um ser envergonhado. Abracei-a de novo e pensei “Que se dane!”, virei a cabeça e beijei o canto de sua boca e ela quase consentiu, mas voltou a me abraçar. Respirou fundo. Me abraçou mais forte. Ela ficou de frente comigo e não parecia querer sair, eu encostei no rosto dela com a mão e ela no meu. Não aguentei. Um beijo breve aconteceu. Fomos interrompidas pela presença de um carro/um homem (sei lá... estava distraída...), ela parou quando o notou e saiu andando. Descemos para o térreo, nos despedimos novamente. Sempre triste vê-la partir. “Seu cheiro ficou em mim”, escrevi para ela. “E o seu em mim”, me respondeu. Estava eu pensativa. “Te abraçar é bom”, ela me disse.


(Março de 2019. Thais Poentes)
“Mexa-se! Vá!”,
Mexa-se para sobreviver.

“Juntos”, ele disse
Para a encantada.
“Caminhar de mãos dadas”,
E, por essa estrada,
Eles se perderam...

Temo o inverso
Que se aproxima,
Com ele o remédio
Para o tédio,
Mas o desvanecer da paz.
Bela sina!

Seres vivos atormentam
Mais do que os mortos.
Se discorda,
Eu lhe mostro.

Mexa-se!
Pegue o seu!

Cada oposto que convém,
Para um mundo em desdém. 

2012,
Thais Poentes

quarta-feira, 29 de abril de 2020

Quem somos nós 
se não o resultado, o fim 
de uma sucessão de eventos 
caóticos e imprevisíveis
no espaço-tempo? 


O que devemos ser 
se não o nosso próprio fim?  
Um meio? Jamais. 


Não somos ferramentas 
nas mãos de uma ideia! 
Ideias são à prova de balas, 

nós não.

(Augusto Fossatti)

sexta-feira, 10 de abril de 2020

Estou entalada em minha mente,
Infantilmente doente,
Com este refluxo de mim
E esta feriada exposta assim
Como um espasmo contrário
Ao que estava defronte ali
Naquele espelho... eu vi.
Era a minha face, tenho certeza,
E sei que não me concerni.
Olho para meu corpo abaixo com avareza.

Ah, céus!
Eu não deveria escrever sobre ela,
E lá vai!
Veja quem me lê...
Poderia ser ela, e não deve ser.
Eu vejo um uma incógnita cinza
Quando enxergo fundo em seus olhos.
Parecem desencontrados.
E como poderia te alcançar?!
É tão difícil!
O trabalho duro trará uma recompensa?
Ou isso é só mais uma ofensa?!
Mais uma expectativa para alta cair e se espedaçar?!

Perdoe-me, não deve ser justo contigo.
O mundo é isto!

O que poderia ser meu primeiro
Ou talvez o meu último
Amor,
É um texto ignorado
Que sumirá em alguma explosão.

Entregue-se a mim.   
Por que não vem?
Limpe esse borrão.

Fevereiro de 2020,
Thais Poentes

sábado, 4 de abril de 2020

Como o verão,
Esbraseante ela chegou.
Uma queimadura, no entanto,
Foi o que ficou.

Aqueça ou queime,
Maldição fervente.

Ela é como o inverno –
Branca e alarmante.

O gelo arde,
Por que me fez tocá-lo?

O sol longínquo me ofereceu,
Aceitei o presente que não posso olhar,
Acreditei na possibilidade de suportar.

Estive esperando-o,
Ciente de suas consequências.
Veja...
Não desejei o seu,
E mesmo assim ela me deu.
(Sem dar?!).
Passei a ansiar.

Ainda ciente,
Lidando com o esperado,
Encarei o falso conforto.

Seu bálsamo é uma ilusão,
Seu olhar é uma farsa,
Seu corpo – uma traição.

Então desejei que fosse sempre noite,
Apenas para apagá-la de minha memória.

Morra ou queime!

2013,
Thais Poentes

quarta-feira, 1 de abril de 2020

Aproveitar

Caminho a céu aberto,
à procura de um cobertor,
algo que possa me proteger
da vida, da morte, do louvor.

Se nada nunca muda,
nada tem sentido,
nem ser tão glorificado,
muito menos adorado ou temido.

Ser feliz é perguntar,
questionar é gostar,
talvez gostar seja glorioso,
tanto quanto amar.

Viver, pensar, crescer,
Crer, poder, ter,
mudar, lutar, vencer!

Triste pode custar,
quem é infeliz por estar,
pobres os que pensam isso,
não pensam que podem pensar.

(Augusto Fossatti) 

sexta-feira, 27 de março de 2020


Quão  terríveis são nossas malditas escolhas,

Quão doentes elas podem nos deixar:
Perdidos em uma vastidão de detalhes frios.

Cada porta é um destino incerto na existência,
A liberdade não existe, apenas ilude.

Quem sou eu para escolher meu destino,
Logo eu, que nada sei!

Seria mais fácil ser predestinado,
Mas sou apenas um átomo errante
na inexplorada tortura do espaço-tempo.

(Augusto Fossatti)