Levados Pela Poesia

sábado, 30 de maio de 2020

EU VIVO (OP.31 N.2)

E eu penso sobre a vida…
Como penso sobre a vida… 
E essas nuvens gigantescas
pairando sobre minha cabeça,
contrastando com o azul do céu, 
Céu gigantesco, céu falso, 
Luz solar que bate na atmosfera 
com tanta violência que nos cega, 
quase nos cega…  alegra-nos. 


O que perdi… não sei. 
Quando aprendi a contemplar...
Ouvir sua voz, teu respirar ofegante, 
Senhora natureza, mãe do universo,
Sou filho da sua grandeza… 
Perdi toda a minha humanidade. 


Será que posso confiar? 
Eu já não quis estar aqui, 
Nem mesmo por um segundo, 
Sinto-me inteiramente faseado: 
Faseamento, discernimento, 
Perdido na pequenez da existência. 


Ninguém precisa de mim,
Essa é a própria beleza oculta. 
Eu choro por dentro e sufoco-me 
com lágrimas que jamais existiram, 
E as luzes da cidade não iluminam 
meus sonhos como faz a luz do luar. 


Grandes homens, 
Grandes mulheres,
Pequenos homens, 
Pequenas mulheres. 


Estamos todos a mercê do caos, 
Apenas folhas pairando ao vento, 
Somos gotas de água, presas às 
correntezas de um oceano infinito. 
Planetas, estrelas, galáxias… 
Andrômeda, Andrômaca… 


Escritores de Gilgamesh… 
Depois Homero, depois Virgílio,
Depois Dante, depois Shakespeare. 
Nós poetas somos miseráveis,
Eu já disse isso alguma vez na vida. 
Somos miseráveis, irmãos,
E sei que me aguardam,
Aguardam-me na beira do Rio Estige. 

Terão de esperar um pouco mais.

(Augusto Fossatti)

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